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A requalificação do Eixo Central de Lisboa tem estado presente na imprensa nacional ao longo dos últimos meses, com a cobertura das inúmeras sessões de discussão promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa e outras entidase.

Sobre o projecto em si, basta dizer que se trata da requalificação da Av. da República e Av. Fontes Pereira de Melo, parte do Eixo Central de Lisboa, orientadas para uma melhoria do espaço público e das condições de mobilidade para peões e ciclistas em detrimento do espaço de circulação e estacionamento automóvel. Importa, também, dizer que esta obra, além de explicitamente referida, se enquadra nos princípios de política de mobilidade presentes no programa eleitoral votado por uma maioria dos munícipes na últimas eleições autárquicas.

Antes e Depois.jpg

A Associação de Moradores das Avenidas Novas e o vereador João Gonçalves Pereira (CDS) mobilizaram-se na contestação ao plano, tendo como principal argumento a redução do número de lugares de estacionamento disponíveis na via pública. Mais do que nos argumentos em concreto, a contestação basei-se na ideia de que ter estacionamento gratuito no centro de Lisboa é um direito que se sobrepões ao direito à circulação conformtável a pé, à circulação de bicicleta, à fruição do espaço público, ou a um ar respirável. Estes princípios são precisamente os contrários daqueles que foram sufragados.

A verdade é que acabaram por conseguir o que reclemavam. O presidente da CML acabou por ceder e anunciar uma alteração ao projecto que aumenta o espaço de estacionamento à custa da eliminação de uma das ciclovias unidireccionais na Av. da República. Esta alteração foi de encontro directo à proposta do vereador João Gonçalves Pereira, como o próprio fez questão de assinalar após o anúncio. A CML compreteu-se, também, a fininciar avenças a preços reduzidos em parques de estacionamento privados para os moradores de uma das zonas mais valorizadas das cidade de Lisboa.

Ora, depois desta posição de compomisso de Fernando Medina que, a meu ver, foi longe demais nas cedências, esperar-se-ia que quaisquer motivos para constestação ficassem esvaziados. A realidade encarregou-se de mostrar que qualquer expectativa de razoabilidade do lado que que contesta este projecto se tratava de uma ilusão. Menos de uma semana após o início das obras, está já marcado um buzinão contra as obras, que contou com o apoio imediato do vereador do CDS na CML.

Fica claro para mim que fiz, ao longo deste debate, um juízo errado das motivações dos opositores a este projecto. Na minha inocência, sempre achei que fossem movidos pela vontade de manter os seus hábitos de mobilidade baseados na utilização do automóvel e no desejo de ter estacionamento gratuito à porta de casa.

Fica claro que o argumento da perda de estacionamento era apenas circunstancial e que a verdadeira motivo sempre foi e continua a ser de travar a obra a todo o custo.

Acusam Fernando Medina de ser eleitoralista por querer ter obras prontas antes das eleições. Quase sou levado a pensar que estas pessoas que contestam estas obras desta forma têm medo que as obras se façam e que os lisboetas descubram que as coisas ficaram melhores depois das obras e, eventualmente, recompensem eleitoralmente o executivo que as promoveu. Mas talvez isto seja a irritação e a minha mente conspiratória a falar...

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5 comentários

De Ana a 09.05.2016 às 11:04

Até pode ter alguma razão, mas vou dar-lhe um exemplo, a minha Mãe já tem 80 anos e claramente mais dificuldade de mobilidade pedestre e obviamente não vai andar de bicicleta, não tem direito a gozar a sua cidade? Estamos a criar uma cidade para jovens e turistas? Foi apenas uma pequena ideia para que possa reflectir.
Obrigada

De Frederico Francisco a 20.05.2016 às 16:50

É uma reflexão muito válida e que vai de encontro aos princípios orientadores deste projecto. A criação de vias de circulação pedonal mais largas, com piso confortável e livres de obstáculos. Naturalmente, não defendo uma cidade só para jovens e turistas, muito pelo contrário, mas, sobretudo, não defendo uma cidade centrada nos interesses dos automobilistas.

De L a 10.05.2016 às 10:23

Claro que há gente a criticar por ser o PS a fazer as obras, da mesma maneira que há quem defenda as obras, talvez até o frederico, porque é o PS a fazer as obras - se fosse o PSD este post se calhar nunca existiria (ou será que defendeu com tanta garra as obras do tunel do marquês enquanto sá fernandes embargava sucessivamente - sem razão - as obras?).

Adiante, outro ponto interessante no post é o facto de criticar a critica e posterior cedencia em relação aos lugares de estacionamento nas vias publicas para que os moradores possam ter um lugar de estacionamento, relativamente perto de suas casas. Esses burgueses endinheirados que moram no centro de Lisboa merecem tudo de mal que lhes possa acontecer e se querem ter lugar à porta que comprassem casa na linha de sintra, com garagem. Adicionalmente, os lugares, mesmo para moradores, em lisboa nunca são gratuitos, vão desde 12 a 120€ por carro/por ano.

Mas o mais giro é a razão pela qual devem ser abolidos os lugares de estacionamento - para " circulação conformtável a pé, à circulação de bicicleta, ", eu não sei se o Frederico alguma vez andou a pé nesta zona, mas os passeios já são largos osuficientes para todos possam andar confortávelmente de um lado para o outro. Quanto às bicicletas é só ridiculo, passa por tentar prespegar um hábito de outras cidades europeias - como Copenhaga, Amesterdão, Dresden, e afins - a Lisboa, esquecendo que ao contrário destas cidades, Lisboa não é uma cidade plana, é quase sempre a subir ou a descer. Essas cidades têm ciclovias e muitas bicicletas porque é um meio de transporte válido para a tipologia da cidade. As ciclovias em Lisboa estão votadas ao abandono.

Mas pronto, quando não se vai ser afectado pelas obras é facil ser um assérimo defensor destas.

De Frederico Francisco a 20.05.2016 às 16:55

Vou ser directamente afectado por estas obras já que vivo e trabalho nas imediações do Saldanha e Av. da República, sendo utilizador assíduo do espaço público como peão, mas também como automobilista, já que tenho um carro que estaciono na rua. É nestas condições que escrevo o que escrevi.

De Jorge Velhinhomi a 06.10.2016 às 22:47

Não, os passeios não são suficientemente largos.Quem o afirma não os utiliza e muito menos os conhece. Sim, é preciso impedir que os carros tomem conta da cidade. Não é normal existerem doze faixas de rodagem no centro da cidade. Não é normal agora que as obras avançam, criticar só porque sim ou porque se defende uma cidade só funcional para o transporte privado.Árvores , espaço e ar. Vamos ter mais. Implica algum incómodo ? Sim.Há décadas que as ultimas intervenções no eixo central se limitaram a aparar as zonas pedonais até à exaustão .

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