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09
Jul

Passa o tempo, e continua a ser surpreendente a facilidade com que estes pulhas persistem na mentira. Lembram-se das razões apresentadas para os cortes drásticos nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento? Eu lembro: tanto Nuno Crato como Miguel Seabra (presidente da FCT) vieram dizer que se deviam a uma alteração de base no modelo de financiamento da investigação em Portugal. A aposta deixaria de ser feita na investigação individual e os fundos passariam a ser canalizados preferencialmente para as unidades de investigação, que teriam a liberdade de gerir o seu orçamento e atribuir bolsas a quem entendessem, com menos intervenção da tutela e da FCT. E o que vemos, apenas três meses depois? O mesmo corte brutal no financiamento dessas unidades de investigação, que levará inevitavelmente ao encerramento da maioria, muitas das quais tinha classificação de "excelente" em anos anteriores. Pior, os critérios usados pelos avaliadores são incompreensíveis em muitos casos, e existem erros grosseiros na avaliação. O organismo contratado pela FCT (é sempre tão chique, contratar estrangeiros para tratar das nossas coisas) não tem qualquer crédito e está mesmo prestes a ser substituído por outro. Um exemplo: numa das unidades de investigação que ficaram sem financiamento, foi considerado um ponto negativo o facto de terem sido feitas traduções de Kierkegaard e Aristóteles para português, sendo sugerido por um dos avaliadores que os textos filosóficos deverão ser conhecidos e estudados no original. Em dinamarquês e grego antigo, portanto. Maravilhoso. Outro exemplo: o CIES-IUL também não vai receber fundos e um dos argumentos da avaliação é o de que a área das migrações e das desigualdades sociais está "esgotada" em termos de investigação. Brilhante.
Cortam a eito, sem qualquer preocupação com a qualidade da investigação, e mentem, mentem, mentem, sobre isso, desavergonhadamente. Digam-me lá o que esta gente merecia?

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5 comentários

De André Nóbrega a 09.07.2014 às 01:11

Por uma questão de respeito por este espaço que não é meu, não digo o que esta gente merecia.
"os textos filosóficos deverão ser conhecidos e estudados no original." » !"#$%&/()=?

De Sérgio Lavos a 09.07.2014 às 01:15

E olha que é um dos institutos mais respeitados da área da filosofia, podes ter a certeza.

De André Nóbrega a 09.07.2014 às 01:26

"o CIES-UNL também não vai receber fundos e um dos argumentos da avaliação é o de que a área das migrações e das desigualdades sociais está "esgotada" em termos de investigação." - Isto parece piada de 1 de Abril de tão nonsense.

De Sociólogo a 09.07.2014 às 11:25

Toda a razão! Um processo de avaliação vergonhoso destinado a destruir o sistema científico nacional. A propósito, é o CIES-IUL (do ISCTE-IUL) e não CIES-UNL (que seria da Nova).

De Anónimo a 09.07.2014 às 14:04

Equipa sem talento chega longe numa combinação de jogo sujo, favorecimento de árbitro e cometendo faltas sucessivas sobre os seus adversários e quando é finalmente posta à prova destrói as esperanças de uma nação. Brasil 2014? Não, Governo de Portugal 2011-2015.

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