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11
Jul

Estado de Submissão

por David Crisóstomo

 

“Se o país achar que não é possível cumprir os compromissos com esta Constituição, sujeito à incerteza constitucional, o que tem de ser tem muita força”

 

“Vamos ter de ter um Governo de maioria depois das eleições. E não acredito que nenhum aceite governar no estado de submissão aos tribunais que este aceitou

 

Pires de Lima

 

Eu sou dos que não acha isto normal. Normal, aceitável, tolerável. Não me passa pela cabeça que se tolere que um ministro de um estado de direito democrático afirme uma visão destas. Afirme publicamente a sua visão do que é "governar", do que é exercer o poder executivo, e de quais são os limites deste. Ou da ausência de limites, como parece ser o caso. Parece que para o senhor Ministro da Economia do XIX Governo Constitucional da República Portuguesa o "que tem que ser tem muita força". Um nova versão do "custe o que custar" do senhor Primeiro-Ministro. Custe o que custar, com muita força, nada os deterá, quais revolucionários em marcha. Marchar, marchar, e não serão coisas menores e banais como são os tribunais que os irão parar. Recusar o estado de submissão dos governos aos tribunais, do poder executivo ao poder judicial, recusar a submissão perante a lei. Impor sim a submissão da lei perante "os compromissos". Contra o império da lei, triunfarão, com os grandes saltos em frente a que nos têm habituado. E a verdade é que nos habituamos, habituamo-nos, como se fosse rotineiro, a ouvir estas frases aterradoras de quem parece não compreender o seu verdadeiro significado, de quem muito pouco compreende. Uma limitada compreensão sobre o que é o sistema político descrito na Constituição. São manifestações de desprezo pelas instituições, de desprezo pelo regime que há 40 anos nos rege e que nos proporcionou o maior aumento da nossa qualidade de vida na nossa história. É desprezo pela história, pelo passado, pelo que se passou. É a refundação, é o homem novo, é novo normal. Desculpem-me, mas eu sou dos que não acha isto normal.

 

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3 comentários

De Joe Strummer a 11.07.2014 às 15:25


Até doi.
A questão é quem pode acabar com esta indecência. E o acabar não é possivel com uma simples alternância de poder, o que estes utlimos estupidos anos ensinaram é que houve uma tremenda mudança de autoridade nas sociedades capitalistas e pior na poortuguesa. Como disse Darhrendorf, a nova classe dominante deve ser analisada não em função da detenção de propriedade mas da posse de autoridade, ou melhor da gestão de autoridade. O seu objectivo é controlar os processos sociais e não a propriedade, esta é simplesmente uma consequência.
Quem se quer sacrificar a essa luta e com que custos? E não vale meia-luta ou uma abordagem suave e falsamente consensual, que só demonstra a aceitação da derrota. A luta é precisamente nivelar ou contra-nivelar as relações de poder como Socrates tentou fazer , os tribunais, os media, os corporativismos, os lambe cus, o oportunismo de uma esquerda cega aliada estrategica da direita etc...e aceitar pagar o mesmo preço. Costa é capaz ? Não me parece, mas desejava que sim, e tropas não lhe faltam.

De Joe Strummer a 12.07.2014 às 08:20



O Costa afinal quando é "apertadinho", deita-se...

http://www.ionline.pt/artigos/portugal/costa-afasta-se-socrates-causa-face-oculta

E isto não tem nada a ver afinal com o julgamento que faz com a governação do governo socialista anterior, q já poderia ter feito antes, mas sim com a necessidade de arranjar apoios mediaticos, e esses apoios exigem-lhe que se afaste do demo, do socrates. Este tipo de noticias, não caem nos jornais assim, apesar do vomito q é a ana sá lopes (uma desiludida do socialismo real ) as diferenças devem ser indicadas pela entourage do Costa (assim como hoje no
DN o Marcelino tambem nota uma frase diferenciadora, embora de sinal contrario, apaziguadora do eleitorado mais à direita) para saciar a necessidade dos media pundits e arranjar o goodwill necessario. A politica é assim mesmo? Se calhar é, mas um lider com capacidade de mudar alguma coisa não é assim. Costa ainda não mostrou nada de diferenciador para alem da aura e de beneficiar grandemente de uma comparação com uma amiba (seguro).
Acho q ainda não demonstrou ter o q é preciso, não é um politico decisivo.Até ver não tem cojones e cede á baixa politica.

De Anónimo a 12.07.2014 às 21:58

O Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição (se é boa ou má é outra questão) não pode deixar passar em claro estas afirmações (se se confirmarem) de um membro do governo por si empossado. Deve impor imediatamente a exoneração do ministro.
Caso contrário, qual o valor do seu juramento?

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