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26
Fev

“os abstencionistas nunca irão votar num candidato que afirma orgulhosamente pertencer ao "bloco central". O tal que tem governado o país desde sempre, trazendo-nos onde nos trouxe.”


Ó Sérgio, vamos ver onde é que o “bloco central” nos trouxe enquanto governava “desde sempre” (ie 1974)? Alguns indicadores depois de uma passeata pela Pordata.

 

Comecemos pelo PIB:

 

Depois damos uma volta pela escolaridade. A miudagem no secundário:
E já agora no Ensino Superior:
Uma olhadela rápida à Segurança Social:
E para terminar, um indicador de saúde, como a Tuberculose:
Bom, acho que já me fiz entender. Agora, como as negativas não podem por definição ser provadas, não podemos afirmar que com um governo "de esquerda" que nos governasse "desde sempre", e fora do tal Bloco central, estes indicadores não estariam todos muito melhores. Mas como membro de um dos partidos que nos governa desde 1974 posso dizer: estes são os nossos resultados. Tens para a troca?

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15 comentários

De Sérgio Lavos a 26.02.2014 às 21:43

Calma, camarada. Para o bem e para o mal, trouxe-nos aqui. É claro que tudo o que temos de bom foi trazido pelo bloco central. Assim como tudo o que nos temos de mau. Constato o óbvio, apenas. Conviria que o mau não existisse, e se calhar se o PS não fosse tantas vezes parecido com o PSD, isso não aconteceria.

De Vega9000 a 27.02.2014 às 21:46

A ideia subjacente a frases tipo "o estado a que isto chegou" é que isto está pior. Discordo. Pode estar pior que em 2009, mas não está certamente pior do que em 1974. Metendo os pesos na balança, a governação do "bloco central" ganha por uma larga margem. Embora este governo pareça apostado num regresso a 73.

De Sérgio Lavos a 26.02.2014 às 21:47

E essa coisa do "jugo" é um exagero retórico claramente desnecessário.

De Vega9000 a 27.02.2014 às 21:46

Eu gosto de exageros retóricos.

De André Nóbrega a 26.02.2014 às 22:34

Este comentário à afirmação do Sérgio Lavos no outro post referido tem três problemas importantes:

- aqueles que se abstêm, em parte, fazem-no por não se sentirem representados no sistema de rotatividade que nos governa, pelo que sentem que o seu voto não faz grande diferença. Numa candidatura que se afirme do bloco central, do meio que nos governa há tanto e em relação ao qual já se abstêm habitualmente, porque farão diferente?

- como o próprio autor indica, contrapor resultados contra ausência deles não prova nada, portanto acabar com "tens para a troca?" não serve para contra-argumentar o que quer que seja. Continuamos a poder acreditar que outro governo podia ter feito muito melhor (nestes indicadores ou noutros).

- chegado a tentar fazer afirmações sobre resultados a estes níveis, convém comparar com o que há para comparar, no sentido de eliminar o efeito do progresso civilizacional geral. Se calhar olhar para menos indicadores mas comparar a evolução portuguesa com outras em contextos semelhantes enriqueceria a análise.

Dito isto, é para mim claramente uma tolice ignorar tudo de bom que já se conseguiu em Portugal desde 1974 e que, quer se queira quer não, foi conseguido com o apoio ou pelo menos a conivência dos partidos do dito "bloco central". Mas também é uma tolice ignorar tudo o que não foi feito ou não foi conseguido, num país que está no estado em que o nosso está.

De Joe Strummer a 27.02.2014 às 00:01


A noção de bloco central, que por si só é uma caricatura, desfoca e distorce uma analise sobre o passado e sobre o presente. Nem tudo o que foi feito foi-o de acordo com todos os partidos e muito do que não se conseguiu fazer, não o foi tambem apesar da vontade de um dos partidos. É necessário uma análise mais fina e não discussões em termos de chavões/blocos monoliticos.

De Pedro Figueiredo a 27.02.2014 às 00:41

Só tenho uma pergunta: mas o actual PSD tem alguma coisa a ver com o que tem participado no "Bloco Central" desde 1974? É com o actual PSD (e não com nenhum outro anterior) que o PS teria (espero ter sido claro no tempo verbal) de se entender para um eventual novo Bloco Central.

De Sérgio Lavos a 27.02.2014 às 09:43

Essa é a grande questão: este PSD não é o mesmo do que era em 1980, apesar de partilhar com o de Sá Carneiro o pragmatismo e a necessidade de permanecer no poder. Isto é: o PSD de Passos é mais liberal, mas se for preciso ser social-democrata para ganhar eleições - e "ser social-democrata", neste contexto, é implementar medidas eleitoralistas -, será. Não tenho dúvidas de que em 2015 pensões serão aumentadas, salários da FP descongelados, SMN aumentado e haverá uma baixa de IRS.

De Sérgio Lavos a 27.02.2014 às 09:44

Seja como for, não sei como é que o PS conseguirá convencer o seu eleitorado de que uma coligação com o PSD (e/ou o CDS) será o melhor para o país em 2015.

De Antónimo a 27.02.2014 às 13:21

O que não tem faltado são eleitores defendendo o Assis e o Costa. O PS desses dois vai aliar-se com quem? Tenho escassas dúvidas.

De Pedro Figueiredo a 28.02.2014 às 16:52

Aí está, Sérgio: não vai conseguir (convencer o seu eleitorado de que uma coligação com o PSD será melhor para o país em 2015), por mais argumentos ou cambalhotas que possa dar. Simplesmente não é possível.

De Miguel Cabrita a 27.02.2014 às 10:29

A crítica baseia-se em resultados da governação do passado, no entanto umas eleições, europeias ou legislativas existem como forma de perspectivar o Futuro; implica um projecto, um sonho para o país e uma visão do que será esse país que sonhamos e se implementa com políticas: tão relevante para o nosso país neste momento de encruzilhada; o que queremos, como o vamos alcançar, tudo isso está em jogo.

Neste sentido o PS hoje é um partido que não tem um projecto, um sonho ou uma visão para o país que o distinga do PSD, que sabe o que quer e fazer para lá chegar, aceitar os termos da discussão como ela é colocada pelo governo implica aceitar e abraçar o seu projecto para o país, e este é o fulcro das críticas feitas ao PS de hoje.

De Antónimo a 27.02.2014 às 13:24

Quanto ao seu final, todos os partidos de esquerda têm bastas vezes aceitado o debate nos termos em que este lhes é fixado pelo Arco da Governação.

Também é verdade que os termos são explicitados publicamente nos jornais. E sem isso nem se vai a jogo. Veja-se o apagamento das posições críticas quanto ao euro.

De Miguel Cabrita a 27.02.2014 às 13:55

No entanto PS limita-se a respostas nos mesmos termos e não consegue impor uma agenda de esquerda socialista ou social-democrata ou o que seja, apesar da grande impopularidade do governo.

Trata o PS nos dias que correm de saber de uma saída limpa ou de um programa cautelar, limitando-se a responder pela negativa ao governo, não se atrevendo a fugir muito a isto, aceitando tacitamente o discurso do "there is no alternative " e não se atrevendo sequer a equacionar uma real alternativa, seja as das propostas à sua esquerda ou outras.

O PS hoje não tem um projecto para o país, e as pessoas sabem isso, como tal não depositam no partido a sua confiança tal como se vai vendo nas sondagens.

De Antónimo a 27.02.2014 às 15:28

De acordo, mas acho que os outros embora proponham alternativas a isso, parecem demasiadas vezes agarrados ao que lhes é servido.

Por exemplo, quando têm um cartaz Não ao Desemprego, não estão a publicitar a ideia de Sim ao Pleno Emprego

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