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24
Mar

O tiro pela culatra

por Sérgio Lavos

A RTP tem de decidir-se. Ou mantém o formato de comentário semanal com Sócrates e Morais Sarmento, e então aquilo a que ontem assistimos foi uma deturpação desse formato, ou transforma os espaços semanais em entrevistas aos comentadores, o que é um absurdo formal que seria completamente inaudito.

Ainda assim, Sócrates saiu-se bem, melhor ainda do que na entrevista inicial quando regressou à RTP. Apesar da mal disfarçada agressividade de Rodrigues dos Santos - que contrasta vivamente com as várias entrevistas feitas a Passos Coelho desde que este é primeiro-ministro - o antigo primeiro-ministro soube estar à altura, esclarecendo as contradições entre o que disse antes e o que diz agora. 

E por falar em entrevistas esclarecedoras a políticos: onde pára o programa de perguntas feitas por telespectadores que, estranhamente, apenas teve uma emissão, dedicada a Passos Coelho? Aquilo que não passou de uma vergonhosa sessão de propaganda governamental na televisão pública não teve continuidade, ficando por entrevistar os outros líderes partidários. Não quero acreditar que o canal público, ameno nas conversas que tem mantido com o primeiro-ministro e feroz nos programas de comentário de José Sócrates, queira ser, no fundo, não mais do que um veículo de propaganda governamental. E a independência prometida por Maduro (não o venezuelano, mas o Poiares da propaganda)? Veremos o que o futuro nos trará. Mas não esperemos demasiado. 

 

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7 comentários

De Joe Strummer a 24.03.2014 às 15:53


Eu prefiro assim, e desconfio que Socrates tambem, apesar da s acabouurpresa inicial é aquele o terreno dele. Embora, porventura, não fosse essa a ideia, no fim por se defender
aquilo que considero primordial numa estação publica, o jornalismo e não a encenação. O problema é ser uma excepção e não uma regra, o que perverte tudo.

Imagine-se a Judite de Sousa a fazer o mesmo com o Marcelo. Canja. Nem era preciso vasculhar muito, de 5 em 5 minutos diria " espere aí mas há 5 minutos atras não disse o contrario?"

De Sérgio Lavos a 24.03.2014 às 15:57

Discordo. Uma entrevista é uma entrevista e um espaço de comentário é um espaço de comentário. O que ontem aconteceu foi uma entrevista feita num espaço de comentário. É absurdo. Mas sim, Sócrates adorou, ferrou os dentes e saiu por cima.

De Joe Strummer a 24.03.2014 às 16:48

Ainda bem que discordas. Defendo que um espaço de comentario não deve ter a, digamos, conivência de um jornalista. O modelo "arranjado" pelos media poortugueses é um modelo imperfeito e conflituante precisamente por eliminar e arredondar o necessario conflito/esclarecimento.Se quiserem fazer comentario façam-no como o PPereira.

O q acontece principalmente nas TV's é q o comentario politico/desportivo serve para alavancar candidaturas de politicos, fazer propaganda e passar mensagens de lobbies. Ora isto tem q ter contraditorio.

De aquaporina a 25.03.2014 às 13:38

"O q acontece principalmente nas TV's é q o comentario politico/desportivo serve para alavancar candidaturas de politicos, fazer propaganda e passar mensagens de lobbies. Ora isto tem q ter contraditorio."

Exacto. Na realidade há pouca política e muita venda de imagem. O mais curioso de todos é o Marques Mendes, que sucessivamente passa notícias do conselho de ministros mas ninguém liga.

Mas concordo que foi muito mau a alteração do formato em cima do joelho.

De Joe Strummer a 25.03.2014 às 15:46

Exacto,Aquaporina.E tambem concordo q a alteração do formato não foi inocente e tambem não gosto do jornalista, etc, etc...mas o ponto não é esse, e acho até esse ponto de análise demasiado defensivo e um pouco pobre. E Socrates não o merece, pois ele não precisa de uma defesa dessas, é dos poucos politicos que têm um prazer genuino e ludico na discussão de ideias e que sai beneficiado neste outro formato. Não necessita de uma defesa que só o menoriza em que se diga que não foi beneficiado como os outros mas sim que se diga "Vejam, serão capazes de fazer igual? Ou precisam sempre da mediocridade da encenação?" E forçar uma mudança de paradigma (que é um absurdo em qqer país europeu) em prol de uma maior transparência geral. É isto um reformista.
Por isso acho que este caso trouxe um benefício maior do que aquilo que se acha q pretendia lesar. Assim as pessoas saibam lucidamente aproveitar o momento e reinvindicar em conformidade. Mas aqui acho que grande parte das pessoas que o apoiaram não estão de acordo, porque beneficiam embora de outro modo desse mesmo sistema protegido.

De Joe Strummer a 24.03.2014 às 18:10


Já agora, off-topic (ou nem tanto). Arte é expressão.

http://www.publico.es/509934/un-espanol-se-desnuda-y-lanza-petalos-de-rosas-ante-el-cuadro-del-nacimiento-de-venus-de-botticelli

De Knome a 24.03.2014 às 23:58

Bastou uma questãozinha para desmontar a retórica, última descoberta Sciences Po. Não entendo como alguém ainda perde tempo com esta nulidade. Façam bom proveito e doutrinem-se.

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