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20
Abr

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Passados cerca de cinco meses de Governo de esquerda, quase que nos esquecemos de que até Outubro ocupava o poder o pior conjunto de políticos que este país viu desde o 25 de Abril. Entrámos na normalidade institucional. Foi aprovado um Orçamento de Estado sem inconstitucionalidades e a cooperação entre os diversos órgãos de soberania - Assembleia da República, Governo, Presidência e Tribunal Constitucional - é serena e respeitosa. E aquela unanimidade burra em volta de coisas como "austeridade" ou "reformas" desapareceu, substituída por uma governação que depende da negociação com os diversos partidos representados na "casa do povo", o parlamento. As sibilas que durante semanas, meses, auguravam que as sete pragas do Egipto se abateriam sobre nós no momento em que perigosos comunistas tomassem o poder recolheram-se humildemente nos seus covis, apenas espreitando a cada flutuação dos mercados ou estrebucho das taxas de juro da dívida soberana. 

Não tem sido no entanto nada fácil, o caminho. O Governo enfrentou desde o início a resistência, não só da oposição (que teimava em reconhecer a derrota) mas também de uma legião de comentadores enraivecidos que, dos seus palanques mediáticos, iam perorando sobre a impossibilidade da situação. Mas, como toda a gente já deveria saber, a política é a conjugação dos possíveis, e, de possível em possível, chegou-se a um momento de estabilização. Aos olhos da União Europeia, o Governo passou a ser respeitado. E, imagine-se, sem subserviência. Claro que os vários desafios próximos (o PEC está prestes a ser apresentado, a economia continua estagnada no mundo inteiro) não serão fáceis de enfrentar, mas nada nos indica que não poderão ser ultrapassados, como tem acontecido até agora.

E depois, há o descanso. O descanso de sabermos que não temos um primeiro-ministro que diz coisas como a que esta noite recordei no Twitter (a propósito de um debate sobre o BANIF): o saudoso Passos Coelho que, em Setembro de 2015, garantia que o "dinheiro emprestado ao fundo de resolução está a render" foi-se, desapareceu. Sim, eu sei, eu sei que há por uma figura vagamente parecida com ele. Mas não passa de uma assombração, lúgubre espectro, triste figura. Ele e o seu pin, Dom Quixote e Sancho Pança. Primeiro-ministro no exílio que se recusa a falar na Assembleia da República e inaugura escolas abertas há anos, dizendo de vez em quando coisas sem nexo a que ninguém liga. A sombra do que foi, e do que disse: tanta coisa absurda, afrontosa, miserável. Como estas maravilhosas afirmações sobre o dinheiro que o Estado tem no fundo de resolução. Num momento em que o actual Governo tenta apagar o fogo deixado aceso pela sua incompetência, pelo seu oportunismo eleitoral, no Novo Banco e no BANIF, recordar estas palavras serve de lição, aprendizagem de uma herança negra. E também nos ensina muito sobre o homem sem qualidades que, por acaso do destino, foi nosso primeiro-ministro durante quatro anos. Não queremos ver novamente esta alma penada a pairar sobre o país. Também esta responsabilidade pesa sobre os ombros do Governo e dos partidos que o apoiam. Seria bom, muito bom, que não falhassem.  

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6 comentários

De Passos Coelho a 20.04.2016 às 06:53

Caros compatriotas e campatriotos,

Enfrentamos hoje desafios extraordinários: a banca precisa da nossa ajuda, os oligarcas (os nossos e os angolanos) requerem apoio e os boys do PSD necessitam de tachos. Assim, e com o beneplácito da nossa senhora de Fátima, apelo aos sacrifícios do portugueses, dê um pouco de si para que um banqueiro ou um boy não tenham de sofrer. Os portugueses demonstraram no passado recente do que são capazes, não tenho dúvidas, por isso, que saberão estar à altura.

saudações calorosas,

Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro legítimo de Portugal (como, aliás, o pin na lapela prova)

De francisco godinho a 20.04.2016 às 09:21

deves ser funcionário publico porque de outra maneira não falavas assim este governo esta a levar o pais para miséria e para a banca rota boa sorte

De Anónimo a 20.04.2016 às 12:52

Sr. Godinho, creio que se trata de PURA IRONIA, faculdade que falta, infelizmente, ao que foi alcunhado de 1ª Sinistro e seu correLEGIONARIOS, durante QUATRO TENEBROSOS anos.

De Passos Coelho a 20.04.2016 às 16:02

Caro francisco:

Gostaria de o contratar para troll ao serviço do PSD em blogs e afins, é que o senhor tem as características exigidas: défice cognitivo e tendência para o sectarismo.

Estou certo de que esta é uma colaboração que frutificará. Se estiver interessado entre em contacto com o meu capanga: o Carlitos.

melhores cumprimentos,

Pedro Tecnoforma Coelho

De Jaime Santos a 20.04.2016 às 18:25

Receio bem que quando diz que o Governo é respeitado na UE esteja a ser otimista . A cultura democrática do PPE não é a melhor por estes dias e espere pela apresentação do PEC para (re)começarem as pressões vindas de Bruxelas ou Berlim. Aliás, basta olhar para a tolerância com o que se passa na Hungria ou na Polónia, ou com as atitudes destes Países quanto à crise dos refugiados para percebermos isso. A nossa avantesma conta mais com as ditas pressões para regressar ao Poder do que com a prole inepta de comentadores mais ou menos avençados com o Poder Económico...

De maria mendes a 20.04.2016 às 22:45

o problema é que não foi por acaso do destino, mas por vontade da maioria dos votantes e, isto sim, cria, lamentavelmente, estes primeiros ministros.

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