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07
Abr

Sem noção do ridículo

por Diogo Moreira
“Depois do desafio lançado pela Plataforma de Apoio aos Refugiados, que queria saber o que as crianças portuguesas levariam consigo se tivessem de partir do seu país, tal como milhares de refugiados, apenas com uma mochila, a RTP fez a mesma pergunta a várias figuras públicas. Num vídeo partilhado na página de Facebook da estação de televisão pública, Joana Vasconcelos respondeu que levaria o seu caderno, ”para poder fazer os desenhos“, mas também os lápis, o iPad, os fones e os óculos de sol. A artista disse ainda: ”levava todas as minhas joias portuguesas, as lãs e a agulha para qualquer eventualidade e o meu iPhone para comunicar com o mundo“.”

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38 comentários

De João Gaspar a 07.04.2016 às 23:42

quem não tem noção do ridículo é a pessoa que fez o upload e publicou o vídeo no facebook. a joana vasconcelos é mesmo destituída de cérebro.

De chico lamurias a 08.04.2016 às 10:02

Se fosse eu...

Fazia uma vaquinha com outros refugiados e entregaria as minha economias para levarem essa senhora e lhe darem alguma educação. O plano de educação incluirira certamente Erasmus em Portugal (um país que certamente só conhece de ouvir falar na televisão) com uma familia que vive com o ordenado minimo.

A ideia do Erasmus podia ser depois alargada a uns tantos políticos que claramente têm um déficit de vida real.

De Anónimo a 08.04.2016 às 14:47

TOP TOP

De Anónimo a 08.04.2016 às 10:42

E os carregadores?

De chico lamurias a 08.04.2016 às 10:47

Quais deles... os do iCoiso ou aqueles que carregam as tuas tralhas às costas?

De luisa a 08.04.2016 às 11:01

E o ministro da educação que disse que levava a chave da casa? Qual casa? A que foi bombardeada? Santa pachorra!

De Ana a 08.04.2016 às 17:49

És mt burra. Só compreendes afirmações literais? O Ministro explicou muito bem o que quis dizer com levar a chave da casa. Mas a vontade de gozar e diminuir os outros toda a (pouca) inteligência da maioria.

De Ó pá! a 08.04.2016 às 11:33

É com cada bojarda.
Lá fora (nos estrangeiros) devem-se rir muito de nós.
Haja paciência para tão pouca inteligência.

De Silvestre o Refugee a 08.04.2016 às 12:08

aquela estrutura dos tampax o as costas, sempre dava para apoio as refugiadas que fossem com ela aquando do aparecimento do periodo, isso sim seria uma boa resposta.
E agua joana, achas que conseguias fazer centenas de km a pe ou de barco e nao perderes pelo menos uns 70 kg de gordura?
tablet ifone a pilhas alcalinas para aguentarem mais...
caderno a prova de agua para aguentar as humidades e agua da chuva
lapiz para fazer 5 riscos no caderno, pois acho que nao sobrevivias a mais...

Fica a dica!

:)

De mi a 08.04.2016 às 12:17

Culpados são aqueles que fizeram com que esta senhora se achasse VIP, e não PIV produto interno "vurro".

De Anónimo a 08.04.2016 às 12:18

cabeça oca....

De Carlos a 08.04.2016 às 12:26

Gosto muito do trabalho dela, especialmente aquela foto em que ela está ao lado de uma das minha heroínas: a Maria Cavaco. Muito bonito. Todos se podem enganar, a senhora se calhar não escolheu o que devia, mas devemos ser tolerantes. A não ser que sejam esquerdalhos, aí, malha neles!

De Missi a 08.04.2016 às 21:03

Eu também gosto muito de folclore!

De Miguel a 08.04.2016 às 12:28

Ridículo é andarmos feitos tolos a imaginar o que poderíamos levar connosco em caso de guerra. Jamais estaremos em condições de equacionar o que sente na pele um refugiado. Estamos numa zona de conforto formidável e cabe a cada, dar um tiro nos pés se porventura se atreve a colocar essa hipótese em cima da mesa.
Pergunto... a Joana Vasconcelos ou qualquer outra figura pública ou anónima, ficava melhor na fotografia se dissesse que levaria consigo: 5kgs de batatas, 5 latas de atum, um cobertor, uma fotografia da família?
Comparando os dois cenários... o da Joana e este último, ambos estão correctos... basta ver que as batatas matam a fome... um trabalho que uma refugiada possa fazer num tablet, pode ser sinónimo de dinheiro na carteira para comprar comida. Uns lápis de cor, que no caso da Joana Vasconcelos são dos bons, daqueles que custam uma fortuna, trocados ou vendidos num país que a acolha, pode valer uns bons trocos para comprar umas latas de atum. No tablet, a Joana Vasconcelos pode levar consigo o seu portefólio, que partilhado com uma empresa pode significar emprego, que daí a leva a ter dinheiro para alugar uma casa e ter um espaço onde possa dormir tranquilamente.
Ridículo é continuarmos a achar que somos donos da razão e que a opinião do outro tem que ser constantemente colocada em causa. Há limites... e parece-me claro que basta um pouco de bom senso para não imaginar/julgar/criticar à toa.

De chico lamurias a 08.04.2016 às 12:55

Mas Miguel, é certo que tudo isto tem um quê de tolo. Mas não deixa de ser uma boa reflexão. E para que fique registado, até gosto da obra da senhora.
Agora, estamos a falar de pessoas que fogem à guerra, não que fogem do Centro Cultural de Belém para apanhar o barco para Cacilhas. E o objectivo primário é sobreviver não é concorrer a um emprego.

Um tablet representa peso e no limite se cair à água ou apanhar chuva não serve de nada. Já para não falar na carga elétrica. Nem sequer contesto os lápis ou as lãs (enfim, ela deve achar que no barco para Lesbos deve ter tempo para fazer um cachecol). Mas quer dizer, tudo aquilo se cobre de uma ignorancia formidável. Eu não sou certamente dono da razão, e não sei o que é fugir da guerra,mas dói um pouco ver que alguém com o destaque social que ela tem não tenha mais sensibilidade. E dói pensar que como ela haverá muitos mais (decisores politicos por exemplo) que nunca tendo passado a minima necessidade vivem completamente alheados da realidade e definem sobreviver como "levar um tablet e umas lãs" para o caminho e já agora, acrescento eu, uma mala, daquelas da chanel, que cabe lá tudo. E isso preocupa-me!!

De Miguel a 08.04.2016 às 14:34

É tudo uma questão de perspectiva.
A realidade, condições de vida e necessidades para ser feliz mesmo equacionando uma vida de refugiada da Joana Vasconcelos, é diferente da sua e da minha.
Se fizessem este exercício com o José Castelo Branco, aposto que a escolha ainda seria mais propensa a ser alvo de julgamento.
Creio que o mais importante, é sermos capazes de estar numa posição em que respeitamos as escolhas do outro, em que o único critério capaz de fazer uma pessoa torcer o nariz... passasse por isto: a escolha do outro, é sinónimo do mal do próximo.
Desde que o bem estar de alguém, não coloque em causa o do outro... mais óculos de sol, menos tablets, ou agulhas para o corte e costura... cabe-nos respeitar as escolhas do outro.
Enquanto investimos tempo na avaliação destas escolhas, passa-nos ao lado milhares de outros detalhes que levam à existência de refugiados e que soluções existem para os ajudarmos.

De chico lamurias a 08.04.2016 às 21:02

É umas perspectiva. Não concordo, mas reconheço o seu ponto de vista.

De Anónimo a 08.04.2016 às 14:55

Concordo plenamente. Cada um leva o que tem de mais valioso.

De Miguel a 08.04.2016 às 15:17

E numa frase bem bonita... disse tudo: Cada um leva o que tem de mais valioso.

O resto, os detalhes... como dizia a minha avó: é telenovela ;)

De Joana Santos a 08.04.2016 às 15:48

Concordo consigo de uma forma plena. Somos todos tão expeditos em criticar e julgar, mas tão modestos em refletir e ponderar.
Parafraseando um pensador cujo nome não me vem à memória, diria, para concluir:
"A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena!"

De Anónimo a 08.04.2016 às 18:00

SUBSCREVO NA INTEGRA!!!
A maior alegria do português é corrigir, gozar e humilhar o vizinho do lado.
Gostam de chamar burros aos outros e não percebem que burros são eles porque não conseguem perceber para lá do óbvio, do literal, do básico.

De Anónimo a 09.04.2016 às 01:00

É curiosa a reflexão das pessoas que nunca passaram por ter que fugir.
Em Outubro de 1975 tive que sair de Angola. Na véspera da partida do último avião da Cruz Vermelha decidi que o melhor era vir para junto da família em Portugal, comecei a fazer a mala que não podia exceder os 20Kg e aí começou o pesadelo.
Comecei por separar a roupa mais quente porque pensei no frio que iria passar até encontrar a família, depois os livros (era estudante) e não podia levar mais que 5.000$00, depois vários objectos com valor sentimental e de repente dei conta que tudo aquilo não cabia na mala.
Então abri a mala e comecei a colocar os manuais mais importantes para terminar o curso, uma camisa de manga comprida, uma camisola de lã e umas calças, por causa do frio que ia encontrar, um envelope com fotografias, uma bolsa com documentos da Universidade, fechei a mala e deixei tudo o resto em cima da cama. Durante a noite saí às escondidas e fui dormir ???numa casa abandonada perto do aeroporto. Quando nasceu o dia fui para o aeroporto onde abandonei o carro com as chaves. Assim deixei a terra onde nasci e vivi 28 anos.

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