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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

30
Ago14

Lamacento

David Crisóstomo

 

 

Habituem-se, que isto mudou”. Mudou, mudou para isto.

António José Seguro decidiu deixar de se anular. Após 3 anos de liderança, tinha chegado a altura de se revelar à população. De revelar o que lhe vai na alma, no espírito, de deixar de se ocultar, de deixar de fingir ser o que não era. Descobrimos que andámos a ouvir um António José Seguro em versão anulada, fingida, contida, falsa. Tínhamos um Secretário-Geral que, aparentemente, em privado era uma pessoa e em público anulava-se para se tornar naquilo a que assistimos. Aquilo que no último escrutínio eleitoral apenas conseguiu levar o seu partido a pouco mais de 30% dos votos, era um Seguro falseado. Após perceber que havia alguém que em público se tinha oferecido para levar o Partido Socialista para uma outra direcção, António José Seguro avisou-nos: agora verão aquilo que verdadeiramente elegeram. Os portugueses iam finalmente conhecer o homem que inúmeras vezes repetia: "Os portugueses conhecem-me".

Saiu-nos isto. Saiu-nos alguém que, quando desafiado para uma disputa interna e eleitoral, indigna-se, repete que "não merecia", que merecia sim, por tanto se ter anulado, ser ele o próximo primeiro-ministro. Que não, não ia sair, não há diretas nem congresso, do Palácio Praia ninguém o tirará. Ao perceber a quantidade de camaradas que estariam a optar por apoiar quem oferecia uma nova visão para o PS, arranjou uma maneira de empatar: criam-se primárias, põe-se de repente todo o país a votar. Ao ganhar noção que uma grande parte do país estaria disposto a votar no seu camarada, não hesitou e, no seu "verdadeiro eu", revelou-se. Revelou o que achava de António Costa e dos que o apoiavam, revelou que achava que os interesses, o tal "partido invisivel" que ele sempre viu, o clã dos corruptos, estava com o presidente da câmara de Lisboa. Ele era puro, ele era contra os a "corte iluminada de Lisboa", contra os "negócios", ele cumpria sempre o que prometia, ele não roubou, com ele podiam contar para tudo e para todo o sempre. Já o outro, não queria debates, tinha medo, queria "o poder" dele, era um "assalto ao poder". Era tudo contra ele. Ele que "trouxe o Partido Socialista da lama cá pra cima".

Mudou para isto, para um populista que para se manter num cargo não hesita em insultar, em difamar os que dele discordam. Que não hesita em envergonhar os seus camaradas, em insinuar o quão uliginoso era alegadamente o seu partido antes da sua salvífica chegada.

 

Nunca o Partido Socialista nos seus 41 anos de existência esteve na "lama". O que infelizmente não significa que não haja quem, mesmo internamente, tente de tudo para conspurcar a sua história. 

 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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