Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



03
Dez

To most voters out in the vast middle, consensus across parties is a very strong indicator of acceptability. Conversely, if there is no support on the other side — if the proposal is controversial — there is something suspect about it.

David Roberts

 

O PSD, através do seu porta-voz, afirmou que o Governo não contará com o seu apoio político e Passos Coelho na entrevista à RTP disse que Costa devia apresentar a demissão caso ficasse dependente dos votos dos sociais-democratas. Acresce que a direita não perde uma ocasião de lançar acusações de ilegitimidade democrática, chegando mesmo a apelidar o governo de "socialista e comunista".

 

Esta radicalização da oposição parece supor uma estratégia concertada de transformar o Governo do PS em extremista, esvaziar o centro, e gerar tal controvérsia em torno das propostas do governo que estas passem a parecer irrazoáveis à opinião pública. Presumo que ao mesmo tempo a coligação de direita irá tentar apresentar projectos de lei que tenham apoio do PS e assim criar uma imagem de moderação, reclamando como seu um novo centro político.

 

Poderemos, então, estar a assistir ao nascimento - do qual o episódio do PEC 4 foi o primeiro sintoma - de uma nova realidade: a política pós-verdade. Um termo cunhado por David Roberts em que a política-politics (as tácticas partidárias, a narrativa construída pelos órgãos de informação e o conjunto de opinião pública) se encontra desconectada da politica-policy (no sentido de substância).

 

Será interessante perceber como vão reagir os eleitores a esta realidade? Será que  irão reagir com um maior afastamento, maior abstenção e aumento de radicalização? E não será essa o efeito pretendido desta estratégia? 

Autoria e outros dados (tags, etc)


7 comentários

De daniela a 03.12.2015 às 19:34

O efeito pretendido desta estratégia é captar eleitorado por via da controvérsia, enfraquecendo a relação entre os cidadãos e as policies, embora possa vir a acicatar o seu envolvimento nas politics. Se for este o futuro, a democracia aproximar-se-á de um jogo de sombras, algo que deixará horrorizado qualquer democrata que se preze.

De Carlos a 04.12.2015 às 08:28

Em quarenta anos de democracia nunca os partidos de esquerda viabilizaram um programa ou orçamento apresentado pelo PS.Inclusivamente em várias ocasiões os partidos de esquerda contribuíram decisivamente para o derrube de governos minoritários do PS.Quem acompanhou a campanha eleitoral por certo não terá deixado de reparar no discurso relativo ao PS dos que hoje apoiam o governo.Chegados aqui, a coligação radicalizou-se? Radicalizou-se porque afirma que caso o governo PS necessite dos seus votos para se manter em funções não os terá ? É esse o radicalismo ? O governo minoritário da minoria parlamentar não fez um acordo com os partidos de esquerda para ser governo ? Não será óbvio para todos que se esse apoio se desvanecer o governo terá de cessar funções ? Isto já não é a democracia é radicalização ? Estranhos conceitos estes, quando apadrinhados por uns é democracia, quando apadrinhados por outros é radicalismo ideológico, ou outro qualquer jargão muito elaborado. É interessante a leitura do artigo do EL Pais sobre António Costa o PS e o actual governo.

De Joe Strummer a 04.12.2015 às 16:28

If everybody lies and nobody cares...
Unwittingly, we grow more tolerant of untruths and semi-truths, making it easier (among other things) for our political leaders’ dubious schemes to pass without serious challenge.

http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2015/dec/04/column-change-life-corporate-lies-oliver-burkeman

De Jaime Santos a 04.12.2015 às 19:21

Tem a certeza que não é só birra? Repare, a Direita esperava que o PS servisse de muleta ao seu Governo de Minoria, apoiando ou no mínimo abstendo-se em relação a medidas com que não concordasse (a alternativa é que a Direita estaria disposta a governar com o Programa do PS, o que não faria sentido e demonstraria uma total falta de princípios, mas sendo Passos e Portas quem são, acho que até estariam disponíveis para isso e deram aliás sinais nesse sentido). Agora, porque o PS não se prestou a tal, irá votar contra tudo o que o PS apresente, mesmo aquilo com que eventualmente concorde. Isto tem um nome e chama-se despeito... Revela a impotência da Direita, que percebe que deixou ser Mestre do Jogo. Se a Governação do PS der frutos e a vida das pessoas melhorar, esta estratégia passará a não valer um chavo. Se não der frutos, a dita estratégia será tudo menos essencial, porque a Esquerda perderá as próximas eleições por incompetência e irá perdê-las de forma solidária. É um grande risco, mas a vida está cheia deles... P.S. Carlos, quanto tempo é que vai demorar a dar o chazinho :-D ?

De Carlos a 04.12.2015 às 22:08

Não é votar contra tudo. PPC foi claro no que disse, votará contra medidas, orçamentos, etc, que impliquem a queda do governo, quando este deixar de ter suporte nos partidos de esquerda.É algo diferente do que disse António Costa antes das eleições que votava contra o programa, o orçamento e deitaria o governo abaixo se ele não fosse maioritário.Como diz , O PS não se ia prestar a ser "muleta" da coligação mas a coligação já tem de ser responsável e ser "muleta" do PS caso a continuação do governo dela depender.É bem apanhada essa teoria.
Se o governo tiver sucesso , não vai necessitar dos votos da coligação para se manter.Se tiver insucesso não se deve manter em funções.

De João a 06.12.2015 às 09:19

Começa a preocupar-me a sua ansiedade e nervosismo, homem, olhe que isso não pode ser bom para a sua saúde.

De Carlos a 06.12.2015 às 10:14

Foi você que falou em cassetes ?

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • MRocha

    Se está na lei que devem ser públicas, cumpra-se a...

  • Jaime Santos

    Trump, além de mentiroso, é sobretudo um egomaníac...

  • Joe Strummer

    Pois, mas convem não deixar que noutro lado se ins...

  • Anónimo

    E estou eu contratado pelo estado à 16 anos.

  • Daniel Silva

    Sim, a tendencia é sempre a mesma. O aumento salar...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset