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28
Fev

Para quem, independentemente da sua futura opção de voto, acha que o país precisa absolutamente de discutir alternativas de futuro que não passem pelo repetir do mantra da austeridade – e não é preciso combater essa linha política com os seus desastrosos efeitos sociais e económicos, basta lembrar que não cumpre o objectivo que supostamente teria: sanear as contas públicas – é importante saber onde pára o PS.

Ao contrário do que tem acontecido noutros Países, como Espanha e Grécia, a esquerda tradicional em Portugal não está ameaçada de extinção. As razões para isso são várias, desde logo os nossos brandos costumes. A agitação social foi, em Portugal, uma fracção do que aconteceu na Grécia ou em Espanha. O PS não sofreu as ondas de choque que mataram o PASOK e feriram profundamente o PSOE.

António Costa ganhou a liderança do PS nas costas da ideia de que, com o anterior líder, faltava oposição ao actual Governo e sobrava indefinição quanto a uma ideia para o País e para o futuro. Foi nesse António Costa que as pessoas votaram em primárias primeiro, e no Congresso do PS depois.

Desde a sua eleição António Costa tem sido ora fiel ora infiel a essa promessa implícita entre ele e os seus eleitores.

Pessoalmente, espero que o António Costa das gafes recentes, da decisão de reposição das subvenções vitalícias a meias com a actual maioria, e da conversa mole tenha ido a enterrar definitivamente hoje.

Hoje, em que é conhecida uma sondagem que mostra – objectivamente – que o PS está exactamente onde estava, do ponto de vista eleitoral, com a anterior liderança: à frente da maioria mas muito longe de uma vitória que lhe permita mudar de políticas. E isso, pura e simplesmente, não serve. Pela mesma razão, uma qualquer ideia de bloco central é fundamentalmente incompatível com aquilo que o País precisa.

Ora, com a clareza que deveria ter todos os dias António Costa afirmou que o país “não está à espera nem precisa de um bloco central”. E disse, mais, que “Nós temos propostas, nós temos medidas. E não nos conformamos com a resignação do senhor primeiro-ministro – e estamos aqui para construir e afirmar uma alternativa. (…) Apresentámos a estratégia nacional de combate à pobreza infantil e juvenil, que é o segmento da sociedade onde a pobreza mais aumentou. Apresentámos as políticas activas de emprego, dirigidas aos jovens mais qualificados, de modo a integrá-los nas empresas do sector exportador, de forma a reforçar a produtividade e a competitividade. Apresentámos a proposta de dinamizar sectores com capacidade para absorver a mão-de-obra intensiva, como sejam a reabilitação urbana, na construção; a redução do IVA na restauração”.

Ora não é preciso concordar a 100% com tudo o que ali está – ou com tudo o que está na Agenda da Década ou estará no programa eleitoral do PS – para perceber que é mil vezes mais capaz de dar resposta ao que o País precisa do que a alternativa que a actual maioria oferecerá: mais quatro anos de austeridade misturada com uma estranha (e ilógica) mistura de liberalismo de trazer por casa com uma tendência para brutais aumentos de impostos, corolados com taxas e taxinhas desde sacos de plástico a tudo o que tem armazenamento digital.

Esperemos, então, que este tenha sido o momento em que o Costa bom finalmente ganhou a batalha ao Costa mau. Afinal, para mau Seguro teria servido perfeitamente.

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4 comentários

De Luís Silva a 03.03.2015 às 11:14

Tenho votado quase sempre no PS, mas perante a situação que nós estamos, temos que agradecer ao arco do poder durante estes 40 anos de democracia que se tem "Governado", mais os seus correlegionários. Foram 48 anos de Ditadura, mais 40 anos de democracia para alguns, são 88 anos de desperdício neste país, ditado por alguns, ganho por outros e o povo que se lixe. Perante isto só me resta uma alternativa, como gosto de votar, acho que é tempo de votar nos contras da esquerda, pode nada fazer, mas chateia os partidos do poder.

De Zé Pagante a 03.03.2015 às 11:34

Vamos lá correr com esta escumalha de vez. Acordem e votem contra estes corruptos, mentirosos. Como dizia o palhaço brasileiro "pior do que está, não fica".

De Justiceiro a 03.03.2015 às 21:13

Esta esquerdalha e as suas politicas ridículas para agradar ao povo pacóvio!

De fernandosueco a 04.03.2015 às 05:48

È pá srs votem no Sr Sócrates e sua cambada porque nome Grego já têm só falta acabar o que começou Ó TÀ R I O S !!!!!!!!!!!!!!!

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