Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



12
Abr

Em nenhum lado

por David Crisóstomo

 

 

Indo directamente ao ponto: não é admissível que em 2016 a televisão pública portuguesa crie mais um programa de debate semanal onde não exista uma única voz feminina. Tenham lá paciência e um pouco de vergonha na cara. O problema não é novo, e não é exclusivo da comunicação social televisada. Há uma crónica ausência de mulheres a dar opinião no Público. Há uma crónica ausência de mulheres a dar opinião na Diário Económico (e na ETV). Há uma crónica ausência de mulheres a dar opinião no Diário de Notícias, na Sábado, no Jornal de Notícias, no Jornal de Negócios, no Expresso e no Correio da Manhã. Nos agora 7 programas de televisão de debate politico e análise da actualidade com comentadores regulares nos três canais informativos (Quadratura do Círculo, Governo Sombra, Eixo do Mal, O Último Apaga a Luz, Princípio da Incerteza, Prova dos Nove, Os Números do Dinheiro e O Outro Lado) contamos 27 comentadores, e entre eles o ridículo número de 3 mulheres. Se a estes adicionarmos programas de debate sem oradores fixos como As Palavras e Os Actos, Expresso da Meia-Noite e Prós e Contras, a contagem ainda piorará, sendo a presença feminina mais excepção do que regra. 

Numa altura em que temos um parlamento com mais de um terço de deputadas pela primeira vez nos nossos 196 anos de câmaras parlamentares eleitas e em que temos aquele que é o Governo mais "paritário" da nossa história (32% de mulheres, em ministras e secretárias de estado), seria de esperar que na imprensa tal proporção se reflectisse. Ou melhor, que nas opiniões a quem a comunicação social escolhe dar voz numa base regular, a proporção fosse ainda maior e exemplar para o poder político. Mas não. E o pior é quando o serviço público de televisão é exemplo paradigmático da hegemonia masculina nos actores do debate político. Quando nem o serviço público de televisão consegue fazer o "esforço" de nos seus comentadores ter representação mínima do género de mais de metade da população portuguesa.

Não está em causa (obviamente) o mérito dos oradores escolhidos para O Outro Lado. Apenas é patente uma incrível falta de noção (e abundância de descaramento, vá) de quem decide os nomes para criar, em 2016, mais um programa de debate político na televisão. Mais um onde não se lembraram de convidar uma mulher para se sentar à mesa.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

De Carlos a 13.04.2016 às 09:10

Não há mais mulheres a comentar política, porque elas não gostam de política, as mulheres preferem falar de maternidade e cozinha. Não venham para cá com esses temas fracturantes que só servem para dilacerar a sociedade portuguesa. Esquerdalhos!

De isabel a 13.04.2016 às 13:08

e o sr carlos vive em que século ??

De j. a 13.04.2016 às 17:17

O sr. carlos vive no século...ilustrado.

De Joe Strummer a 14.04.2016 às 15:11

De repente lembrei-me da "Barca do Inferno" do Nilton tão só porque o esquecimento é tão obvio no texto.
Verdade que existem poucas mulheres mas mesmo a maioria dos elementos masculinos são repetições e transmitem um olhar viciado sobre o que comentam. E esse é o principal problema, mudam os nomes dos programas (o naming dos programa só por si dava um estudo.) mas os comparsas são sempre os mesmos, os temas seguem uma medíocre agenda noticiosa sem qualquer interesse e profundidade e os angulos de analise são pobres.
No unico programa que aprecio "A cor do dinheiro" era benefico ter uma mulher, por mim seria a Teodora Cardoso, uma sosia credível de Ayn Rand. Fisionomicamente.

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • MRocha

    Se está na lei que devem ser públicas, cumpra-se a...

  • Jaime Santos

    Trump, além de mentiroso, é sobretudo um egomaníac...

  • Joe Strummer

    Pois, mas convem não deixar que noutro lado se ins...

  • Anónimo

    E estou eu contratado pelo estado à 16 anos.

  • Daniel Silva

    Sim, a tendencia é sempre a mesma. O aumento salar...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset