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17
Jun

Envergonhar o partido

por David Crisóstomo

Mas que brilhante naco de pensamento político:

 

"Espero que os deputados não utilizem o seu cargo para fazer política partidária. Foi isso que 45 deputados fizeram. Não respeitaram o seu mandato, afrontaram o secretário-geral e o partido, utilizando o seu cargo de deputado para fazer política partidária. E isso envergonha o partido."

 

Ora, umas dúvidas rápidas, que daqui pouco tenho que ir ali a um restaurante lisboeta conspirar contra a província:

  • Óbvia contradição: os deputados não devem fazer "politica partidária" mas devem preocupar-se em não afrontar o partido e o secretário-geral e não "envergonhar o partido"?
  • O que é "utilizar o cargo para fazer politica partidária"? Os deputados intervieram em plenário ou nas comissões parlamentares para falar da vida interna do partido? Estavam numa missão parlamentar em Bruxelas e foram para a praça do Luxemburgo gritar "Tozé, marca o Congresso!"?
  • Desde quando é que os deputados do PS estão impedidos ou limitados na sua liberdade de expressão devido ao cargo para o qual foram eleitos? É este o modelo de deputado defendido pela actual direcção do Partido Socialista? Os deputados do PS não representam os valores do PS na Assembleia da República? Não são todos militantes do PS? Com que autoridade determina o Eurico Brilhante Dias o que devem eles ou não comentar?
  • Assim de repente, o António José Seguro não é deputado? É, não é? E esteve recentemente numa cena no Porto onde estiveram 2000 1000 800 476 bué pessoas a fazer o quê?
  • Se assinar um documento a apelar à presidente do partido (também deputada) para marcar um congresso extraordinário é "desrespeitar o mandato" de deputado, faltar propositadamente ao debate no plenário de uma moção de censura ao governo é o quê?
  • A eurodeputada Ana Gomes ou o deputado João Soares, que têm aparecido nos órgãos de comunicação social a apoiar António José Seguro, não estão a "desrespeitar o seu mandato"?
  • O Eurico Brilhante Dias quando vai a conferências ou à comunicação social falar de assuntos da Assembleia da República está a "desrespeitar o seu mandato" de membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista?
  • Os deputados ao pedirem um congresso extraordinário à presidente do partido estão a afrontar o partido? Porquê? Deviam antes ter ido à TVI24, era?
  • Como é que querer um congresso extraordinário é afrontar o partido? O partido é António José Seguro? E não se pode afrontar António José Seguro?
  • Haver deputados militantes do PS a dirigirem-se à presidente do partido "envergonha o partido"? A sério?
  • E ter um Secretário-Geral a ir para o Facebook culpar um presidente de câmara pelas sondagens que indicam a derrota do PS numas próximas legislativas não "envergonha o partido"?
  • O Eurico Brilhante Dias defende que os deputados eleitos para representar todos os cidadãos portugueses no parlamento nacional não devem ter qualquer iniciativa que não seja controlada ou aprovada pela direcção do partido? Voltámos a 2012? É esta a "nova forma de fazer política"?

 

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3 comentários

De Jaime Santos a 17.06.2014 às 23:04

O problema principal dos seguristas é recusarem a existência de um problema com a linha e prática política da Direcção do PS. Para eles, o problema da falta de adesão do eleitorado ao PS não está nisso, mas no desafio de Costa, na separação entre eleitores e eleitos (que se repara remendando o sistema eleitoral e reduzindo o número de deputados) e sabe-se lá que mais... Claro, há depois as questões dos ataques pessoais, ou a tentativa de colagem de Costa à Direita (!), ou a blindagem dos estatutos e transformação do PS num Partido Sidonista (fraco Sidónio este) e por aí a fora. Mas quero crer que a generalidade dos apoiantes de Seguro não alinha nisso e é mesmo uma mistura de despeito e de 'dissonância cognitiva' que está a causar toda esta acrimónia. É pena, porque Seguro vai provavelmente partir irremediavelmente o Partido se ganhar. Se for Costa a ganhar, como espero, terá muita dificuldade em apanhar os cacos...

De Anónimo a 18.06.2014 às 11:58

E no primeiro CONCURSO ANUAL de IRREVOGABILIDADE, em homenagem a esse momento clássico da nossa história política, é com imensa satisfação que anunciamos que o vencedor este ano, pela blindagem dos estatutos do seu partido que passaram a não prever qualquer mecanismo legal de substituição do líder do seu partido antes de eleições legislativas, mesmo se o dito líder for condenado por peculato ou qualquer outro crime, é ................ ANTÓNIO JOSÉ SEGURO!!

Seguro acumula o prémio com o de RETROACTIVIDADE, visto os novos estatutos terem entrado em vigor já depois da sua eleição e no entanto terem tido efeitos retroactivos. Um galardão muito concorrido este ano! Um verdadeiro democrata!

Em declarações, Seguro afirmou embevecido: «É verdade, meus amigos. IRREVOGÁVEL SOU EU. Sempre quis fazer história e é com imenso orgulho que trabalho para ser o ÚLTIMO SECRETÁRIO GERAL do PS.»

De Knome a 18.06.2014 às 13:45

O problema dos socialistas é o de sempre, independentemente de quem lá esteja. Se está na oposição é mais bloquista do que o bloco, se está no governo, se há dinheiro gasta, se não há pede emprestado, se não emprestam, abre falência.
Depois há sempre uma 3ª via qq, com as mesmas banalidades de sempre, tipo, aumentar a riqueza. Fica bonito e estamos todos à espera desse aumento...que, ou muito me engano, deve ser à conta do orçamento e para distribuir em salários e subsídios.
Triste País este.

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