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09
Set

O primeiro round Costa/Seguro

por Sérgio Lavos

O primeiro debate entre Seguro e Costa para as primárias do PS valeu sobretudo pelo pós-jogo. Meia-hora de amena discussão entre camaradas (fui apenas eu que me irritei com os "tus" que Seguro tantas vezes atirou a Costa?) seguida de uma série de painéis de comentadores em todos os canais noticiosos. Isso sim, foi o verdadeiro espectáculo. Um espectáculo de spin, vacuidade e desonestidade intelectual. Fazendo zapping entre os diversos canais, rapidamente se chegou a uma conclusão: teria sido mais honesto convidarem Passos Coelho ou Paulo Portas para comentarem o debate entre candidatos do PS do que termos ali os megafones governamentais do costume, de Henrique Monteiro a Martim Avillez Figueiredo, passando por um ou outro desconhecido com vontade de se pôr em bicos de pés.

Isto é grave? Gravíssimo. Porque se é verdade que António Costa desiludiu, mostrando menos do que deve e pode, e Seguro confirmou as suas credenciais, reduzindo a sua prestação ao ataque pessoal e à lamúria constante por estar a ver fugir o poder quando estava mesmo ao seu alcance, o jornalismo prestou um serviço ainda pior ao país, limitando-se a ser eco de um sensacionalismo que perpetua os piores vícios da política portuguesa. 

Exemplos? Quase todos os comentadores criticaram Costa por não falar das suas propostas. Este explicou a Judite de Sousa mais do que uma vez porquê: não é este o tempo, porque o programa de Governo será preparado com o resto do partido e apenas se, claro, ganhar as primárias. Seguro, de acordo com estes comentadores, terá ganho porque prometeu coisas (nomeadamente, prometeu demitir-se caso não consiga deixar de aumentar impostos - isto não é uma piada). Relembremos o que temos agora, neste momento: um primeiro-ministro que ganhou eleições prometendo coisas que não só não concretizou como sabia não poder concretizar quando as prometeu. Somos governados por um primeiro-ministro (e um vice-primeiro-ministro, já agora) que mentiu e mente reiteradamente daí retirando vantagens políticas, um primeiro-ministro que traiu grande parte do seu eleitorado. Acaso vemos algum destes comentadores criticando o que tem sido este percurso de trapaça seguido por Passos Coelho? Não, nunca. Mas criticam António Costa por não querer prometer algo já, enquanto ainda nem sequer é candidato a primeiro-ministro. 

A verdade é que o jornalismo em geral e os comentadores em particular não gostam da contenção, do realismo e da sobriedade em política; preferem o sensacionalismo, o populismo e os soundbites para enganar eleitorado. De cada vez que um destes comentadores repete que Costa não tem propostas concretas (quando, goste-se ou não, existe um programa de candidatura repleto delas, quando Costa anda há anos a repetir as suas ideias num programa televisivo, quando existe obra feita na maior câmara do país), morre um unicórnio e fenece a réstia de seriedade que ainda possam ter. Mil vezes um Marques Mendes, que já sabemos ao que vem, do que um esconso Henrique Monteiro vomitando o seu habitual spin. Temos os políticos que merecemos, aqueles que este mundo de jornalismo e comentadorismo sensacionalista eleva aos píncaros. Depois, não se queixem.

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24 comentários

De Francisco Clamote a 10.09.2014 às 00:14

Nem mais!

De A.M. a 10.09.2014 às 00:28

Dois. Nem mais...

De Joe Strummer a 10.09.2014 às 09:39


"Menos (m)ais, menos (m)ais, menos, (m)ais, quero muito mais!"

Uma lúcida visão exterior à autêntica palhaçada em que se tornou a politica espectaculo.
Os candidatos respondem a códigos e são condicionados pela noção de "Povo" construída pelos consultores. Não há nada de genuíno. São Dupond e Dupont, depois é só ver qual o mau e o bom, questões de faca e alguidar.

O Costa em certos aspectos é uma desilusão, não porque esteja mais apagado, ou porque não tenha ideias ou não faça promessas. Mas porque tambem se decidiu "anular" e condicionar em função daqueles códigos. Não é capaz de reagir quando se fala do período Sócrates, admitindo q se cometeram erros e quando os enumera não correspondem de todo a erros nenhuns. É só uma linha de argumentação vazia para aplacar a ira dos "talking heads". A necessidade de não afrontar
de consensualizar torna-o um politico pragamatico mas não decisivo num ciclo decisivo.
São necessarias rupturas na sociedade portuguesa não consensualismos. Depois do maior roubo
e desequilibrio de direitos sociais, das fontes de autoridade estarem exclusivamente nas mãos da direita, consensualizar é consolidar a derrota.

A questão Guterres tambem é elucidativa. Não precisamos de Guterres nenhum, é este eterno retorno ao passado que temos que quebrar.







De Makiavel a 10.09.2014 às 10:48

Se consensualizar, significar dialogar e estabelecer bases comuns com as forças à esquerda do PS, como parece ser a linha de Costa, não será isso a ruptura com o passado político português? O regresso ao passado está com Seguro e a sua resposta redonda no final do debate, acerca das possíveis alianças para formação de governo. Faz lembrar Soares nos idos de finais de 70. Muito mais claro foi Costa nessa matéria ao rejeitar qualquer aliança que significasse a prossecução da actual política.
Quanto ao debate, aceito que se diga que Costa esteve aquém do que se esperava, apenas porque foi demasiado british, contra um Seguro a usar e abusar da vitimização e do ataque pessoal. A pérola do debate apareceu quando Seguro disse que se demitia se tivesse de aumentar impostos. Mau demais. A suivre...nos próximos debates.

De Joe Strummer a 10.09.2014 às 13:07


Se consensualizar fôr só à esquerda, deixa de o ser. Costa diz que não quer ser auto-suficiente, o que significa ser o contraponto de Sócrates e tentar pactar com a esquerda e direita ( esta presumivelmente já sob a égide de Rio).
Por si só, isto não quer dizer nada, pode ser só uma ideia-chave para agregar o descontentamento enquanto não tem um programa. E esta consensualização não é só no plano dos partidos politicos mas a sectores mais abrangentes o que torna impossivel uma reversão dos desequilibrios criados. Daí o sentido politico inerente ser totalmente errado. Ao contrario de muitos acho que para um líder do PS nunca foi tão facil impôr uma narrativa de esquerda, nos seus principios e pricipalmente nos seus objectivos.

Com seguro é um presente contínuo. O que agora é, será (provavelmente) menos, mas será.

De Makiavel a 10.09.2014 às 17:38

Consensualizar não significa esvaziar ideologicamente. Pela declaração final de Costa acerca do que faria (do que não faria) para obter maioria parlamentar para formação de governo, não se pode concluir que ele fará consensos à direita. Pode haver consenso à esquerda, assim esteja para aí virado o PCP. O Bloco/LIvre/3D/whatever irá desaparecer ou ficará reduzido a uma expressão mínima.
Rui Rio só assumirá a liderança da direita quando tiver hipóteses de ganhar eleições. Ele não fará a travessia do deserto, em caso de derrota de Passos. Idealmente, as próximas eleições deveriam colocar frente-a-frente Costa e Rio.

De Joe Strummer a 10.09.2014 às 20:14


Repara, a ruptura necessaria não é ao nivel de mais ou menos acordos parlamentares, é ao nivel do desequilibrio de poderes verificados nos ultimos anos. Isso não se consegue com acordos parlamentares mas com coragem para afrontar os varios poderes facticos. É mais uma questão de postura e de sentido. Não vejo isso em Costa q está mais preocupado com a sua "Hollandização", daí as não promessas (e bem) mas que lhe dá uma indefinição perturbadora.

Basta não haver uma maioria absoluta para rio liderar o psd, e aí terá um poder quase maior q o Costa pois conta com apoio de poderes que bloquearão qualquer reforma.Já para não falar da envolvente europeia.

Se depender do PC, esquece.

De Paulo George a 10.09.2014 às 10:06

Se bem que entendo que a comunicação social está repleta de servidores da troika mais liberal e fundamentalista ontem o objectivo era comentarem o debate que houve e não comentar as políticas do governo... mais importante era discutirmos que políticas queremos, que modelo de desenvolvimento, que país queremos... e ontem não se viu nada disso.

Quanto ao governo esse já sabemos o que pretende- uma país pobre com alta taxa de desemprego como se fosse o paquistão da Europa- mas isso já sabiamos....

Então, onde está a esperança?

De Maria Lavadeira a 10.09.2014 às 15:05

A Esperaca e minha vizinha e foi ali ao cafe tomar uma bica, mas ja vem para te atender para discutir contigo as politicas e os modelos de desenvolvimento que se pretendem para o futuro do pais. Perdoe-me pois nao teno acentuacao neste teclado, mas a Esperancinha tem.

De Paulo George a 10.09.2014 às 15:19

A Maria devia dedicar-se mais à lavagem do que propriamente à escrita. Se alguma coisa que me assusta não é o estofo nem de um nem do outro... é de ambos serem mediocres...

Que não há esperança sei eu, por isso é que retoricamente perguntei onde estava... Mas se a sua vizinha tem alguma ideia para o país é bom que apareça e possa discutir comigo. Assim já seremos dois a fazer o que os partidos do poder e do anti poder não fazem.

A Maria no entanto pode ir lavando e ficar com as suas dúvidas metafísicas que um é traidor e outro é não sei o quê, muito embora isso, infelizmente, vale apenas o que vale que neste caso será igual a poia.

De Teixeira a 10.09.2014 às 10:35

Seguro é tudo que uma mãe deseja para genro. Ou o atual governo para "líder da oposição". Para primeiro-ministro falta-lhe elã vital!

De Anónimo a 10.09.2014 às 16:13

ufa... o kéisso de "elã vital"?

De Teixeira a 10.09.2014 às 21:34

Força pessoal, carisma, poder de convencimento, não parecer um tio de todos, um ... bem é melhor parar por aqui. Parece um gelado de nada.

De Anónimo a 10.09.2014 às 12:19

Isenção é contigo!

De virginia camacho a 10.09.2014 às 14:19

Foi dos melhores artigos que li sobre este malfadado debate.
Os comentadores, politólogos, que raio de profissão, lambe botas e afins, que ouvimos a seguir ao debate, nos 3 canais, foram do mais surrealista que já vi em televisão.
Pareciam todos combinados.
H. Monteiro, que teve a ousadia de comentar, que não conhece o trabalho de Costa, porque não mora em Lisboa, foi a cereja no topo do bolo.
Todos com a preocupação de quem ganhou o debate.
Que raio interessa quem ganhou o debate?
E para ganhar um debate, pelos vistos deve-se mentir descaradamente e novamente aos portugueses.
Costa merecia melhor.
Seguro tem o que merece.

De Maria Lavadeira a 10.09.2014 às 15:09

Exma Sra D. Virginia, V.exa tera de fazer o favor de dizer, nao que foi um dos melhores artigos que leu sobre o malfadado debate, mas antes que foi o melhor artigo que leu. Caso contrario o Sr. Lavos fica zangado

De Maria Lavadeira a 10.09.2014 às 14:57

O Xor Lavos, lavou a sua maneira. No entanto, fica zangado quando outros lavam de maneira diferente. Paciencia. Aguente-se. Mas ha uma coisa importante: mais lavado ou menos lavado, com detergente ou com lexivia, ha uma nodoa que nao se pode branquear: o xor Costa agiu como o chico-esperto, como aquele que esta numa fila e passa a frente dos restantes atraves da malandrice nao sabendo esperar pela sua vez. Foi uma atitude suja. O que o Xor Costa fez, foi, cobardemente e sentindo as costas quentes, fazer a cama ao Seguro. Votei nele para a Camara. Entendo ate que tera mais estofo para o cargo, mas esse estofo assusta-me. Assusta-me porque afinal vale tudo. Pode passar-se por cima de quem for, sem o minimo de respeito ou consideracao, que o que interessa e o fim que se pretende atingir. O xor Costa mostrou deixou cair a mascara pela ganancia do poder. Pela correccao, pelos principios e pelo respeito pelo proximo, acho que o Xor Costa devera ser punido, pelo que, com o meu voto nao contara.

De Joe Strummer a 10.09.2014 às 17:10

Maria, qual é a pasta de dentes do seguro?

De Maria Lavadeira a 10.09.2014 às 21:00

Seguro com letra maiuscula se faz favor. So por isso ja nao lhe respondo. Da proxima vez trate de escrever Sr Jose Antonio Seguro.. Deveria demonstrar outra fineza no trato e nao ser tao calhau

De Makiavel a 10.09.2014 às 17:43

Ó Maria Lavadeira, já lavaste as cuecas do Seguro? E os peúgos? Olha que tem de ser a baixa temperatura senão lá se vão os elásticos.

De Maria Lavadeira a 10.09.2014 às 20:57

tipico de um apoiante do Costa na actualidade. Demonstra mau perder e sempre a insistir no insulto. Manda-me la a tua morada que eu vou ai lavar-te as peugas pessoalmente e de borla.

De Makiavel a 10.09.2014 às 21:18

Obrigado, já tenho quem me faça esse serviço. Mas precisava de alguém que desse banho ao cão. Tens competência para ir dar banho ao cão, ó Maria?

De José a 10.09.2014 às 19:37

Um bom exemplo de como a palavra "traição" pode mover mundos no debate, ainda que não se diga mais do que isso.

De Maria Lavadeira a 10.09.2014 às 15:20

Aproveitando a frase do blogue:
«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset
E assim, um dia, decidiu Costa passar a perna a Seguro e tentar ser primeiro ministro. Segundo a forma como decidiu, podemos estar descansados pois trata-se de um individuo com caracter.

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