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16
Abr

PSD, o amigo da Hungria.

por João Gaspar

orbán david.png

 

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán (o tal que para o deputado do PSD Duarte Marques é «um líder nato» e merece elogios) esteve em Lisboa esta quinta-feira. Numa notícia que passou mais ou menos despercebida na imprensa diária nacional (excepção feita, pelo menos, ao Diário de Notícias, aqui), decorreu em Lisboa um encontro do IDC, associação internacional de partidos cristãos.

Nesse conclave, Orbán terá defendido a reforma do Espaço Schengen. Reforma essa que, sob o eufemismo de um Schengen 2.0, visa o reforço das fronteiras e a expulsão de refugiados do espaço europeu. Até aqui, nada de novo ou surpreendente, vindo de um primeiro-ministro cujo respeito pelos direitos humanos é, com simpatia, bastante escasso. Estava presente o recém-reempossado líder do PSD, Passos Coelho. Não há notícia de nenhum comentário de Passos Coelho à proposta húngara de revisão de Schengen.

 

Na cerimónia teve lugar a condecoração do ex-eurodeputado do PSD Mário David com a Ordem de Mérito concedida pelo Presidente da Húngria, János Áder, e outorgada pelo próprio Orbán (na foto). E por que razão foi o ex-eurodeputado português agraciado com semelhante honra? Pelo exercício das suas funções no Parlamento Europeu? Pelo serviço à causa comum europeia? Não, pela fidelidade na amizade com o governo húngaro. Nas palavras que acompanharam a condecoração, lidas pela emabixadora da Hungria em Lisboa, o Presidente húngaro agraciou Mário David «pelo seu empenho nos interesses e aspirações húngaras e na melhoria da percepção da Hungria na Europa.»

Ao cumprimentar o condecorado, Orbán salientou a fidelidade de David. «Como um verdadeiro amigo, ele [Mário David] apoiou-nos mesmo quando outros nos viraram as costas.» Acrescentou que «sabemos quem são os verdadeiros amigos quando estamos sob ataque.» E ainda que, em Janeiro de 2012, «quando a Hungria e o seu governo se viram sob um bombardeamento, foi a voz clara e amiga de David que criou ordem no caos de injustiça e palavras duras.»

Que orgulho, ver os nossos compatriotas a triunfar lá fora. Mais comovente do que assistir a uma amizade assim, é ver a fidelidade ser reconhecida. Parabéns, Mário David. Por uma questão de justiça, Orbán podia também ter agradecido aos portugueses que o elegeram.


[Nota: a notícia da condecoração faz parte da edição impressão do Expresso. Se alguém tiver link para a notícia online, a gerência agradece.]

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3 comentários

De Carlos a 16.04.2016 às 15:39

E o Orban não deu uma condecoração ao meu chefinho? Oh, assim não! Isso não se faz! O Passos tem contribuído muito para acabar com a UE, para maltratar refugiados e defender os ricos e poderosos, acho uma injustiça o Orban não premiar isso.

De Joe Strummer a 16.04.2016 às 18:42

Hoje à noite ha foguetes na Pedreira dos Húngaros.

De Jaime Santos a 18.04.2016 às 00:09

Mas o PSD é um Partido Cristão? Sempre pensei que Sá Carneiro defendeu que o Partido devia ser não confessional. E os princípios defendidos por Orban são princípios cristãos? E Guterres esteve presente a abrilhantar a festa desta gente, ele que, enquanto ACNUR, criticou a estratégia europeia de arrastar de pés relativamente à questão dos refugiados que nos trouxe à crise presente? Decididamente, o PPE não vai a caminho de se tornar um agrupamento de Partidos de Direita, vai a caminho de se tornar um agrupamento de Partidos Neo-Fascistas... A Sra Merkel que se cuide de ser vista na companhia destes senhores...

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