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29
Out

Nuno Crato

por Sérgio Lavos

Nuno Crato. O que restará ainda dizer sobre esta criatura que calhou ter caído num ministério do qual depende grande parte do futuro do país? O que resta dizer, depois das sucessivas decisões que arruinaram as áreas que o seu ministério tutela, do ensino à ciência? O que dizer de um ministro zombie? Pior: um zombie que continua a contaminar tudo o que toca, porque o sr. primeiro-ministro decidiu que teria de continuar a haver alguém mais incompetente do que ele no Governo. 

Passados dois meses do início das aulas, ainda há milhares de alunos sem professores, e o processo concursivo parece ter-se transformado numa história interminável, num pesadelo kafkiano sem fim à vista. E o que tem Crato, o outrora rigoroso Crato, o exigente Crato, a dizer? Balbucia coisas, como o louco da aldeia, baba-se perante a comunicação social, em desespero. O dele e o nosso. Um desespero disfarçado de uma insuportável arrogância, mas ainda assim desespero. Só assim se compreende que, quando questionado uma vez mais sobre o caos nas escolas, Crato tenha defendido o que está a fazer socorrendo-se de algo que, não só não é resultado da sua política educativa, como é produto de tudo o que ele andou a criticar nos planos inclinados desta vida. Diz Crato: «Sabemos pelas experiências internacionais, pelos estudos e pesquisas feitos ao longo dos últimos anos, que estamos na direção certa para melhorar a educação no nosso país». Deverá estar a referir-se aos mais recentes resultados do PISA e do TIMMS, que indicam uma evolução nítida dos alunos portugueses, fruto de um investimento de décadas. Ora, uma simples pesquisa sobre o que dizia Crato quando não era ministro sobre os métodos utilizados para chegar a estes resultados pode ser deprimente, sobretudo pelo contraste entre o que defendia e o que agora tem para apresentar. Ver o ministro, antigo campeão do rigor e da exigência, herói da luta contra o facilitismo e o "eduquês", elogiando agora o que antes execrava, é verdadeiramente lamentável, pela desfaçatez e pela ruína moral que esta atitude pressupõe. Anos e anos de críticas aos governos socialistas pela introdução de métodos pedagógicos que acabaram por dar resultados, e agora isto: a falência completa do seu ministério, nenhuma ideia nova para apresentar e um legado que não chega a ser legado, mas sim um rasto de destruição sem fim, de que levaremos anos a recuperar. 

Nuno Crato. O seu nome ficará para a História. Não duvidemos.

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1 comentário

De Joe Strummer a 30.10.2014 às 08:04


Para acabar, agora queremos o Medina nas finanças, nem que sejam só seis meses.

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