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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

17
Abr14

Nuno Melo não sabe, não leu. Nuno Melo não estudou Schopenhauer

Nuno Oliveira

É uma evidência. Caso contrário saberia que na sátira/manual "a arte de ter sempre razão" de Arthur Schopenhauer o estratagema com que Nuno Melo iniciou o debate, sobre o BPN na TVI no passado dia 3, é considerado o último. Uma espécie de último reduto. Mas Nuno Melo começou pela desqualificação, pelo insulto pessoal dirigidos ao seu interlocutor. 

 

Como explica Schopenhauer, para o comum dos observadores a razoabilidade da desqualificação pessoal é absolutamente irrelevante para o efeito prático. Basta muitas vezes apenas ter lata. Podemos imaginar, por exemplo, alguém sentar-se com um interlocutor soltando de forma aleatória risos, meneares e cabeça e expressões desqualificadoras: "Não estuda, não está preparado". Para uma audiência crédula é apenas necessário que tal seja feito com confiança. Ou em português corrente, lata. Muita lata.

 

Outra demonstração da falta de consistência foi a forma aleatória como usou os estratagemas. Fosse mais capaz e teria usado outros antes de usar o estratagema 30, apesar de uma interessante mistura com o estratagema 28. Neste estratagema, escudado sobre um nicho de autoridade que lhe seja reconhecido no debate, usa-se uma informação não válida que ainda assim o interlocutor não está em posição de desmentir. Esse nicho de autoridade encontrado pelo Nuno Melo era a elaboração do projecto de união bancária para a qual, e manifestamente a despropósito, Nuno Melo alegava ter tido a iniciativa de uma emenda que defendia o interesse dos contribuintes. Nuno Melo usou a sua autoridade mas usou sobretudo a autoridade de Elisa Ferreira e que João Galamba reconhece aproveitando-se naturalmente do facto de a visada não estar presente para o desmentir.  Sensatamente, João Galamba não ousou desmentir. Desmentiu-o Elisa Ferreira no dia seguinte mas no debate Nuno Melo já tinha conseguido produzir o efeito.

 

Eficaz naquele instante, por certo. Mas também desqualificante das capacidades(?) de Nuno Melo. De inúmeros estrategemas, Nuno Melo usa os de fim de linha. Podem ajudá-lo naquele aperto de quem tem de dizer alguma coisa naquele momento, ter a ilusão de uma eficácia fugaz. Mas é certo que há algo que os estratagemas nunca farão de Nuno Melo. Não darão a Nuno Melo o que ele precisa para cumprir a sua atabalhoada ambição de ser líder do CDS: um mínimo de consistência intelectual para ser levado a sério como político.

 

Uma versão resumida dA arte de ter sempre razão pode ser lida aqui, uma versão mais completa pode ser encontrada aqui mas o que se recomenda mesmo é a compra do pequeno livro disponível em tradução portuguesa:

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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