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23
Mar

"A validade lógica não é uma garantia da verdade"

David Foster Wallace

 

O tema principal na edição de Março da revista "National Geographic" é a guerra à ciência, e como, apesar da existência de consenso cientifico, é negada por uma parte considerável da sociedade a existência do aquecimento global, da evolução, da chegada do Homem à Lua; e os benefícios da vacinação.

 

Todos estes exemplos partilham um ponto em comum: resultam do manifesto divórcio entre senso comum e ciência. Esta tendência que se havia iniciado em meados do século XIX com Darwin e o nascimento da geometria não euclidiana, teve o seu culminar na passagem para o século XX. A partir deste momento a ciência (ex: mecânica quântica, teoria da relatividade) tornou-se contra-intuitiva, deixou de ser apreensível e compreensível por leigos, o que deu origem à famosa frase atribuída a Richard Feynman "se achas que entendes o que é a mecânica quântica é porque não entendes o que é a mecânica quântica".

 

Este fosso entre o conhecimento científico e o senso comum acaba por ser reforçado pelo aumento da desconfiança nas instituições, que num mundo ideal dariam credibilidade às diversas teorias.

 

Na economia existe também este fosso, que é aproveitado e intensificado para fins políticos. Deste modo, discursos que demonizam a dívida pública, o deficit, em nome das gerações vindouras, e defendem a virtude da poupança, dos cofres cheios continuam a ser usados porque fazem sentido, são intuitivos.

 

E de facto é preciso fazer algum esforço intelectual para aceitar que o Estado não é uma família, nem a poupança é sempre boa nem a dívida é sempre má. Infelizmente, não é preciso efectuar qualquer esforço para sentir os efeitos dessa política assente em pressupostos errados.

Captura de ecrã 2015-03-23, às 19.05.34.png

 

 

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4 comentários

De MRocha a 24.03.2015 às 13:32

Tem toda a razão. No entanto, convirá certamente que não é por se distinguir do senso-comun que a ciência é infalível. O erro faz parte do processo cientifico. Por vezes, a ciência precisa de décadas para se aperceber que andou anos a laborar sobre pressupostos errados, que produziu generalizações com base em informação insuficiente ou pouco representativa, ou que subestimou o papel da incerteza na complexidade dos fenómenos que estuda.

Cumprimentos

MR

De CRG a 24.03.2015 às 14:52

Obrigado pelo comentário.
Sem dúvida, nem foi essa a intenção no artigo. Aliás, é precisamente a noção do erro que diferencia o método científico do senso-comum.
Melhores cumprimentos.


De António a 24.03.2015 às 22:47

Muito bom post. De facto, a simplificação é muito mais fácil, ainda que não verdadeira.

De CRG a 25.03.2015 às 12:58

Muito obrigado.

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