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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

05
Fev16

Social-tonteria, sempre!

Sérgio Lavos

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No anterior e falecido Governo houve sempre algo que funcionou relativamente bem: a propaganda - pese embora uns percalços que levaram à constituição de um "conselho de coordenação da coligação" depois de algumas irrevogabilidades de Portas. A máquina, bem oleada, foi conseguindo sempre fazer passar a mensagem de que a austeridade seria a oitava maravilha que iria salvar Portugal e o nível de interiorização desta mensagem simples atingiu níveis assinaláveis. Velhos e bons tempos, quando Passos Coelho era vendido na comunicação social como "estadista" e "homem sério", uma máscara que cobria o rosto do trampolineiro de pin (dos chineses) na lapela, do farsante que se "esquecia" de pagar impostos, do homem dos negócios tecnofórmicos em conluio com Miguel Relvas.

Mas como dizia o grande filósofo, "tudo passa, tudo passará", e a "frente trampolineira" foi atirada para o seu devido lugar no caixote de lixo da História e substituída por um Governo que, espanto dos espantos, promete governar em nome dos portugueses e não de um desígnio maior (outro nome para "interesses estrangeiros" ou "austeridade redentora"). Os outrora patrióticos pineiros de direita ou desistiram (Portas) ou fazem figuras tristes na casa da democracia e lamentam-se pelos quatro cantos prometendo um regresso a uma social-democracia que em devido tempo meteram na gaveta (em 2011, Passos afirmava numa entrevista que o nome do partido, "social-democrata", era uma relíquia dos anos 70), ostentando do outro lado da lapela a mesma falta de vergonha de sempre.

Enquanto o líder derrotado nas legislativas de Outubro carrega aos ombros a sua infinita tristeza, a antiga máquina de propaganda vai tentando fazer o seu trabalho. A chinfrineira que se fez ouvir nas últimas semanas a propósito da apresentação do Orçamento de Estado à UE é um eco distante desse furor propagandístico de outrora, mas falta-lhe em eficácia o que lhe sobra em histeria. A ofensiva terá chegado aos corredores das instituições europeias, e uma embaixada liderada pelo garnizé emplumado Rangel parece ter andado a tentar influenciar os comissários europeus afectos ao PPE. Houve quem tivesse chamado a esta mítica criatura "Miguel de Vasconcelos dos tempos modernos", mas sinceramente acusá-lo de tal é atribuir-lhe demasiada importância. Um garnizé será sempre um garnizé: barulhento mas completamente ridículo e impotente. Por cá, as galinhas poedeiras do costume cacarejaram nos poleiros habituais. Nos jornais, rádios e TV's, alertaram com todas as forças para o caos que se avizinha, para o fim do mundo em cuecas. Os cacarejos de Camilos e Gomes Ferreiras, Medinas e pintos acabados de pôr a cabeça de fora (como João Miguel Tavares) criaram uma onda que, de acordo com qualquer manual de comunicação, apenas iria tornar uma previsível aprovação do OE por parte de Bruxelas uma vitória para António Costa e a esquerda.

A tonteria e o desnorte são tais que, nas redes sociais, propagandistas que estão ainda mais abaixo na cadeia de alimentação oscilam bipolarmente entre as críticas ao despesismo e às contas descontroladas da esquerda e a denúncia de uma suposta austeridade. O Governo PS tanto é preso por ter cão (acomodar no OE reposição de vários cortes) como por não ter (substituir os cortes por aumentos de impostos que visam manter as contas equilibradas). Seria avisado reunirem-se todos estes propagandistas e constituirem um qualquer órgão de coordenação. Poderia ser um "conselho de coordenação da oposição", por exemplo. Conviria que a narrativa fosse afinada e que não cedessem munições à esquerda, permitindo a Costa que, ao fim de três semanas de choro e de ranger de dentes, tivesse uma inquestionável vitória estratégia. Mas não sou eu que darei conselhos a esta alegre turba de tontos que por aí anda. Espero que continuem nesse caminho. E que continuem a apoiar o cavaleiro da triste figura, Passos de seu nome, no caminho para a retomada do poder. A diversão estará garantida. 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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