Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



12
Jul

O carácter de Passos e Portas

por Sérgio Lavos

phpThumb.jpg

Vamos, para já, esquecer as previsões falhadas, a destruição da economia e o aumento da pobreza que as políticas do Governo provocaram. Concentremo-nos no carácter dos governantes.

Há numerosos estudos apontando para um facto: o eleitor tem sempre em conta a personalidade do político e a confiança que este invoca. Não interessam tanto as propostas políticas ou a ideologia, mas a capacidade que o político tem de convencer o eleitor de que conduzirá o país ao caminho certo. E a avaliação que é feita depende de vários factores, entre eles a habilidade retórica ou o carisma. Todos estes factores contribuem para a construção de uma imagem, abstracta e impressionista, imagem fabricada e intrinsecamente dependente dos média que a difundem (e também constroem, por interesse subterrâneo, involuntário ou evidente). No limite, é nesta imagem fabricada que votamos, e não no político real – e não certamente na pessoa que está por detrás desta imagem, inacessível a todos.

Pensemos então em Passos Coelho e Paulo Portas. Quem é Passos? Segundo um estudo de opinião recente, a característica que as pessoas mais associam ao seu nome é ser mentiroso. Não é especulação, nem uma “ofensa”; é a mais nítida impressão que ele deixa. De acordo com outro estudo de opinião, Passos seria o político no qual as pessoas menos confiariam para comprar um carro em segunda mão. Esta ideia que temos de Passos, curiosamente, não se distancia muito da imagem que ele quis dar de si: ele é o homem simples, com defeitos e pecadilhos (a fuga ao fisco, a fraude dos fundos europeus na Tecnoforma), um de nós, alguém que não pertence à elite. As férias de chanatas em Manta Rota ou a casa em Massamá reforçam a impressão. A mentira, reiterada e exposta (das promessas feitas em campanha rapidamente esquecidas à insistência em não ter dito coisas que efectivamente disse), é parte da persona de Passos. A mentira, numa distorção digna de Orwell, é vendida como qualidade, e não como defeito. Certamente que a sua equipa acha que o relativismo moral dos portugueses é tão acentuado que conseguirá passar esta mensagem. É extraordinário, mas não deixa de ter cabimento. A realidade é uma construção mental, e os propagandistas sabem disso. Passos, o homem sem qualidades alçado a primeiro-ministro, confia nos seus defeitos para voltar a conquistar o poder.

E Portas? Portas é tudo e o seu contrário. Já foi intelectual liberal, jornalista de escândalos, conservador na senda de Thatcher, populista desavergonhado, brilhante tribuno e homem de Estado (duas vezes). Portas é o homem que transporta o seu carisma pelas praças e mercados do país, distribuindo beijos por peixeiras enquanto escavaca carros topo de gama oferecidos pela Universidade Moderna. Há o Portas da lavoura, o Portas dos reformados (que quando chega ao Governo corta pensões e reformas), o Portas do partido do contribuinte (que quando chega ao Governo faz o maior aumento de impostos da História da democracia), o Portas dos submarinos, o Portas compadre de Jacinto Leite Capelo Rego, o Portas das exportações a bombar (quando elas encolhem). Paulo Portas, antes de ser Irrevogável, já o era. A sua palavra sempre valeu menos do que a virgindade num prostíbulo, a dissimulação é o âmago essencial da sua natureza. Traiu Marcelo Rebelo de Sousa por um prato de lentilhas, e em 2013, à primeira oportunidade, quis saltar do barco, e quando viu que não tinha o apoio do seu partido (e que por isso a sua carreira política poderia chegar ao fim), voltou atrás na palavra, ficando para a posteridade com o cognome de O Irrevogável. Orgulho? Honra? Dignidade? Tudo entradas riscadas no seu dicionário. Já a palavra “vaidade” brilha em todo o seu esplendor, sublinhada a marcador fluorescente e com várias anotações à margem.

Passos Coelho e Paulo Portas são isto. Nada mais, nada menos. E se a isto somarmos as políticas que destruíram o país, o que temos?

 

(Texto publicado no Tempo de Avançar)

Autoria e outros dados (tags, etc)


18 comentários

De Anónimo a 13.07.2015 às 09:35

Comunista de merda

De Fernando a 13.07.2015 às 10:24

Ó shor anónino, além de cobarde ainda é reaça. Fdp.

De Teodoro a 13.07.2015 às 11:06

Anonimo...você é um asno!

De Sérgio Lavos a 13.07.2015 às 11:23

Ehehehe. Olhe os ácidos, o fel ainda lhe sobe ao crânio para ocupar o lugar do cérebro que claramente perdeu,

De João Carlos Reis a 13.07.2015 às 12:47

Prezado Anónimo,
se conseguir refutar o que o Sérgio escreveu, pode contar com todo o meu apoio...
Entretanto recordemos: https://www.youtube.com/watch?v=iANucts4juo.

De Passos Coelho a 15.07.2015 às 14:16

A cobardia, a ignorância e o sectarismo têm sido desvalorizados, caro anónimo. Mas basta, desde que cheguei ao governo que, para as valorizar, lhes tenho dado muito uso. Portanto é com alento que vejo os meus compatriotas seguirem o meu exemplo.

Um grande bem-haja, anónimo.

De jakina a 13.07.2015 às 09:52

Cá está a reacção dos donos da verdade e democracia :)

De Teodoro a 13.07.2015 às 11:10

...algo inteligente, para variar?? hummmm, não há há, é sempre o mesmo discurso.

De Susana a 13.07.2015 às 10:39

Temos um pais triste e pequenino! E foi tudo muito bem dito! E o mais engraçado é que não se passa nada, continua tudo na mesma, e nas próximas eleições ainda vai haver muita "gente" a votar neste imbecis. E vai continuar tudo na mesma....

De João Carlos Reis a 13.07.2015 às 12:37

Prezada Susana,
tristes e pequeninos são a Dinamarca, os Países Baixos, a Bélgica, o Luxemburgo, a Irlanda, a Suíça, o Listenstein, a Áustria e afins... o que infelizmente faz um país "pequenino", por maior que ele seja, não é sua dimensão geográfica, mas são as mentes mesquinhas e afins que neles habitam e/ou governam... o que infelizmente tem sido o caso dos que nos têm governado desde o 25 de Abril de 1974 e dos que neles votam...

De Teodoro a 13.07.2015 às 11:08

Discordo deste post, uma vez que "caracter" "portas" e "passos", nunca podem estar juntos. São todos incompativeis, quase irrevogaveis

De Teodoro a 13.07.2015 às 11:13

...já agora Portas, só não saiu do governo, porque ainda não tinha queimado todos os documentos relativos aos submarinos...

De João Carlos Reis a 13.07.2015 às 13:17

O Sérgio sistematizou aqui que eu já venho dizendo há anos.
No caso vertente escreveu só sobre o Passos e o Portas... mas algo idêntico poderia ter sido escrito sobre o Mário Soares (que institucionalizou o compadrio e a corrupção no pós-25 de Abril de 1974), sobre o Cavaco Silva, sobre o Guterres, sobre o Durão Barroso, sobre o Pedro Santana Lopes, sobre o José Sócrates, sobre o Victor Constâncio, sobre o Isaltino Morais, sobre o major Valentim Loureiro, sobre a Fátima Felgueiras e sobre muitos(as) outros(as) que agora não me ocorre o nome (e mesmo que ocorresse era complicado encontrar espaço para escrever o nome de todos eles e elas)... isto para não falar na maior parte dos empresários portugueses...
No entanto quero deixar aqui bem vincado que nada do que escrevi me deixa de forma alguma satisfeito e/ou orgulhoso, pois o que eu mais desejo é escrever exactamente o oposto do que fiz... e quando esse dia chegar, a Pátria estará no bom caminho para ser um dos países com melhor nível de vida do mundo... podem crer...

De João Carlos Reis a 13.07.2015 às 13:27

Em tempo: «... sistematizou aqui aquilo que eu...» e «, sobre o major Valentim Loureiro, sobre o Carlos Moedas, sobre a Fátima Felgueiras...».

De preto aguiar a 13.07.2015 às 13:47

Estamos a falar dos coligados, juntos e mal amanhados, os tais que se julgam salvadores da pátria e que não fizeram mais do que destruir o tecido social e os bens do país.
Nunca cairão no esquecimento, os coligados...

De João Carlos Reis a 13.07.2015 às 15:27

Hummm... não serão antes os «cu-ligados»???

De preto aguiar a 13.07.2015 às 15:54

olhe que gajos destes estão sempre colados com cuspe, coisa fraca...

De Anónimo a 27.12.2015 às 14:40

Os políticos são todos uns filhos da puta, bem como todos os seus familiares.

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • MRocha

    Se está na lei que devem ser públicas, cumpra-se a...

  • Jaime Santos

    Trump, além de mentiroso, é sobretudo um egomaníac...

  • Joe Strummer

    Pois, mas convem não deixar que noutro lado se ins...

  • Anónimo

    E estou eu contratado pelo estado à 16 anos.

  • Daniel Silva

    Sim, a tendencia é sempre a mesma. O aumento salar...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset