Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



É uma evidência. Caso contrário saberia que na sátira/manual "a arte de ter sempre razão" de Arthur Schopenhauer o estratagema com que Nuno Melo iniciou o debate, sobre o BPN na TVI no passado dia 3, é considerado o último. Uma espécie de último reduto. Mas Nuno Melo começou pela desqualificação, pelo insulto pessoal dirigidos ao seu interlocutor. 

 

Como explica Schopenhauer, para o comum dos observadores a razoabilidade da desqualificação pessoal é absolutamente irrelevante para o efeito prático. Basta muitas vezes apenas ter lata. Podemos imaginar, por exemplo, alguém sentar-se com um interlocutor soltando de forma aleatória risos, meneares e cabeça e expressões desqualificadoras: "Não estuda, não está preparado". Para uma audiência crédula é apenas necessário que tal seja feito com confiança. Ou em português corrente, lata. Muita lata.

 

Outra demonstração da falta de consistência foi a forma aleatória como usou os estratagemas. Fosse mais capaz e teria usado outros antes de usar o estratagema 30, apesar de uma interessante mistura com o estratagema 28. Neste estratagema, escudado sobre um nicho de autoridade que lhe seja reconhecido no debate, usa-se uma informação não válida que ainda assim o interlocutor não está em posição de desmentir. Esse nicho de autoridade encontrado pelo Nuno Melo era a elaboração do projecto de união bancária para a qual, e manifestamente a despropósito, Nuno Melo alegava ter tido a iniciativa de uma emenda que defendia o interesse dos contribuintes. Nuno Melo usou a sua autoridade mas usou sobretudo a autoridade de Elisa Ferreira e que João Galamba reconhece aproveitando-se naturalmente do facto de a visada não estar presente para o desmentir.  Sensatamente, João Galamba não ousou desmentir. Desmentiu-o Elisa Ferreira no dia seguinte mas no debate Nuno Melo já tinha conseguido produzir o efeito.

 

Eficaz naquele instante, por certo. Mas também desqualificante das capacidades(?) de Nuno Melo. De inúmeros estrategemas, Nuno Melo usa os de fim de linha. Podem ajudá-lo naquele aperto de quem tem de dizer alguma coisa naquele momento, ter a ilusão de uma eficácia fugaz. Mas é certo que há algo que os estratagemas nunca farão de Nuno Melo. Não darão a Nuno Melo o que ele precisa para cumprir a sua atabalhoada ambição de ser líder do CDS: um mínimo de consistência intelectual para ser levado a sério como político.

 

Uma versão resumida dA arte de ter sempre razão pode ser lida aqui, uma versão mais completa pode ser encontrada aqui mas o que se recomenda mesmo é a compra do pequeno livro disponível em tradução portuguesa:

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

De Miguel Cabrita a 18.04.2014 às 09:24

Uma versão simplificada é a Grahams hierarchy of disagreement, reduzida a um boneco;
http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Graham_%28computer_programmer%29#Graham.27s_hierarchy_of_disagreement

retirado deste texto; http://www.paulgraham.com/disagree.html

Talvez seja o que este "político" tenha conhecimento.

De Jaime Santos a 18.04.2014 às 11:52

Nuno Melo está-se nas tintas para estas coisas, o que lhe interessa é marcar uns quantos 'cheap points'. Ele sabe que aqueles que verificam factos e se preocupam com a verdade dos ditos nunca votariam nele. Está meramente a falar para o coro e a procurar dar um ar de inteligente (a Direita tem um complexo de inferioridade pelo facto da maioria dos intelectuais se situarem à Esquerda), a que se junta aquela cara de 'escândalo moral' que é apanágio dele e de uns quantos dirigentes do CDS, a começar por Portas (ver este último a falar de patriotismo e moralidade e outras quantas coisas lembra o dito do Tory Disraeli de que um Governo Conservador é uma hipocrisia organizada).

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • João Rosa

    Este post já tem algum tempo mas desde que se inic...

  • Zzzzz

    Qualquer comparação, equiparação, ao nazismo, abso...

  • Sérgio Lavos

    Concordo, devemos respeitar quem é diferente de nó...

  • Bruno

    Muito sinceramente, isto é tudo muito lindo, mas h...

  • alvaro silva

    Só vejo dores de cotovelo e premonições de catástr...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset