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19
Jun

“Have you never harrowed yourself halfway to – disorder – with that single word? Why.”

- Thomas Pynchon – “V.”

 

O inimigo número 1 da ordem e do consenso: "Porquê". A eterna interrogação é o que a política tem de melhor, sendo a mesma apenas possível num regime democrático. 

 

Em tempos de crise, porém, há a tendência para que as dúvidas sejam suspensas, que as divergências sejam esquecidas e, segundo a propaganda repetida, unidos esforços em torno do bem comum - cuja definição nem chega a ser discutida. 

 

Serve este intróito para perguntar: será do interesse do statu quo uma crise, mais ou menos aguda, mas constante?

 

Ora, se é falso que o crescimento económico e o aumento do emprego reduz a pobreza; e que a ambição e o empreendedorismo não é a cura contra a pobreza, pode-se perguntar: Por que razão não é questionado este modelo de desenvolvimento? 

 

Porque já se sabe: se começam-se a fazer muitas perguntas sabe-se lá onde se acaba. 

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6 comentários

De Joe Strummer a 20.06.2014 às 15:50


O "porquê" é profan(e)o na nova ordem de adoração do simples.

De CRG a 20.06.2014 às 16:24

Václav Havel bem que alertou o Ocidente da tendência humana para “cada pessoa, de alguma forma, sucumbir a uma profana banalização da sua humanidade inerente, e ao utilitarismo. Em todos nós há alguma vontade de fundir com a multidão anónima e fluir confortavelmente junto com ela descendo o rio de pseudo-vida. Isto é muito mais do que um simples conflito entre duas identidades. É algo muito pior: é um desafio para a própria noção de identidade própria”

Esta fusão na multidão só acontece se o "porquê" for esquecido.

De Joe Strummer a 20.06.2014 às 18:27


De certa forma, essa é a historia da humanidade desde os tempos primevos. A procura do conforto do grupo para fugir aos perigos à custa da anulação individual (vide Seguro).
Mais vale uma teia de relações de dependência e interdependência piramidal, mesmo que iniqua, onde sejamos reconhecidos, com pouco ou nenhum estatuto que assumir as consequências do questionamento e ficarmos sós. A verdadeira liberdade ou "caos" não é atraente para a maioria das pessoas, e ninguem gosta de reconhecer isso.
As crianças sabem-no bem ( a idade dos porquês) mas necessidade de ajustamento social (chamado "crescimento" eheheh) e de saber utilitario fazem-na perceber q esse caminho não é o mais saudavel e tem custos. Lembras-te? eheheh

( a proposito, o V. foi a "resposta" do pynchon à questão dele que referiste no outro post. penso q estou cronologicamente certo)

De Joe Strummer a 22.06.2014 às 18:20


Não, tambem V.

De CRG a 23.06.2014 às 10:57

Procurar em Pynchon respostas é arriscado :) Talvez a única que ele dá em V. seja "Keep cool, but care".

De Joe Strummer a 23.06.2014 às 12:52


:)

Take five.

http://www.youtube.com/watch?v=iHF8U0fj2Nc

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