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Segundo o Diário de Noticias o Director do SEF admite ter agilizado processos uma vez que "tinha instruções políticas para tudo fazer para dinamizar os vistos gold".

 

O poder político mercantilizou a concessão de vistos e da nacionalidade com vista a obter "investimento" estrangeiro e dinamizar o mercado imobiliário. Por outras palavras, os "vistos gold" correspondem à institucionalização da flexibilização das regras a troco de uns milhares de euros.

 

Deste modo, com que legitimidade se pode punir quem diligenciou no sentido de dinamizar os vistos gold, mesmo que eventualmente em proveito próprio?

 

A hipocrisia das altas instituições políticas - os que consideram correcto "vender" a nacionalidade* são os mesmos que se pavoneiam com a bandeira nacional na lapela - redunda num “Government House utilitarianism", termo cunhado por Bernard Williams, que consiste numa filosofia moral segundo a qual apenas as elites possuem a liberdade para criar excepções às regras comuns, a bem do país, pois claro.

 

* Adenda: A concessão da nacionalidade não é automática, sendo necessário o preenchimento dos demais requisitos. O visto gold, porém, facilita em grande medida tal concessão. Obrigado ao @magalhães81 pelo alerta.

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6 comentários

De Joe Strummer a 18.11.2014 às 18:57


Não estava a refutar o teu texto mas mais o sentido da adenda q embora seja uma informação complementar ao texto é utilizado como argumento por parte dos defensores dos vistos gold.

No fundo as coisas são claras este é o programa da direita desde sempre. O argumentario e a retorica vão mudando atraves dos tempos mas o objectivo foi sempre a desigualdade e o desequilibrio social, que se consegue, não esquecer, atraves do controle das fontes de poder.

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