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26
Dez

Na excelente reportagem do "Público" soube-se que os números avançados por Mota Soares relativamente ao proposto tecto às prestações sociais não têm qualquer correspondência com a realidade. 

 

Partindo do pressuposto de que o Ministro da Segurança Social tinha conhecimento destes números - recuso-me a pensar o contrário - e que portanto sabia de antemão que nunca teria aplicação pratica, existem duas hipóteses para ter anunciado essa medida.

 

1) Foi um mero anúncio demagógico a fim de capitalizar a insatisfação e o egoísmo típico de uma altura de profunda crise, alimentando a desconfiança e a falta de solidariedade entre cidadãos.

 

2) o primeiro passo numa estratégia de longo prazo: primeiro criar um tecto, depois futuramente reduzir o tecto alegando restrições orçamentais, englobando todo o tipo de prestações sociais.

 

Infelizmente, nenhuma destas hipóteses é benigna.

 

Historicamente alguma direita sempre teve esta preocupação com o"risco moral": o facto de alguém auferir determinados valores, quer sejam não contributivas ou decorrentes de retribuição do trabalho - corresponder a um desincentivo ao trabalho ou a mais trabalho. 

 

O que não parece ter entendido é que a grande maioria das pessoas não partilham uma visão estritamente capitalista do trabalho. Estes não procuram receber o máximo rendimento e trabalhar o mínimo possível; tentam auferir aquilo que lhes permite ter uma vida digna, até melhorar como pessoas; têm brio e gosto no que fazem; em suma estão ocupados com a vida, na qual o emprego é uma vertente fulcral e indissociável, e não com uma simples transacção económica de custos e benefícios.

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