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19
Jul

“an implicit conflict of interest between that which is highly viewable and that which is highly illuminating.” 

William F. Buckley Jr. 

 

O famoso urinol de Duchamp redefiniu o que era arte: um objecto comum poderia ser elevado à categoria de obra de arte através da simples escolha do artista. Este movimento privilegiou o conceito sobre a consideração estética - a beleza deixou de ser algo objectivo. Ao mesmo tempo, critica explicitamente o mercado de arte em que a assinatura vale mais do que a qualidade do produto, assim como a noção de artista enquanto criador.

 

Ao assistir a algumas noticias que pululam nos media de pouco/nenhum valor informativo e, mais recentemente, a forma como estes lidaram com o atentado em Nice ao mostrar imagens chocantes, questiono-me se a comunicação social não foi invadida por pseudo-duchamp: tudo passa a ser jornalismo. Foi abandonado o conceito de informação (um conjunto organizado de dados). Em seu lugar foi adoptada a bem mais barata e simples retransmissão do que se está a passar. 

 

Ao contrário de Duchamp, que tinha do seu lado a liberdade artística, não se assiste a uma critica inteligente e deliberada ao seu meio e ao mercado. É apenas a tentativa de sobreviver a um mercado cada vez mais reduzido, pressionado pela inexistência de tempo e pela redução do valor económico da notícia. Neste contexto, as empresas de comunicação social dedicam-se a difundir todos os readymades que se lhe atravessam à procura de mais um clique ou mais um décima de share.

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