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15
Jan

Presidenciais

por CRG

"It looked artificial, but it was full of real birds"

V S Naipaul - "A Bend in the River"

 

As presidenciais sofrem de um dilema insolúvel: como fazer campanha para um cargo que é essencialmente reactivo? Esta característica não lhe retira importância, como se verificou nos últimos anos com o mandato desastrado de Cavaco Silva, mas condena os candidatos a um exercício ingrato de se verem obrigados pela opinião pública a apresentar uma "visão para o país", que sabem que não tem qualquer possibilidade de  pôr em prática.

 

Alguns candidatos optam por ignorar as limitações do Presidente da República e apresentam promessas de medidas concretas sem explicar como iriam concretizá-las no presente quadro constitucional. 

 

Vive-se então uma campanha imaginária que se mantém apesar do uso reiterado da figura de árbitro como metáfora para o cargo. Ora, o árbitro (assim espero) não pode ter a priori qualquer plano de como deverá decorrer a partida, pese embora um mau árbitro possa desvirtuar a normalidade do jogo.

 

Nem a utilização de dilemas concretos resolve a questão das presidenciais: por um lado, a resposta de como teriam agido perante uma situação passada sofre sempre de viés de retrospectiva; por outro, perante uma situação hipotética os candidatos tendem a defender-se, alegando não querer fazer futurologia ou comprometer-se em demasia.

 

Assim, as presidenciais acabam por ser definidas pelas características pessoais dos candidatos: a sua gravitas (que lhe garanta o respeito não só dos cidadãos mas também dos seus interlocutores políticos), o poder da palavra (que lhe possa permitir enquanto Presidente da República marcar a agenda política através da utilização do púlpito presidencial) e o engenho político (que lhe confere a capacidade de usar em seu proveito as duas primeiras). 

 

Haverá algum candidato que reúna estas caracteristicas?

 

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2 comentários

De Joe Strummer a 15.01.2016 às 18:43

Um bom conselho para qualquer candidato presidencial, "Don't try Bial things to all people"

De Carlos a 16.01.2016 às 07:59

Há pelo menos um , Henrique Neto.Os restantes, de Marcelo que diz tudo e não diz nada , aos candidatos de esquerda que se limitam a dar continuidade à campanha das legislativas e a falar de Cavaco e do Governo Passos, enfim... Mas não deixam de ser hilariantes algumas frases , o Sr. Silva diz que as sondagens não refletem as sementes de Abril a germinar .. ahahaha , parece que as de 4 de Outubro também não.A Sr.ª Matias espera que Bruxelas não inclua o BANIF no valor da dívida.Será a mesma Sr.ª Matias que deitava foguetes quando incluiram o Novo Banco nas contas ?? O Sr.º Nóvoa e a Sr.ª Belém, coitados , não há escala para classificar o vazio que os acompanha.
Entrentanto, 3 meses e 11 mil milhões de euros depois vamos em passo alargado para o que já se vislumbra, não é de admirar que os camaradas convivas tenham desistido de colocar opiniões sobre a política do actual governo.

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