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12
Mar

Sobre a premência da reestruturação da dívida portuguesa - de resto, defendida desde 2011 pelo BE e pelo PCP, é preciso não esquecer -, e a sua insustentabilidade, deixo aqui estes dois artigos*, um publicado em Fevereiro passado no New York Times: 

“Portugal’s debt is just not sustainable,” Mr. Salanic said, as he tucked into a heaping plate of eggs and potatoes. “In fact, it is even more unsustainable than Greece.”

E o outro um comentário ao relatório apresentado pelo analista do hedgefund que apostou na bancarrota de Portugal:

"Portugal alone is enough to sink the Eurozone given ECB leverage.

I have said repeatedly there is absolutely no way the Eurozone can stay intact and the above analysis strongly supports my claim.

That bond yields are so low in spite of the fundamentals is not an indication things are getting better. Rather, it is a strong sign of a bubble-supportive speculative mentality that central banks have fostered.

I do not know what the catalyst for a breakup will be, or when it happens, but Portugal is clearly back on my radar of things to watch. 
"

Os sacrossantos "mercados", tão adorados como temidos pelo Governo, sabem bem que nada do que está a ser feito tem qualquer consistência ou credibilidade. Para Portugal pagar a sua dívida, precisa de crescer economicamente a um ritmo que apenas a China apresenta, uma impossibilidade prática. Mas lá vamos cantando e rindo, caminhando em direcção ao abismo, pela mão de um primeiro-ministro que acusa de "irrealismo" quem apenas se limita a constatar o óbvio ululante. E quanto mais tempo vai passando, mais irremediavelmente endividados vamos ficando. E é a isto que chamam "sucesso do programa de ajustamento".

 

*Via Luís Menezes Leitão.

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8 comentários

De aquaporina a 12.03.2014 às 09:46

Não sou economista, mas parece-me que mesmo que nos perdoassem toda a dívida, isso não resolvia os nossos problemas. Sem uma alteração dramática da estrutura do euro e da união europeia não vamos lá das canetas, pois não me parece que a nossa situação melhore sem crescimento económico.

De Sérgio Lavos a 12.03.2014 às 10:20

O perdão total da dívida é não só impossível como um erro grave, dado que a maior parte da dívida está agora nas mãos de bancos nacionais. Mas com reestruturação que levasse a uma significativa diminuição dos encargos com o serviço de dívida - juros e vencimento de OT's - o défice diminuiria e haveria mais dinheiro para investimento, que levaria a economia a respirar.

De aquaporina a 12.03.2014 às 16:07

Eu concordo com a reestruturação da dívida, é, de facto, impagável. Mas para além disso, a forma como a UE está arranjada vai impedir a nossa convergência com os países mais desenvolvidos. O homem de boliqueime diz muitos disparates, mas uma coisa parece certa: a austeridade, no actual estado das coisas, veio para ficar.

De makarana a 12.03.2014 às 09:58

Isso pode conduzir á saída do euro e ao agravamento da austeridade não é Sérgio? Embora a reestruturação seja uma boa ideia,esta só pode ser posta em marcha com o acordo dos parceiros europeus.De forma unilareral, a emenda pode ser pior que o soneeto

De Sérgio Lavos a 12.03.2014 às 10:18

Não há reestruturação de forma unilateral, a isso chama-se não-pagamento. O que o manifesto propõe é uma negociação com os parceiros europeus de parte da dívida - a parte acima dos 60% - que incluirá adiamento de pagamentos, melhores juros, etc. Eu até acho que não vamos lá sem um perdão parcial, mas o manifesto tem pelo menos o mérito de obrigar as pessoas a discutir esta inevitabilidade.

De makarana a 12.03.2014 às 10:22

Pois..mas sabe que os parceiros europeus estão muito relutantes em aceitar esses planos.Mais depressa e faria uma unilateral,com as consequências dai advindas...

De Sérgio Lavos a 12.03.2014 às 10:26

Estão relutantes, claro, mas não ajuda nada termos um Governo que defende os interesses dos parceiros europeus do Norte, e não os de Portugal. Até agora, não sabemos o que poderia ter acontecido se tivesse havido uma união dos países periféricos na negociação da austeridade, logo em 2010/2011. O que sabemos é que agora temos muita mais dívida para pagar do que há 3 anos, e com o PIB mais pequeno, portanto sendo mais difícil pagar. Isto é certo.

De makarana a 12.03.2014 às 10:36

Sérgio,este tema da convivência europeia é muito complexo,sem espaço a simplismos.Não creio que seja bem essa atitude do atual governo,porque é parecida com a que o anterior governo do PS teve.E mesmo dando eu de barato que a atitude do atual governo seja de complacência com o norte da europa,a verdade é que não somos nós que mandamos,não somos nós que decidimos.A nossa palavra,mesmo com Seguro,Caatarina Martins ou Jerónimo,vale o mesmo.
Se tivesse havido uma união,provavelmente tínhamos sido mandados sair da Zona Euro.
Eu naturalmente que concordo com uma resposta europeia mais vigorosa.Mas nós tínhamos a nossa parte por fazer,e tínhamos um défice orçamental gigantesco para reduzir,que estava em 10%.Em 2009 não tivemos austeridade e o défice atingiu os 10%.Tinhamos demasiado crédito

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