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Não deixa de ser curioso que tenha sido na Roménia que Cavaco Silva sublinhou o reconhecimento das instituições internacionais face às reformas estruturais em curso e aos compromissos assumidos pelas autoridades portuguesas.

 

Foi precisamente nesse país, convém relembrar que "no início dos anos oitenta, Ceauşescu decidiu reforçar a credibilidade internacional do seu país através da liquidação da enorme dívida externa da Roménia. As agências do capitalismo internacional - começando pelo Fundo Monetário Internacional - ficaram encantadas, não poderiam elogiar o ditador romeno o suficiente. (...)

 

Para pagamento dos seus credores ocidentais, Ceauşescu aplicou uma pressão implacável e sem precedentes sobre o consumo interno.  (...) O Conducător romeno começou a exportar cada mercadoria disponível produzida internamente. Os romenos foram forçados a usar lâmpadas de 40 watts em casa (quando a electricidade estava disponível), de modo que a energia pudesse ser exportado para Itália e Alemanha. Carnes, açúcar, farinha, manteiga, ovos, e muito mais foram estritamente racionado. Para aumentar a produtividade quotas fixas foram introduzidos para trabalho público obrigatório aos domingos e feriados (a corvéia, como era conhecido na França do ancien régime).  

 

O uso de gasolina foi reduzido para o mínimo: em 1986 um programa de criação de cavalos para substituir veículos motorizados foi introduzido. Carroças puxadas a cavalo tornaram-se o principal meio de transporte (...).  As políticas de Ceausescu tinham uma certa lógica macabra. Roménia conseguiu de facto pagar aos seus credores internacionais, embora ao custo de reduzir a sua população à penúria."*

 

*Tony Judt,  "Postwar: A History of Europe Since 1945" (tradução e negritos meus)

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