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Sampaio da Nóvoa é candidato a Presidente da República. Ainda bem. 

Ele foi, e neste momento será o melhor cartão de apresentação dele que me ocorre, o homem que teve a coragem de dizer ao País, na presença do actual Presidente e de Passos Coelho (vale muito a pena ver as reacções e ouvir tudo) o que precisava de ser dito. Palavras duras, mas justas e entregues sem gritaria nem demagogia. Um homem que tem esta coragem está mais que no seu direito de se candidatar:

 

 

É verdade que Sampaio da Nóvoa é pouco conhecido no País, mas não podemos continuamente clamar pela necessidade de a sociedade civil gerar alternativas aos "mesmos de sempre", "políticos de carreira", "gente que vive da política e nunca fez nada na vida" (o que em si mesmo é debatível, mas não é isso que interessa agora) e depois afastarmos quem não tem carreira pública porque "é inelegível". 

É verdade que Sampaio da Nóvoa regularmente arrebata plateias, da Aula Magna à Gulbenkian, mas que elas dificilmente representam o País. É verdade que, como académico de sempre, nem sempre o seu discurso é fácil de digerir ou se percebe sem um módico de concentração pouco comum no leitor apressado que hoje é dominante. 

É, por fim, verdade, que quem não conhece a Academia não sabe que um Reitor é um gestor de topo, um executivo, e é fácil colar aos académicos o rótulo de "teóricos". 

E por estas razões, tive muitas hesitações, especialmente quando Sampaio da Nóvoa intervém no Congresso do PS, num momento em que, talvez porque não foi inteiramente fiel a si próprio, ficou muito aquém do que nos habituou.

Tudo isso fica resolvido hoje: se queremos um País diferente temos de arriscar fazer diferente. Nunca duvidei que daria um bom Presidente, apenas, num primeiro momento, que fosse elegível. Mas isso é duvidar de nós próprios, enquanto País.

Merecemos, colectivamente, a oportunidade de mostrar que sabemos escolher. Que preferimos um humanista a mais um "ás" do excel. Que sabemos valorizar um homem que serviu sempre o interesse público, e que é impoluto. Que sabemos distinguir ideias de sound-bytes mesmo que isso demore mais do que 30 segundos. Que sabemos ver um homem bom, inteligente e preparado quando ele nos oferece o melhor de si. 

Terá o meu voto. E espero que os suficientes para nos poder servir a todos. Depois de Cavaco Silva, que tem feito da Presidência o menos que ela pode ser, seria um salto quântico. 

 

PS - Disclaimer da ordem, Sampaio da Nóvoa foi, durante muitos anos, o meu Reitor. Teve a visão de, com o actual Reitor, Cruz Serra, somar a Universidade de Lisboa e a Técnica, para nos dar dimensão e transversalidade no Mundo. Contra ventos e marés. Julgo que só por isso o País lhe devia já muito. Mas se ele nos quiser dar mais, só podemos aceitar.

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8 comentários

De Joe Strummer a 04.04.2015 às 09:30

Bah! A sociedade imaterial de esquerda. Patois, piadas, textos e discursos bonitos. O eterno anjo incompreendido. I'm out.

De Joe Strummer a 04.04.2015 às 11:05


Nota hagiografica de cedência ao populismo mediatico

"Que sabemos valorizar um homem que serviu sempre o interesse público, e que é impoluto"

Nunca tantos se declararam ou são declarados impolutos, esta adjectivação é menorizante para quem a recebe, porque por norma é intrinseco a quqlquer um. Talvez nunca tenha havido tão pouca corrupção como actualmente mas a sua percepção popular é inversa à realidade. Basta um sistema de Justiça à procura de credibilização com uma agenda populista, um sistema mediático que o potencie e uns tolinhos (ou midiotas) que o propaguem.



Nota de comentador politico com uma pitada de analise futebolistica:

"E por estas razões, tive muitas hesitações, especialmente quando Sampaio da Nóvoa intervém no Congresso do PS, num momento em que, talvez porque não foi inteiramente fiel a si próprio, ficou muito aquém do que nos habituou"

Um independente para ser aceite não deve ter qualquer aproximação ao PS, presente e principalmente passado, atribuindo-se tal falha de caracter ao facto de não ter sido igual a si proprio, como qualquer jogador que tenha de representar a selecção.Noblesse oblige.

De Joe Strummer a 04.04.2015 às 11:05


Nota hagiografica de cedência ao populismo mediatico

"Que sabemos valorizar um homem que serviu sempre o interesse público, e que é impoluto"

Nunca tantos se declararam ou são declarados impolutos, esta adjectivação é menorizante para quem a recebe, porque por norma é intrinseco a quqlquer um. Talvez nunca tenha havido tão pouca corrupção como actualmente mas a sua percepção popular é inversa à realidade. Basta um sistema de Justiça à procura de credibilização com uma agenda populista, um sistema mediático que o potencie e uns tolinhos (ou midiotas) que o propaguem.



Nota de comentador politico com uma pitada de analise futebolistica:

"E por estas razões, tive muitas hesitações, especialmente quando Sampaio da Nóvoa intervém no Congresso do PS, num momento em que, talvez porque não foi inteiramente fiel a si próprio, ficou muito aquém do que nos habituou"

Um independente para ser aceite não deve ter qualquer aproximação ao PS, presente e principalmente passado, atribuindo-se tal falha de caracter ao facto de não ter sido igual a si proprio, como qualquer jogador que tenha de representar a selecção.Noblesse oblige.

De Joe Strummer a 04.04.2015 às 14:59

E é isto a rapaziada da nova elite que quer mudar o ciclo politico. Texto elegiacos de uma suposta perspectiva intelectualizada que ainda não percebeu que o país já sabe ler e somar, enunciação de listas de votos de deputados como se vivessemos no parlamento inglês ( e mesmo aí , ui ui) e acreditar na primeira pagina do Sol desde que ela alimente um ódio particular.
Os rapazinhos da bolha.

De Lia a 04.04.2015 às 22:37

Lá se esqueceram da cancela aberta...

De Anónimo a 05.04.2015 às 10:50

Se a fusão entre a Técnica e a Clássica fosse a fusão de duas multinacionais farmacêuticas o que será que diria dos argumentos de 'ganhar dimensão e visibilidade'?

Sampaio da Novoa foi sempre do PS, não é um independente. Enquanto reitor da UL não só cozinhou com o Cruz Serra esta fusão sem razão de ser, meramente para o projectar, como aplicou uma política de direita: fez outsourcing de serviços; fechou a cantina nova. Viveu da imagem. Tomou posse do Museu de História Natural e Ciência, encomendou um estudo internacional sobre o seu futuro e depois fez tudo ao contrário. Enquanto o serviço educativo do museu definha sem um bom espaço entregou de mão beijada a antiga cantina da Politécnica a uma companhia de teatro porque a 'cultura' consegue mais votos do que a ciência.

É um sonso, já o é há anos, que gere a sua oportunidade de se projectar mas que nunca fez a diferença por uma política de esquerda.

Ainda gostaria de saber se as actividades que patrocinou no final do seu mandato em que a Aula Magna foi palco de Soares e companhia pagaram à universidade o que os alunos têm que pagar para usar a aula magna. Porque se a universidade não cobrou pelo aluguer da Aula Magna para a pré-campanha de Sampaio de Nóvoa, é bom que o senhor se chegue à frente e pague aquilo que passou a obrigar os alunos a pagarem para lá fazerem saraus culturais. Parece que só uma certa 'cultura' interessa.

Sampaio da Nóvoa não é de todo diferente dos políticos 'alinhados'. É um sonso e nunca gostei de sonsos.

De Atracção do Abismo a 05.04.2015 às 10:58

(já agora sou o mesmo anónimo do comentário anterior)

Há uma certa esquerda que tem atracção do abismo. Gosta de perder eleições.

Acho que o comentário do Eduardo Pitta é certeiro. http://daliteratura.blogspot.pt/2015/04/a-ver-vamos.html

"Pode ser que me engane, mas a Esquerda prepara-se com afinco para perder as Presidenciais de 2016. Não está em causa o currículo académico de Sampaio da Nóvoa. Mas uma eleição não se ganha com currículos académicos. Nem com oratórias no 10 de Junho (a convite de Cavaco) e na Aula Magna. Nem com entrevistas heterodoxas a Anabela Mota Ribeiro. Uma eleição presidencial ganha-se se houver empatia entre o eleitorado e o candidato. Para já, isso não acontece. Trezentos intelectuais ou para-intelectuais não chegam para derrotar os demagogos que estão na fila. O país profundo não faz a mínima ideia de quem é Sampaio da Nóvoa, 61 anos, doutor em Ciências da Educação, doutor em História, professor catedrático, duas vezes reitor da Universidade de Lisboa: 2006-08 e 2009-13. Sampaio da Nóvoa viveu grande parte da sua vida no estrangeiro (Genebra, Paris, Nova Iorque, São Paulo) antes de regressar a Portugal em 1986. Qualidades não lhe devem faltar, é com certeza melhor que os outros, e estou a incluir Marcelo nos outros, mas não chega. Oxalá me engane. A imagem é do Expresso de hoje. Clique."

De Joe Strummer a 05.04.2015 às 16:58


Para quem pretende mudar um ciclo politico atraves da Presidência da Republica este candidato tem varios problemas;

A mudança de ciclo politico depende de um apoio social e politico que não possui e que, ainda que eleito, não tem capacidade de executar devido às competencias de um PR.
A mudança depende assim do "ticket" presidente maioria e/ou das dinamicas entre as duas instituições. Ao escolher um timing que visa condicionar e pressionar o apoio do partido de esquerda em condições de formar uma maioria está a limitar as opções estrategicas deste ainda mesmo antes de apresentar o já "celebre" programa de governo. Nada nesta opção permite um alargar de votos que permitam uma vitória transformadora, até agora, trata-se somente de tentar condiconar o apoio do Ps à sua candidatura nos seus termos e no seu timing.Deja vu. Tipico de um certo frentismo de esquerda.
Não menos importante é o facto de para alem de dois ou três discursos bonitos não se conhecerem ideias suficientemente claras sobre; Justiça (a não ser que emigrava se houvessem mais politicos sobre suspeita ou coisa q o valha) o Euro, Economia, etc..
Tipico de um certo messianismo de esquerda.
O facto de ter o apoio de Mario Soares só dá razão a quem se lhe opõe, foi o responsavel pelas duas ultimas candidaturas do PS darem errado.

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