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"Portugal é um dos países europeus com mais concentração de rendimentos nas famílias mais ricas.

A conclusão é visível nos números do Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia: somos o país onde mais riqueza está, proporcialmente, nas mãos dos 10% mais ricos.

Na prática, um décimo das famílias portuguesas concentra 27,3% do rendimento global amealhado por todas durante um ano. A percentagem tem vindo a aumentar e era, em 2011, últimos dados disponíveis, a mais elevada da União Europeia, ficando fica 3,4 pontos percentuais acima da média comunitária."

Uma economia que, até 2011 (último ano com dados para este estudo), se baseava nos baixos salários e que se caracterizava pelas reduzidas qualificações dos trabalhadores, mas que tinha vindo a sofrer uma variação no sentido de uma maior distribuição de rendimentos durante as duas décadas anteriores - as "década perdidas", que a direita tanto gosta de demonizar, foram também as décadas de maiores conquistas de direitos sociais e de crescimento da classe média. Com a crise, depois de 2011, a opção foi comprimir ainda mais os salários, criando-se um fosso mais profundo entre ricos e pobres. E o desinvestimento da educação (assim como o empobrecimento generalizado) vai levar a que a qualificação média dos trabalhadores baixe mais. Se juntarmos a tudo isto a flexibilização completa das leis laborais, vislumbramos os verdadeiros objectivos (concretizados) da direita que nos governa, apoiada pela direita europeia: uma maior desigualdade social, com os ricos a ficarem mais ricos, a classe média a perder poder e rendimento e os pobres caindo na dependência da caridadezinha, o outro pilar da destruição do Estado Social. E ainda não acabou - no seu último relatório, o FMI volta a insistir na redução dos salários dos portugueses. Com os impostos sobre os lucros das empresas a serem reduzidos e com tabelas do IRS que atenuam a natureza redistributiva deste imposto - os cidadãos com rendimentos mais elevados pagam, desde 2012, menos impostos - irá aprofundar-se o abismo que separa ricos e pobres. Não surpreende que a direita não se canse de repetir que está tudo a correr bem no ajustamento português. Pois não haveria de estar...

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1 comentário

De Anónimo a 20.02.2014 às 17:02

Podemos agradecer esta "honrosa" classificação aos partidos do arco do poder. A J Seguro, por exemplo, acaba de propor um Tribunal para ricos e do actual governo nem falo, tantos são os (maus) exemplos. Enfim, uma pena. Sobretudo uma vergonha. Cumpts

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