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02
Fev

Uma pessoa lê a notícia e fica confusa. E li-a duas vezes.

Então ao que parece estamos perante uma "via de acesso às zonas industriais de Famalicão, Trofa e Maia, onde estão instaladas empresas com forte vocação exportadora". Segundo escreve a Lusa, é "atravessada diariamente por cerca de 30 mil veículos, nomeadamente pesados, com constantes estrangulamentos".

E, ainda de acordo com a mesma notícia, a solução "económica mas eficiente" (??) passa por duplicar e requalificar a estrada nacional, fazer umas rotundas e uma ponte.

Os "30 mil veículos, nomeadamente pesados", que diariamente ali têm que passar para escoar produção industrial veem assim os seus problemas resolvidos. Meia dúzia de rotundas, uns alargamentos e ficamos todos muito felizes.

Felizmente, fomos abençoados com este génio que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e que nos brinda com estas suas soluções "económicas mas eficientes". Um visionário!

Eu confesso que não fui abençoado com o brilhantismo e a inteligência de Pedro Passos Coelho.

Confesso que não consigo perceber como é que uma via com um fluxo diário de 30 mil veículos, para escoamento de produção industrial, não deve ser convertida em autoestrada. Não percebo, lamento.

Pior: li a notícia duas vezes (como referi acima) e não consegui perceber como é que na altura em que os fundos comunitários "privilegiavam as infraestruturas rodoviárias" (foi Pedro quem o disse), a melhor solução (económica e eficiente, para recorrer ao jargão técnico de PPC) não era, precisamente, aquela que foi gizada: a da criação de uma variante com perfil de autoestrada.

Fiquei também sem perceber do que é que Passos Coelho falava quando referiu o "tanto dinheiro" que terá sido gasto nos tempos de "vacas gordas". Ele lá saberá, e eu acho que já temos aqui confusão a mais para tentar abordar apenas num post.

Apesar de não perceber o que raio anda Passos Coelho a dizer, acho que a minha memória está boa. É que eu ainda me lembro de outras soluções assim poupadinhas, em termos de infraestruturas rodoviárias. Para poupar uns trocos, em vez de uma autoestrada fazia-se um itinerário principal, frequentemente com traçados sinuosos para evitar a construção de túneis ou pontes.

Esta "poupança" de uns trocos materializou-se num enorme custo em vidas. E na inevitável decisão (que apenas pecou por tardia) de corrigir o erro e converter alguns dos nossos "IP" em "AE", investindo mais do que aquilo que se teria investido se a decisão inicial tivesse sido, desde logo, a mais... económica? ...eficiente?

Uma outra palavra descreve-o melhor: inteligente.

 

 

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5 comentários

De Anónimo a 02.02.2015 às 16:51

Eu percebi muito bem a notícia, e mais.
Percebi as críticas de PPC. Apesar de não ser da cor dele, nisto e até em muitas outras coisas, ele tem razão!
Ora vejamos e para quem conhece, a A13 entre Marateca e Almeirim, está praticamente às moscas. A A10 idem aspas, etc, etc. Existem vias alternativas à A13 que por serem gratuitas (especialmente para camiões classe 4) compensa não as usarem.
Resumindo: quando havia dinheiro gastou-se onde não interessava, agora existem necessidades e não há dinheiro.
E é que não há mesmo dinheiro, veja discurso de Medina Carreira com Judite de Sousa na TVI24. Os nossos impostos são praticamente para pegar ordenados e pensões, e depois faltam um pouco para todo um resto, educação, saúde, defesa, ambiente,.... TANTA COISA.
La Fontaine continua a ser actual, se tivessemos guardado como a formiga e não tivessemos gasto como a Socrates (desculpem Cigarra)...

De jpferra a 02.02.2015 às 17:38

wikipedia:
"A A 13 — Auto-estrada do Pinhal Interior é uma auto-estrada que estabelece a ligação natural entre o norte de Lisboa e o Alentejo e Algarve, interligando a A 1 — Auto-estrada do Norte, em Santarém, e a A 2 — Auto-estrada do Sul, na Marateca, num total de 78 km, concluídos em Fevereiro de 2005."

"A A 10 – Auto-estrada do Ribatejo é uma auto-estrada portuguesa.

A A10 efectua a ligação entre a A 9 (CREL) em Bucelas, a A 1 no Carregado e a A 13 em Benavente.

O último troço desta auto-estrada (a Ponte da Lezíria) foi inaugurado a 8 de Julho de 2007"

Ora Sócrates (ai desculpa) a cigarra, governou de 12 março de 2005 a 21 de junho de 2011, explica lá aqui á malta porque meteste o nome do diabo neste comentário???

De silva ribeiro a 02.02.2015 às 18:00


é mais inteligente fazer mesmo que tenha pouco uso que não fazer nada, porque se estiver feita quando precisar de a usar já lá está porque se não acontece como o percurso de Famalicão para o Porto atravessando a Trofa só quem lá passa é que sabe o martírio que é fazer aqueles poucos quilómetros.

De Pedro a 02.02.2015 às 19:29

Essa auto-estrada já existe há mais de 20 anos, chama-se A3 e tem portagens. Como parece não ser economicamente viável pagar portagens para as empresas de pesados, estes sujeitam-se à N14. Se fizesse uma auto-estrada paralela a esta, ela não iria ter tráfego porque iria ter portagens. Daí que claramente a melhor solução é esta, alargar e requalificar a N14, sendo esta uma alternativa válida para a A3. Acontece o mesmo no Alentejo na N4 e na A6; quem quer pagar usa a A6, quem não quer sujeita-se à N4 (que tem muito melhores condições do que esta N14). A requalificação da N125 deveria avançar no Algarve para esta ser uma alternativa viável à A22. Tomara que se fizesse o mesmo em outras megalómanas auto-estradas que temos e nas quais gastámos "tanto dinheiro" sem qualquer alternativa decente (A4, A23, A25).

De Finalmente a 02.02.2015 às 21:28

https://www.youtube.com/watch?v=_2N-4Yq-QhY

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