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18
Set

"As minhas primeiras palavras enquanto presidente do Novo Banco são – como não podia deixar de ser – dirigidas aos colaboradores, ontem numa reunião na Sede e hoje através desta mensagem.

Apesar das questões e dificuldades que todos sabemos existirem, o projeto do Novo Banco assenta na melhor equipa de banca em Portugal. Sei bem do que falo, sobretudo quando, tendo trabalhado na concorrência, me recordo da multiplicidade de clientes e operações perdidas para este banco. Foi convosco que o banco se tornou líder nos principais segmentos de atividade e uma referência na inovação e qualidade de serviço.

O nosso mandato é claro: estamos aqui para recuperar e criar Valor para a nossa instituição e assegurar que voltamos a ocupar a posição de liderança que o mercado nos reconhece, através das competências que nos distinguem: qualidade de serviço e dinâmica comercial, nacional e internacional, sempre apoiadas na eficiência das áreas de suporte. Temos de voltar a captar clientes e a crescer em volume de depósitos e créditos de bom risco. Este é o nosso mandato – e não a discussão permanente sobre o modelo ou a data de venda.

Gostaria de deixar uma palavra de agradecimento ao Dr. Vítor Bento e à sua equipa pelo trabalho efetuado na estabilização do banco. Aos colaboradores do Novo Banco gostaria de deixar claro, em meu nome e em nome dos restantes membros do Conselho de Administração, que podem contar connosco, que saberemos ouvir, trabalhar em equipa e decidir. Conhecemos os desafios e as dificuldades existentes e que não desaparecerão de um dia para o outro. Mas sabemos também que “arregaçar as mangas” e não ficar "de braços cruzados" é a única forma de assegurar o futuro deste banco e dos seus colaboradores.

“Mãos a obra”, que o Novo Banco é essencial para todos nós, para as famílias e empresas do nosso país e para o futuro de Portugal.

 

Eduardo Stock da Cunha

Presidente"

 

É assim mesmo que o novo presidente do Novo Banco se dirige aos colaboradores. Nem bom dia ou caros colaboradores no início da mensagem. Criou, aliás, uma sensação ainda maior de desconfiança dentro da equipa que tanto elogiou - recorrendo até aos tempos em que era concorrência -, já que a ideia que solidifica neste momento na grande maioria dos departamentos é "pensa que está a enganar quem?". A clareza do mandato esconde, no entanto, o objectivo principal: a venda. O sindicato já pediu uma reunião com a nova administração, alegando que a alteração no modelo de desenvolvimento do banco consubstancia a venda imediata. E se todo este processo tem sido péssimo para a imagem da instituição (o BPN tinha 20 anos, mas o BES tem 145), pior ainda tem sido para a confiança interna dos funcionários. Todos os dias há rumores diferentes. Hoje é que quem tem menos de 15 anos de banco vai receber carta de rescisão. Ontem era que quem não tivesse filhos seriam os primeiros a serem despedidos. A verdade é que uma boa parte dos colaboradores (cerca de 1400) pertencem ao denominado ACE (Agrupamento Complementar de Empresas), não sendo por isso considerados bancários.

Entretanto, em reunião do conselho de administração, foram ontem "despachados" os últimos quatro administradores do tempo de Ricardo Salgado que sobreviveram ao Novo Banco. Jorge Martins (Área Comercial Norte); João Freixa (Sul); João Mello Franco (Marketing e Private Banking, que o Jornal de Negócios, citando o Diário Económico, diz que será o substituto de Granadeiro na PT); e Miguel Rio-Tinto (Informática) "tomaram a iniciativa de apresentar o pedido de renúncia aos cargos de membros do Conselho de Administração deste Banco", pode ler-se no comunicado com data de 17 de Setembro.

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