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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

13
Jan15

Porquê insistir?

David Crisóstomo

 

 

Porquê insistir em publicar caricaturas, que se sabe ofender outros? Porquê insistir em declamar visões religiosas que sabemos que revoltam muitos? Porquê insistir em ter uma religião que se sabe que desagrada a uns tantos? Porquê insistir em repetir que Deus não existe, quando se sabe que isso choca imensos? Porquê insistir em defender a laicidade do Estado, um conceito que sabemos contrariar as visões de vários? Porquê insistir em ter uma opinião política diferente, quando tal desagrada a uns quantos? Porquê insistir em defender propostas políticas que sabemos que enervam bastantes? Porquê insistir em escrever, em afirmar, em denunciar situações, quando alguns preferiram o silêncio? Porquê insistir em falar publicamente de certos temas que se sabe que importunam imensos? Porquê insistir em protestar, quando sabemos que vários não irão gostar de tal acto? Porquê insistir em actuar, cantar ou filmar assuntos que sabemos serem desprezados por muitíssimos? Porquê insistir em andar publicamente vestido duma determinada forma, quando sabemos que muitos irão ver tal traje como um ultraje? Porquê insistir em beijar publicamente alguém do mesmo sexo ou dum sexo diferente, quando sabermos a repulsa que tal causa a uns certos? Porquê insistir namorar alguém duma etnia diferente, com uma pele de cor diferente, quando sabemos que há quem rejeite este comportamento? Porquê insistir em falar com orgulho duma nacionalidade ou duma naturalidade que sabemos ser vista com desdém por terceiros? Porquê insistir em recusar ser discriminado, prejudicado ou privado de qualquer direito devido à ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual, quando se sabe que alguém pode sentir a sua visão do mundo insultada? Porquê insistir questionar quem deseje limitar os direitos, liberdade e garantias de outros, quando se sabe poder isto desagradar outros tantos? Porquê insistir em fazer uso desses mesmos direitos, liberdades e garantias, quando se sabe que muitos não irão gostar? Porquê insistir em perguntar como tantos não pensam antes de assumirem uma posição, quando sabemos que vamos talvez ofender quem assim age?

 

Porque houve quem no passado insistisse em morrer para hoje todos nós, cidadãos de estados de direito democrático, podermos insistir em fazer usufruto pleno da nossa dignidade humana, da nossa liberdade. E nela insistir. 

 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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