Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



"I saw the best minds of my generation destroyed by madness..."

Allen Ginsberg

 

Sessenta anos depois deste poema também assisto à destruição da minha geração  pela loucura, mas agora é a loucura da austeridade, que agravou e prolongou uma crise nascida da desregulação financeira. Como resultado um em cada três portugueses entre os 15 e os 24 anos não têm emprego, apesar do êxodo verificado - estima-se que apenas em 2013 terão emigrado mais de 100 mil portugueses. A este cenário acresce os desempregados acima dos 45 anos, que aguardam, sem grandes alternativas (em 2014 quase 70% dos desempregados não recebiam subsídio), que seja alcançada a sua idade de reforma.

 

Perante este cenário ainda há quem considere que o desemprego é uma opção, um capricho, resultado da falta de "esforço e flexibilidade". O importante é ir à luta. São assim estes seguidores da meritocracia, crentes num mundo justo, ao serviço da sua vontade e imune a factores exógenos e incontroláveis; também conhecido como umbiguistas. Mas como os percebo. É demasiado assustador ter consciência da própria fragilidade; é demasiado humilde atribuir à sorte parte do nosso êxito - o refúgio na mentira é o caminho mais simples para alcançar a tranquilidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

De Joe Strummer a 27.05.2015 às 14:24


What happened to us...

https://www.youtube.com/watch?v=qf1rZ8E3ToM

De Joe Strummer a 28.05.2015 às 15:15



What can't you say?



Slavoj Žižek

In our permissive times, a new form of the unsayable is more and more acquiring a ­central role: it is not only that certain things are prohibited to say – the prohibition itself is prohibited: we are not allowed to say openly what is prohibited.

Already in Stalinism, it was not only prohibited to criticise Stalin and the party publicly, it was even more prohibited to announce this prohibition publicly. If someone were to shout back at a critic of Stalin, “Are you crazy? Don’t you know that we are not allowed to do this?” he would have disappeared into the Gulag even faster than the open critic of Stalin. Unexpectedly, the same holds for the relations of domination in our permissive post-patriarchal societies: a modern boss is tolerant, he behaves like a colleague of ours, sharing dirty jokes, inviting us for a drink, openly displaying his weaknesses, admitting that he is “merely human like us”. He is deeply offended if we remind him that he is our boss – however, it is this very rejection of explicit authority that guarantees his de facto power.

This is why the first gesture of liberation is to force the master to act as one: our only defence is to reject his “warm human” approach and to insist that he should treat us with cold distance. We live in weird times in which we are compelled to behave as if we are free, so that the unsayable is not our freedom but the very fact of our servitude.

Daqui: http://www.newstatesman.com/politics/2015/05/what-can-t-you-say-stephen-fry-slavoj-i-ek-elif-shafak-and-more-say-unsayable

De CRG a 28.05.2015 às 15:19

Já não há trabalhadores, somos todos colaboradores.

De Joe Strummer a 28.05.2015 às 18:10

É.Já não se vende só a força de trabalho com mais ou menos horas, mais ou menos dinheiro, é pior, é-se obrigado a aceitar um estilo de vida, um package, numa chantagem constante. As empresas visam transferir o conflito para a esfera individual, torna-se uma questão de inadaptação. Exporta-se o conflito para dentro das pessoas. Uma violência.

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • MRocha

    Se está na lei que devem ser públicas, cumpra-se a...

  • Jaime Santos

    Trump, além de mentiroso, é sobretudo um egomaníac...

  • Joe Strummer

    Pois, mas convem não deixar que noutro lado se ins...

  • Anónimo

    E estou eu contratado pelo estado à 16 anos.

  • Daniel Silva

    Sim, a tendencia é sempre a mesma. O aumento salar...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset