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Aqueles que se opõem a uma coligação de esquerda têm usado com muita frequência o chavão do "Arco da Governação", com Paulo Portas a introduzir hoje de manhã o equivalente "Arco Europeu". O conceito é simples e bem conhecido: apenas PS, PSD e CDS podem aceder à governação por não questionarem a presença de Portugal na UE, no Euro, na NATO. São, pelo menos, estes os termos em que tem sido colocado nestes dias.

Este discurso falha em perceber que existe, neste momento, uma clivagem política mais importante em Portugal: ser favorável ou contrário à austeridade. Era isso que estava fundamentalmente em jogo nas eleições, pelo que proponho a introdução de dois novos arcos na discussão política portuguesa: o "Arco da Austeridade" e o "Arco Anti-Austeridade".

Por muitas que sejam as diferenças entre PS, PCP e BE, todos são favoráveis à reversão o mais rápida possível da austeridade, todos denunciam os efeitos nefastos que teve em Portugal e nos portugueses e todos estão contra o actual consenso europeu que dita a prossecução continuada destas políticas. Este é o programa mínimo que está na base da convergência à esquerda.

Por outro lado, o "Arco da Austeridade", do qual fazem parte PSD e CDS, ainda que nos tente convencer agora que também querem a reversão da austeridade e que esta foi um mal necessário que na realidade não desejavam aplicar, não podem apagar as dezenas ou centenas de discursos desde, pelo menos, 2011 onde a austeriidade era uma espécie de redenção tranformadora que não só era necessária como positiva. Todos nos lembramos do "ir além da Troika". É pena que a amnésia ajude a esbater estas clivagens tão rapidamente.

Contudo, Cavaco Silva pode ter ontem dado um enorme contributo para que a separação entre o "Arco da Austeridade" e o "Arco Anti-Austeridade" se torne mais clara. Ao atacar de forma tão dura os partidos mais à esquerda e ao apelar às divisões no PS conseguiu em simultâneo grantir a unidade do PS e deste com o resto da esquerda. Cavaco Silva pode ter dado o contributo que faltava para um novo tipo de bipolarização.

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14 comentários

De Carlos a 23.10.2015 às 13:41

Boa tarde ;

O problema não é ser a favor ou contra a chamada austeridade, o problema é a falta de dinheiro.
A austeridade apareceu porque faliram o país com políticas pouco sérias. Distribuiu-se alegremente dinheiro que não tínhamos e as consequências foram por todos sofridas. Pode-se discutir se deveria ter sido feito de uma maneira ou de outra , mas tinha de ser feito e terá de ser continuado.Espero sinceramente que o fantasma grego não ganhe raízes em Portugal.
De facto , concordo plenamente consigo quando diz que se chegou a uma situação em que há dois blocos que defendem direcções completamente opostas , um foi a eleições e ganhou.
Seria bom para a democracia irem agora a sufrágio os dois blocos que se distinguiram depois das eleições de 4 de Outubro.

De jpferra a 23.10.2015 às 14:48

É isso carlos, mete a maior crise financeira dos ultimos 80 anos, no bolso direito das tuas calças, e continua com a cassete de que vivíamos acima das nossas possibilidades.

De Carlos a 23.10.2015 às 17:10

Boa tarde ;

Cassetes há muitas meu caro , de facto eu é que avaliei mal a situação em 2011 , estávamos no céu , esta coligação dada a sua natureza ultra hiper neo liberal, acompanhada de más intenções, resolveu empobrecer o país , destruir o estado social o SNS, vender o país a patacos , ir além da troika , mais toikista que a troika, mais alemã que a sr.ª merkel , etc , etc , acrescentando que não tinha legitimidade para governar , só tinha 51% dos votos.Acho que ainda faltam alguns adjectivos das outras cassetes , mas fico-me por aqui.
A si tal como a outros que aqui escrevem , ainda verei a louvar a austeridade de esquerda , desculpe , o rigor orçamental de esquerda , ou então , António Costa e a vencedora das eleições descobriram a pedra filosofal e o mapa do tesouro perdido de Barba Rossa .

De Bomber Harris a 24.10.2015 às 22:03

Fact check:

Natureza ultra hiper neo liberal - confere.

Más intenções - não tenho forma de entrar na cabeça dos senhores, mas boas não me parecem ser.

Resolveu empobrecer o país - confere (vide afirmações de Passos Coelho, e actuação do seu governo)

Destruir o estado social - confere (vide actuação do ministro da Solidariedade Social).

Destruir o SNS - confere (vide actuação do ministro da Saúde).

Vender o país a patacos - confere (EDP, TAP, transportes terrestres).

Ir além da troika - confere (vide declarações de Passos Coelho, e actuação de Vitor Gaspar e Mª Luís Albuquerque).

Mais toikista que a troika - confere (como acima).

Mais alemã que a sr.ª merkel - confere (como acima, e muito em particular a postura no Eurogrupo quando das negociações com o recém-eleito governo da Grécia).


Ainda bem que estamos de acordo.

Já agora, e para ver se nos entendemos: a legitimidade de um governo advém da sua base de apoio parlamentar E do respeito para com as expectativas que o seu programa eleitoral suscitou e com base nas quais foi eleito. Não é uma OU outra.

De Carlos a 24.10.2015 às 22:36

Boa noite Bombardeiro ;

Fact Check

A PaF Ganhou as eleições - confere

O PS perdeu as eleições - confere

O BE perdeu as eleições - confere

O PCP perdeu as eleições - confere

A TAP está falida - confere ( Até Guterres a tentou vender , apoiado por Costa )

Os transportes terrestres não foram vendidos , foram concessionados - confere

O governo português não foi responsável pela falência da Grécia - confere

O risco de falência do SNS foi afastado - Confere

Acredite que Passos é mesmo mau carácter , o objectivo confesso do governo era colocar Portugal ao nível da Somália e ganhar as eleições.

De Jaime Santos a 23.10.2015 às 19:56

Pois, façam-se eleições até o resultado ser o que nós queremos. Estranha conceção de democracia, a sua... Está a começar a tornar-se habitual...

De Carlos a 24.10.2015 às 11:22

Bom dia ;

Estranha concepção de democracia achar que se deve sufragar o verdadeiro programa dos partidos ? A PaF foi sufragada como coligação , e ganhou as eleições .O que o PS aplicará caso venha a ser governo , não será o seu programa , derrotado nas eleições , mas sim um misto com o programa do BE e do PCP que ainda mais derrotados foram.
Havendo novas eleições , se o PS as ganhar , formará governo com quem quiser. Não entendo porque pensa que a minha concepção de democracia é estranha , ou no fundo , você acha que se for a eleições o que está a ser "cozinhado" , será rotundamente recusado pelos eleitores daí não deverem haver eleições antecipadas , isso sim é estranho.

De Bomber Harris a 24.10.2015 às 21:54

Ainda bem que fala em sufragar o verdadeiro programa dos partidos. Que, por sinal, foi o que sucedeu em 2011 ao programa do PSD, cujo governo, em coligação com o CDS, pôs todo o empenho em respeitar o seu conteúdo.

Um pouco mais de honestidade moral - ou inteligência - seriam bem vindas.

De Carlos a 24.10.2015 às 22:13

Boa noite Bombardeiro ,

Infelizmente nem todos nascemos inteligentes , essa benesse é só para alguns.
Quando se acaba o dinheiro não é fácil cumprir programas , deve estar-se a referir a Passos ter dito que não cortaria no subsídio de natal e nos salários.É verdade que não foi isso que aconteceu , mas também é verdade , que parte substancial do programa eleitoral foi realizado.
Parece que os camaradas estão todos muito receosos que haja eleições antecipadas, Cavaco pode se quiser , colocar um fim nesta encenação institucional , basta-lhe para tal nomear Jerónimo de Sousa como primeiro ministro ou Catarina Martins e a consagrada maioria de esquerda terminaria nesse dia.

De jpferra a 26.10.2015 às 15:02

pois essa da inteligência cola-se a ti como cuspo. Não o cavaco não pode fazer isso, sem ser por iniciativa do 2º partido mais votado, tudo o que for para além disso até te pode dar tusa mas é inconstitucional.

De Carlos a 26.10.2015 às 15:25

Boa tarde ;

Não fico com uma erecção por tão pouco. Cavaco não pode fazer isso ? Informe-se melhor.
Apesar de não o demontrar muito acertivamente , fico contente por se incluir no rol dos inteligentes.

De jpferra a 26.10.2015 às 17:28

Não tenho que demonstrar isso nem o seu contrário, ao contrário de ti.

Aqui vai um boneco do insuspeito "ECONÓMICO"

http://economico.sapo.pt/noticias/governabilidade-cenarios-para-os-proximos-capitulos_232739.html

De Carlos a 26.10.2015 às 20:47

Boa noite ,

Fiquei a saber que até já sabe coisas por mim , excelente. Só por mero acaso não me recordo de alguma vez lhe ter pedido para demonstrar fosse o que fosse , deve ser do cuspo.

De Joe Strummer a 23.10.2015 às 16:51


https://www.youtube.com/watch?v=5-CS9DEC1_E

Dedicado ao Nuno Magalhães.
A única tradição irrevogável é assumirmos os nossos filhos...perdão "erros".

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