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21
Jan

"Money does not tap into the essence of human motivation so much as transform it. When money is made the measure of all things, it becomes the measure of all things."

Barry Schwartz

 

Uma das seis exigências do Cartismo, movimento social inglês da década de 30 do Século XIX, consistia na remuneração dos parlamentares: só assim seria possível que qualquer cidadão pudesse servir os interesses do seu país. Este é um dos pressupostos da democracia: todos terem a possibilidade de serem eleitos qualquer que seja a sua origem ou fortuna.

 

Deste modo, a remuneração deverá ser condigna e corresponder às responsabilidades e dificuldades do cargo. Por isso custa-me que a esquerda, supostamente defensora de remuneração justa, use este argumento para denegrir adversários ou para se auto-elogiar. 

 

No entanto, a existência de um vencimento adequado implica que não se use outro tipo de remunerações como subvenções ou subsídios. No caso da subvenção a fundamentação para a sua criação foi atrair para a política as melhores pessoas. O legislador, porém, esqueceu-se que o dinheiro tende a transformar a motivação: quando o "dinheiro é feito a medida de todas as coisas torna-se na medida de todas as coisas". Ora, este é precisamente o efeito contrário do que se pretende. Da mesma forma que é prejudicial às ideias de dever e de consciência cívica a existência de um "concurso de facturas".

 

Assim, como em quase tudo na vida, deve tentar-se chegar a um equilíbrio aristotélico: nem o populismo miserabilista nem a protecção maximalista dos detentores de cargos políticos.  

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1 comentário

De Joe Strummer a 21.01.2016 às 19:33

Os argumentos populistas não defendem a igualdade para todos, mas sim a desigualdade para todos.
O fito e equalizar a falta de direitos. Que a esquerda isso seja miseravelmente aproveitado não espanta, afinal 2011 não é assim tão distante.

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