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02
Out

Reflexão

por CRG

A acreditar nas sondagens a coligação PAF irá vencer as próximas legislativas. Será que o Governo, tal como aqueles filmes de série C, é tão mau tão mau que se tornou bom. A descida de exigência democrática foi de tal forma acentuada que enquanto comunidade corremos o risco de reeleger um Governo que:

- teve Relvas como Ministro;

- tem um Vice-PM que se demitiu irrevogavelmente;

- paralisou a justiça durante dois meses, e cujos efeitos ainda se estão a sentir com milhares de processos parados e acumulados;

- tem um ex-Ministro arguido;

- tem um PM que não sabia que as contribuições à Segurança Social são obrigatórias, nem se recorda quanto recebeu durante um ano;

- tem uma Ministra das Finanças que mentiu no Parlamento, que autorizou swaps e martelou as contas da Parvalorem;

- transformou as escolas em centros de exames, ao mesmo tempo que aumentou o financiamento das escolas privadas;

- apesar de ter privatizado acima do que estava acordado com a Troika, viu a dívida pública a aumentar;

- assistiu ao empobrecimento do país e, pior do que isso, ao agravamento das desigualdades;

- mantém a sua intenção de reduzir a TSU das empresas, pese embora ter existido a maior manifestação de que há memória em Portugal contra isso;

- fez com que se pague gasolina de 95 simples ao preço da 95 normal;

- aumentou as horas de trabalho, cancelou feriados e reduziu salários;

- à ultima da hora e contra todas as recomendações concessionou por ajuste directo os transportes do Porto;

- tem um Ministro dos Negócios-Estrangeiros que pediu desculpa ao Governo Angolano por existirem investigações judiciais;

- apelou à emigração, e os portugueses seguiram essa sugestão - em 4 anos 483 mil portugueses;

- defende que o Estado é mau gestor mas que privatiza a Estados estrangeiros;

- sempre disse que o Novo Banco não iria ter custos para os portugueses, mas que emitiu dívida pública para cobrir esse buraco;

- pautou a sua governação por um ataque à Constituição e a princípios basilares como a Igualdade;

- só não cortou pensões porque foi impedido pelo TC;

- aumentou o IVA da electricidade;

- não cortou as "gorduras do Estado";

... 

 

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3 comentários

De Jaime Santos a 02.10.2015 às 15:48

Acho que a provável vitoria da PAF tem uma explicação e, lamento dizê-lo, os eleitores estão a reagir de forma racional, isto e, levando em conta os seus interesses. António Costa foi eleito nas Primarias do Ano Passado com uma plataforma de recusa de entendimentos com esta Direita. A sua recusa recente em tolerar um Governo da PAF mais não revela do que coerência com este princípio, não os supostos tiros no pé de que falam os analistas. So que esta aposta revelou-se errada, porque Costa ficou a falar sozinho para a Esquerda, que jamais aceitara um Governo do PS, exceto porventura um que aceite passar todas as linhas vermelhas que o PS insiste em não pisar (renegociação da divida, saída do Euro, etc). Claro, não se vê como uma estratégia de entendimentos com a Direita leve a outra coisa que não uma pasokizacao do PS, ou pelo menos a uma subalternização deste aos Partidos da corrente maioria. Por isso, o PS e hoje um partido incoligável. Como uma vitoria da PAF ou do PS com maioria relativa levara sempre a que o Governo saído da eleição não dure 6 meses, com todas as consequências que dai resultariam, suspeito que as pessoas, irão votar na PAF com a carteira (e com um dedo no nariz) e que e provável uma nova maioria absoluta. Resumindo, as recorrentes contradições da Esquerda levarão a uma nova vitoria da Direita. E prevejo igualmente tempos bem sombrios para o PS. Nem uma 're-segurizacao' do Partido (mesmo que feita por alguém como Francisco Assis, que tem bastante mais humildade democrática do que Seguro) nem uma 'corbynizacao' produzirão nada de serio para a Esquerda em Portugal...

De CRG a 02.10.2015 às 16:13

Boa análise, também considero que o PS ficou no meio da ponte por força sobretudo do exemplo grego - a intransigência europeia retira margem de manobra aos governos de esquerda nacionais.

De Jaime Santos a 02.10.2015 às 16:27

Sim, tem toda a razão, a incompetência da dupla Tsipras+Varoufakis, que esticou a corda sem estar preparada para a ver romper-se e a intransigência europeia provocará vítimas fora da Grécia, e suspeito que não será só em Portugal (as eleições em Espanha estão aí à porta). Mas julgo que a direção do PS tem igualmente responsabilidades na gestão da campanha (um Partido que não sabe gerir uma campanha dá uma imagem de incompetência ainda antes de começar a governar) e na preparação do Segundo Debate, que Costa tinha que ganhar, mas perdeu, parecendo mostrar que não conhece o seu próprio Programa de Governo. Tudo isto é injusto, claro, mas é levado em conta pelos eleitores até porque foi amplificado à exaustão por uma comunicação social que alinha (sempre) com a Direita, porque obedece aos interesses de quem é proprietário dela... Seja como for, se existisse a possibilidade de uma forte convergência de Esquerda com um plano realista de Governo e não os delírios do BE+PCP, nada disto seria muito relevante, mas no corrente quadro, só piora as coisas. O problema de Costa é ter tido razão fora de tempo, não sei se cedo demais, se tarde demais...

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