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O Público noticia que António Costa apresentou ontem uma promessa eleitoral: O PS promete programa para a erradicação da pobreza infantil e juvenil. Isto merece quatro notas rápidas: 

 

1) A medida é proposta pelas razões certas. É impossível discordar com a frase: “a pobreza infantil e juvenil é a mais dramática de todas as pobrezas, porque nos promete para amanhã não uma sociedade mais justa e mais igualitária, mas a reprodução de uma nova geração de pobreza e um retrocesso duradouro no país"

 

2) Os dados suportam a prioridade dada a este grupo em particular. Até aos 17 anos o risco de pobreza é elevadíssimo (dados INE, todos)

grupo etario.jpg

3) Tem de se cruzar esta prioridade com os dados relativos à composição do agregado familiar. Os monoparentais, com uma taxa de risco de pobreza assustadora de 38,4% que, nas famílias que não são monoparentais só aparece nos casos de 3 ou mais crianças (dois grupos a observar com atenção)

monoparentais.jpg

 4) Se considerarmos os dados com a linha de pobreza ancorada em 2009 - que é a opção correcta, por razões que não vale a pena estar aqui a discutir - o aumento do risco de pobreza nos menores de idade é ainda mais assustador e cifra-se, em finais de 2013, nos 31,1% (o número que António Costa cita). 

ancorada.jpg

Em suma, e como balanço, uma medida oportuna, fundada num diagnóstico bem suportado, bem alinhada com a herança do melhor que o PS tem feito (a referência ao Complemento Solidário para Idosos é tudo menos casual) e que separa claramente as águas do ponto de vista ideológico.

 

A direita virá dizer que falta explicar como se paga o preço de o fazer, mas a verdadeira questão é: como nos podemos permitir não o fazer? Não podemos, é incomportável económica, politica e socialmente.

 

Dito isto, e porque nem tudo são rosas, no Programa Eleitoral, espera-se que surja a respectiva estimativa de custos (mas também de benefícios). Como deve ser. 

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