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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

27
Jan15

Sinais dos Tempos

Diogo Moreira
É nas mãos de um dito “radical” de esquerda, que os povos europeus depositam as suas esperanças para um futuro que não seja tão miserável como o presente tem sido. 

Por muito que se queira dar cambalhotas, utilizar frases mais ou bem conseguidas, ou simplesmente se queira apagar o passado recente, é indisfarçável que os partidos de centro-esquerda falharam, quando os europeus mais precisavam deles. A “Terceira Via” foi a porta de entrada para o Neoliberalismo se tornar a ideologia predominante em todos aqueles que se ambicionavam meros tecnocratas, esquecendo que na raiz de todas as decisões políticas, sem excepção, está a ideologia. Ao abraçar acriticamente a ideologia dos que defendem a “lei da selva social”, enganados que estejam sobre os seus resultados na produção de uma sociedade mais justa e solidária, os sociais-democratas esqueceram-se de onde vieram, e do que os fez chegarem aonde estão. 

Ao apelidar Tsipras, ou o Syriza, de “radicais”, ou ainda mais hilariante, chamar os Independentistas Gregos de extrema-direita, o actual “centro” político está a reagir da mesma forma que as sociedades conservadoras do séc XIX reagiam à ascensão do centro-esquerda. Foi graças a esses “radicais” do passado, que muitos de nós podem viver em sociedades mais justas, e mais prósperas. Um caminho tortuoso, sem duvida. Mas que era necessário. 

Também Tsipras, e o Syriza, e todos aqueles que queiram seguir o seu exemplo no combate à austeridade na Europa, são necessários. Espero que consigam convencer o centro-esquerda que o povo, os mais fracos, e oprimidos, e uma sociedade mais justa, são a sua real missão. E não o seguidismo imbecil das imposições neoliberais de uma cambada de lunáticos, que infelizmente ascenderam aos maiores cargos políticos da Europa. 

Senão… bem nem tudo dura para sempre. E em democracia, há sempre alternativas.   O PAZOK que o diga.

— Diogo Moreira

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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