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29
Jun

Neste momento não existem boas soluções para a Grécia,. Se elas alguma vez existiram, em algo mais do que a cabeça de pessoas bem intencionadas, os dias que temos vindo a assistir na Europa encarregaram-se de acabar com esses sonhos utópicos.



Aqueles que governam a Europa já não se preocupam com os europeus. Preocupam-se antes com os seus eleitores, com os seus votos, com a sua carreira política. O ideal de solidariedade europeia, a argamassa de um projecto comum de paz, livre comércio, e intercâmbio político, económico e social, já não impera nas decisões de Bruxelas.



Porventura, este estado de coisas era inevitável. A União Europeia sempre foi uma falsa união. Incapaz de dar o salto para uma verdadeira união política, ficou-se pelo fac-símile de uma união económica e monetária, que na realidade nunca dispôs de instrumentos apropriados para tal.



A hubris de quem, sociais-democratas, socialistas, conservadores e liberais, achava que as futuras crises europeias iam aprofundar os mecanismos de integração, visto que as alternativas seriam impensáveis, é hoje trágica. O poder na Europa, da Esquerda à Direita, está hoje nas mãos de quem realmente pouco difere no seu objectivo fundamental: a obediência cega aos mercados, ou diremos nós aos seus mestres. À luz desse objectivo, qualquer desvio da ortodoxia neoliberal é impensável. Mesmo que seja uma necessidada absoluta da economia, ou de simples decência humana.



É um facto comprovado, e reiterado, que a Grécia é incapaz de ultrapassar a sua profunda crise económica e social sem uma reestruturação da sua dívida, e sobretudo sem um alívio dos pagamentos dos juros da dita. As actuais, e futuras, medidas de austeridade apenas agravam a situação negativa vigente. No actual contexto da austeridade idiótica e punitiva de Bruxelas, e do FMI, não existe qualquer possibilidade para haver crescimento económico grego. E sem crescimento económico, não poderá repagar os empréstimos que já recebeu, ou que ainda poderia receber.



Os gregos estão assim entre a espada e a parede. Ou se submetem ao ultimato de Bruxelas, em que o único resultado seria mais desgraça e miséria, sem efeitos práticos, ou rompem com os credores e o Euro, procurando uma via alternativa através da desvalorização de uma nova moeda própria, entrando numa nova situação de contornos imprevisíveis.



É esta a escolha que têm em mãos.



Por culpa da Europa. Por culpa de todos nós.

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