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É conhecida a brincadeira segundo a qual a estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem. Não sabemos se o Expresso torturou os números mas eles “confessaram” uma informação falsa. Não. Não é provável que haja mais casais desempregados que há um ano.

 

Pode haver mais casais registados pelo IEFP? Pode. Daqui resulta que há mais casais desempregados? Não. E fácil verificar porque tal não é plausível. Vejamos porquê.

 

Se olharmos para os dados de julho do IEFP, o desemprego em termos homólogos em todos os items. Cai nos jovens. Cai nos inscritos há mais de um ano. Nas mulheres e nos homens. Em os níveis de instrução. Em todas as regiões do país.

 

Se formos mais longe e olharmos para a desagregação por Estado Civil o que vemos? Vemos o que o desemprego diminui em todas as categorias? Todas menos uma. Há mais 7,8% de desempregados em uniões de facto. Caem desempregados de todos os estados civis: casados, solteiros, divorciados e viúvos. Mas crescem os desempregados registados em uniões de facto. Este dado deve ser entendido como havendo um maior desemprego entre as pessoas em uniões de facto? Não é plausível.

 

O mais plausível é que as pessoas em uniões de facto tenham maior iniciativa de declarar o estado civil de união de facto - porventura o acesso à majoração para casais desempregados. Aliás, se formos à desagregação de dezembro de 2015 e à de dezembro de 2014 vemos o mesmo: desemprego cai em todos os estados civis menos a união de facto. Existe um problema de empregabilidade nas pessoas que vivem em união de facto? Não existe nenhum elemento que permita especular nesse sentido.

 

2016.08.22 Fig1 Desempregados por Estado Civil - j

Assim, porque titulam alguns jornais (Dinheiro Vivo, Expresso, Económico ) que “há mais casais desempregados” quando o mais provável é que haja mais casais registados no IEFP - o que é substancialmente diferente. Por ser mais sexy dar notícias negativas quando elas são absolutamente positivas? Ou só mesmo por preguiça?

 

PS. Não seria impossível haver um aumento de casais desempregados se houvesse um fenómeno de desemprego localizado geograficamente em contraciclo que a queda de desemprego no resto do país. De novo, nenhum elemento nos permite antecipar tal facto.

 

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