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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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13
Jul15

Euro über alles

CRG

Em 2013 escrevi o seguinte: 

Thomas Paine, em "Common Sense", alertava que se for permitido numa estrutura governativa a existência de um poder mais forte do que os demais este acabará por governar; e apesar de outros poderem bloquear momentaneamente ou servirem de contrapoder, os seus esforços serão contraproducentes; no fim os interesses daquele acabarão sempre por triunfar.

 

O triunfo dos interesses da parte mais forte será entendido, mais cedo ou mais tarde, pelos restantes como uma opressão. A sua manutenção na união torna-se numa obrigatoriedade - a opção menos má. Estes deixarão de se percepcionar como participantes livres, apenas como participantes numa farsa. Por sua vez, a outra parte olhará com desprezo os mais fracos: um peso morto sem um pingo de gratidão.

 

Um "casamento forçado" que criará novos ressentimentos.

 

Se à data do texto ainda era possível acreditar com uma dose elevada de optimismo que a UE poderia finalmente ser uma verdadeira união democrática, na qual os interesses desta como um todo fossem considerados em vez dos interesses individuais de cada país, hoje já não é possível negar que chegou o fim deste projecto de paz.

 

A hegemonia alemã tornou-se finalmente patente. A Zona Euro foi construída e é dirigida em seu benefício, na qual o Eurogrupo, uma instituição informal, conforme disse o seu Presidente, simboliza o conceito de pós-democracia de Crouch - "a post-democratic society therefore is one that continues to have and to use all the institutions of democracy, but in which they increasingly become a formal shell. The energy and innovative drive pass away from the democratic arena and into small circles of a politico-economic elite".

 

No entanto, esta hegemonia, criadora de ressentimentos entre os povos, acabará, mais cedo ou mais tarde, por levar ao fim da União Europeia. Uma espécie de asfixia auto-erótica monetária, na qual a Alemanha vai retirando prazer momentâneo, mas no fim e com a inevitável dissolução da UE, como país essencialmente exportador, que retira dividendos com uma moeda mais fraca e um mercado comum de 500 milhões, será o seu principal derrotado.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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