Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



29
Set

Esta campanha para as legislativas está a ser um paradigma no que diz respeito à influência que a comunicação social tem na opinião pública e, consequentemente, no voto. Desde a habitual falta de espaço mediático concedido aos partidos mais pequenos (sobretudo os que ainda não têm representação parlamentar) ao extraordinário acaso que é vermos dois antigos presidentes do PSD a comentar a campanha na SIC e na TVI, ocupando o prime-time nos telejornais dos dois canais (Marques Mendes chega ao ponto de escarnecer da nossa inteligência, ao gabar-se da "independência que me é reconhecida"), tem acontecido de tudo um pouco, sem que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) se pronuncie. Aliás, a avaliar pelo silêncio do organismo que deveria fiscalizar o acto eleitoral, estes acontecimentos devem ser absolutamente normais, e estarão a guardar-se para vigiar as redes sociais no dia de reflexão, acredito.

E depois há o caso das sondagens. Temos de tudo, à escolha do freguês: amostras que rondam as 300 entrevistas válidas; sondagens nas quais apenas são sondados residentes do continente com telefone fixo; contagens de voto que não têm em conta a densidade populacional de cada região e a distribuição de mandatos por círculo eleitoral (ou se têm, partem de inexplicáveis distorções); e até uma sondagem que, partindo de uma amostra com distribuição por regiões do país, extrapola os mandatos por círculo eleitoral (que não coincidem, como é evidente, com as regiões), construindo um potencial parlamento para usufruto dos comentadores, que depois discorrem longamente sobre cenários hipotéticos e pouco verosímeis. É um festim.

Mas se tudo isto já é muito mau, pior é o relato feito por Glória Franco, candidata do Livre/Tempo de Avançar pelo distrito de Évora, de uma inusitada entrevista telefónica realizada pelo centro de sondagens da Universidade Católica (por sinal a empresa que está a fazer a tracking poll que mais avanço dá à coligação de direita). Aqui fica:

 

"- (...) Estamos a realizar uma Sondagem para a Universidade Católica e a Sra. foi seleccionada. Quer responder? (...) Em que força política votaria hoje em eleições legislativas?
- Voto no Livre/Tempo de Avançar.
- Desculpe, que partido é esse?
- Está a entrevistar-me telefonicamente e não sabe (...)?
- É o da Ana Drago, não é? Diga-me por favor: há mais alguém aí em casa, disposto a participar na sondagem?
- Há sim. Vou chamá-la. [Não havia, de facto, mas a nossa companheira quis ver até onde iria a coisa... tendo disfarçado a voz].
- Boa noite.
- Boa noite. Quer participar na sondagem da UC? (...) Em quem votaria se as eleições legislativas se realizassem hoje?
- Voto no Livre.
- Mas aí em casa votam todos no mesmo?! Obrigado pela participação e boa noite."

 

Será caso para chatear a CNE, ou poderá esta continuar a dormir o sono dos justos, no pasa nada

Autoria e outros dados (tags, etc)


8 comentários

De Joe Strummer a 29.09.2015 às 11:38

Mas por mais q manipulem e mintam a verdade e q ja se notam os primeiros sinais de defeção por parte dos apoiantes da coligação. Sentem o vento a mudar. E a fase esquizofrenica. O PS tem a vontade 4 a 5 pontos de vantagem q poderao ser aumentados no calor do voto.

Sergio, a cena do voto cidadão a Norte também não correu muito bem. Cheira a chito VW.

De Sérgio Lavos a 29.09.2015 às 12:17

Não acompanhei de perto a votação, mas amigos meus na comissão eleitoral garantem que houve tentativa de fraude do candidato desclassificado. É mau? É. Mas nós sabíamos que estas coisas poderiam acontecer com primárias abertas. Foi um risco, mas tínhamos de o fazer.

De David Crisóstomo a 29.09.2015 às 13:01

Ora, nem mais.

De David Crisóstomo a 29.09.2015 às 13:27

E o Tribunal Constitucional confirmou a tentativa de fraude, impedida pela Comissão de Ética do LIVRE/Tempo de Avançar http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20150402.html

De Joe Strummer a 29.09.2015 às 14:59

Ok.Considero-me esclarecido.

De Joe Strummer a 29.09.2015 às 15:09

Ok. Esclarecido.
Comes with the territory, como dizem os yankees.

De Jaime Santos a 29.09.2015 às 14:04

Desmobilizar o voto dos opositores é uma belíssima maneira de ganhar na secretaria. É por isso que quem quer que vote na oposição, em qualquer Partido que seja, tem obrigação de cativar os eventuais abstencionistas para irem votar. Está a criar-se um cenário de inevitabilidade relativamente à vitória da Coligação que é amplificado pelas sondagens e pela comunicação social, com análises e contra-análises. E convém perceber que em distritos do interior, especialmente no Norte, onde os pequenos partidos não conseguem eleger deputados, não ficaria mal que pelo menos o Livre (com o BE e o PCP não se pode contar), explicitamente apelasse ao voto no PS, já que defende uma convergência de Esquerda.

De Patolas a 29.09.2015 às 20:16

No meu caso telefonaram no domingo de manhã e nem sequer me questionaram em quem pretendia votar! telefonaram apenas...

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • MRocha

    Se está na lei que devem ser públicas, cumpra-se a...

  • Jaime Santos

    Trump, além de mentiroso, é sobretudo um egomaníac...

  • Joe Strummer

    Pois, mas convem não deixar que noutro lado se ins...

  • Anónimo

    E estou eu contratado pelo estado à 16 anos.

  • Daniel Silva

    Sim, a tendencia é sempre a mesma. O aumento salar...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset