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Marques Mendes durante o seu espaço semanal na SIC aproveitou o quinto aniversário do anúncio do programa de assistência económica e financeira (PAEF), vulgo resgate, para fazer um balanço. Um balanço feito com meia dúzia de gráficos e uma leve referência à emigração mas em que estão ausentes quaisquer indicadores sociais: aumento da pobreza, aumento das desigualdades, aumentos das penhoras, restrição do acesso à prestações sociais, aumento do crédito mal-parado de pessoas e empresas.

 

Um dos dados mais relevantes de todo o processo de ajustamento é o facto de a Regulação e supervisão do setor financeiro estarem inscritas como ponto 2 do Memorando de Entendimento, havendo inclusive uma dotação específica para resolver os problemas da banca portuguesa. O que assistimos, em suprema ironia, foi o governo da direita aguardar o fim do PAEF para começar a revelar os problemas na banca em nome (?!) do sucesso do PAEF.

 

Mas mesmo nos indicadores apresentados por Marques Mendes há uma falácia evidente: a ausência de comparação com os objetivos inscritos no memorando. Um dos casos mais flagrantes é o da dívida público cujo aumento para Marques Mendes era “uma inevitabilidade”. Mas terá sido esse aumento previsto quando nos venderam “os sacrifícios”? Uma mera consulta ao sítio do Banco de Portugal permitiria essa comparação.

2016.04.12 insucesso do resgate - dívida pública

De todos os indicadores um único se pode afirmar ter tido uma progressão mais “virtuosa”: a balança de pagamentos. E porque se coloca entre aspas? Justamente, porque seria virtuosa se não fosse complementada com os restantes indicadores. Ou seja, a correção da balança de pagamentos foi feita através de uma enorme repressão da procura interna que fez disparar o desemprego e que deprimiu o PIB que por sua vez fez agravar o rácio da dívida pública. Ou seja, é o indicador que ilustra como foram além da troika na balança de pagamentos desprezando a evolução dos restantes indicadores macroeconómicos e, já agora, desprezando todos os indicadores sociais.

2016.04.12 insucesso do resgate - taxa de desempre

A avaliação do sucesso ou insucesso do memorando não deve ser feita pelos valores absolutos – que mesmo assim estão longe de ser positivos. A avaliação do memorando deve ser feita na comparação com o desempenho que foi indicado que a economia teria em resposta ao ajustamento. E nessa avaliação, o “resgate” falha rotundamente.

2016.04.12 insucesso do resgate - défice públic.

 

2016.04.12 insucesso do resgate - variação do PI

2016.04.12 insucesso do resgate - balança de paga

 

 

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4 comentários

De Carlos a 12.04.2016 às 12:06

O programa de ajustamento foi um sucesso porque:

1- Aqueles com muito dinheiro ficaram com mais dinheiro.

2- O Relvas passou a ser banqueiro.

3- Os pobres perceberam que bifes é só para alguns.

Só um esquerdalho é que não vê estas coisas.

De Carlos a 13.04.2016 às 22:29

O Sr. Carlos acima assinado é o paneleirote que desde há uns tempos resolveu clonar o meu nome e masturbar-se com entusiasmo a postar idiotices.Os autores deste blogue pregam muito mas convivem mal com as opiniões dos outros, até já se apagam os comentários que não agradam.Nas américas são conhecidos por losers.

De Passos Coelho a 14.04.2016 às 09:08

Como és um especialista em biologia, uma vez que sabes tanto sobre clonar, Carlitos, nomeio-te secretário de estado da saúde do governo no exílio. Que tal? Aquilo é que vão ser uns conselhos de ministros, eu, tu e o Paulinho todos nus a falar sobre os destinos do país. Já estou emocionado, Carlitos.

Um beijinho repenicado,

Passos aldrabão Coelho

De Joe Strummer a 12.04.2016 às 15:58

O miniMendes e uma serpente do paraíso mediático. Vende maçãs com bicho.

Só os veículos bancários dos últimos anos mais os Audis da fatura da sorte davam para criar um cluster automobilístico de alto coturno com uma nova fonte de energia:a laranja.

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