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"The pyramid of junk, one level eating the level below (it is no accident that junk higher-ups are always fat and the addict in the street is always thin) right up to the top or tops as there are many junk pyramids feeding on peoples of the world and all built on the basic principles of monopoly:

1 - Never give anything away for nothing.

2 - Never give more than you have to give

3 - Always take everything back if you possibily can"

William S. Burroughs

 

O ano começou com um post optimista sobre o combate à desigualdade. Chegado ao fim de 2016, depois do Brexit e da eleição de Trump, é apropriado voltar ao tema que, a par do aquecimento global, irá marcar a nossa geração.  

 

De acordo com um recente estudo efectuado pelo conceituado economista Raj Chetty, o aumento da desigualdade tem provocado nos EUA uma quebra acentuada na mobilidade social (para esta quebra também tem contribuído, mas em muito menor grau, o reduzido crescimento económico). A mobilidade social é um dos pilares essenciais do capitalismo – sem ela não há "sonho americano". 

 

 

Os sistemas económico, social e político baseados nesta premissa acabam, assim, por correr sério risco de se desagregarem. E a culpa é do próprio capitalismo que levado ao extremo possui a semente da sua própria destruição - Always take everything back if you possibily can.

 

Bismarck e, após a 2ª Guerra Mundial, a direita cristã perceberam isso e consequentemente criaram o Estado Social. Com efeito, voltando ao estudo de Chetty, as cidades que apresentam maiores níveis de mobilidade social têm normalmente cinco características: reduzidos níveis de segregação residencial, uma classe média alargada, laços familiares coesos, capital social mais elevado e escolas públicas de qualidade superior. 

 

Sucede que, ao contrário de outros tempos conturbados, não se assiste a um puro extremar do panorama político. Os partidos da direita tradicional têm dado cobertura (Partido Conservador com o Brexit ou o Partido Republicano apoiando Trump) ao emularem, conforme se vê em França, as políticas da extrema direita populista.

 

Esta direita populista procura capitalizar o sentimento de impotência, de já não conseguir controlar o próprio destino, que se intensifica nestes tempos de crise económica e social. De forma a recuperar esse controlo - ainda que tenha sido em grande medida ilusório -, a tendência natural passa por reduzir "o mundo", fecharmos sobre o que é mais próximo e familiar.

 

Por sua vez, a esquerda tem igualmente responsabilidades ao se ter deixado levar pelo fim da história, numa terceira via, julgando que agora ia ser diferente, que o capitalismo já havia aprendido a lição, não apresentando, portanto, uma alternativa clara.

 

Neste contexto, a menos que a esquerda e a direita democrática apontem o combate à desigualdade como o problema central iremos assistir a tempos interessantes.

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