Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

17
Fev14

O "pisca-pisca"

Diogo Moreira
António Costa referiu, na Quadratura do Círculo da semana passada, o célebre cliché interno da "política do pisca-pisca" do PS. Usado como arma de arremesso, durante a ascensão de Guterres, contra a ala esquerda do partido, esta expressão cristaliza a ideia de que o PS não precisa de sinalizar publicamente que é um partido de esquerda, bastando a afirmação natural da sua identidade para que o eleitorado saiba o que o PS representa, e defende.

Não será de estranhar que o "pisca-pisca" tenha reaparecido nesta altura, sobretudo pela mão de António Costa. O PS dessa geração teve uma relação conturbada com a ideologia, preferindo sempre a "terceira-via" como forma de evitar tomar posições ideológicas definidas, algo que convínhamos esteve na raiz da vitória dos anos 90, e cujo efémero consulado de Ferro Rodrigues não conseguiu minorar. 

O problema é que já não estamos na época da "terceira-via". Não estamos a defrontarmo-nos com o PSD conservador e quasi-estatizante do cavaquismo, mas sim com a sua variante PRL (Partido Revolucionário Liberal na feliz designação de Daniel Oliveira). 

As próximas campanhas eleitorais terão uma forte componente ideológica, talvez a mais forte desde a década de 70. Isto, claro está, se o PS as quiser ganhar. A defesa do Estado Social, da protecção aos mais desfavorecidos, da luta contra a austeridade, por uma Europa mais social e solidária, só poderão ser feitas numa tonalidade ideológica, por oposição ao neoliberalismo. 

Caso contrário, se o PS continuar a permitir, nem que seja por omissão, que a narrativa desta crise seja a da direita, em que a culpa desta situação foi do Sócrates e do último governo PS, ou que a solução passa pela "austeridade de rosto humano" ou pela "austeridade sem política de austeridade", não se vislumbra um futuro muito risonho para o partido. 

Neste contexto, tal como os "pisca-pisca" são essenciais para que os outros condutores saibam para que lado vamos na estrada, talvez o PS precise de sinalizar ao eleitorado de que lado está nesta disputa.

1 comentário

Comentar post

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

No twitter

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D