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12
Mai

“Never can true reconcilement grow, where wounds of deadly hate have pierced so deep.”

- John Milton

 

Este era o verdadeiro desafio da União Europeia: permitir que a reconciliação florescesse num Continente coberto de feridas profundas de ódio mortal. A integração económica seria um mero instrumento, o objectivo último sempre foi a paz.

 

Infelizmente, como sucede repetidas vezes os meios transformaram-se no fim - a paz torna a guerra em algo inimaginável; e assim o desenvolvimento económico tomou a primazia. Tal alteração é reflectido na actual arquitectura institucional europeia, que acaba por reforçar aquela.

 

Com efeito, Thomas Paine, em "Common Sense", alertava que se for permitido numa estrutura governativa a existência de um poder mais forte do que os demais este acabará por governar; e apesar de outros poderem bloquear momentaneamente ou servirem de contrapoder, os seus esforços serão contraproducentes; no fim os interesses daquele acabarão sempre por triunfar.

 

O triunfo dos interesses da parte mais forte será entendido, mais cedo ou mais tarde, pelos restantes como uma opressão. A sua manutenção na união torna-se numa obrigatoriedade - a opção menos má. Estes deixarão de se percepcionar como participantes livres, apenas como participantes numa farsa. Por sua vez, a outra parte olhará com desprezo os mais fracos: um peso morto sem um pingo de gratidão.

 

Um "casamento forçado" que criará novos ressentimentos.

 

(Para assinalar o inicio oficial da campanha para as Europeias: uma versão actualizada de um texto publicado em 2013)

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