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27
Ago

Elevador social

por CRG

Imaginemos um elevador num prédio (que para o caso segue a tradição romana dos residentes nos andares superiores serem os mais pobres). Este é um serviço essencial cujo encargo é dividido pelos condóminos segundo a permilagem da sua fracção autónoma, ou seja, de acordo com a percentagem de riqueza que cada um detém.

 

No entanto, os residentes do rés-do-chão alegam, e com uma certa razão, que não devem suportar os encargos com o elevador ou que o encargo deve ser proporcional ao andar que cada um ocupa, correspondente ao uso que fazem. 

 

Em virtude desta pressão ocorre uma alteração: os que usufruem do elevador pagam pelo seu serviço enquanto que os que conseguem atingir o seu andar pelos seus próprios meios deixam de contribuir. Esta mudança resulta num acréscimo de despesa para os condóminos dos andares superiores e na isenção de pagamento dos condóminos dos andares inferiores (que correspondem respectivamente aos condóminos mais pobres e mais ricos).

 

Assim, por um lado deixa de existir a redistribuição de rendimentos para o pagamento de bens essenciais, por outro acrescenta-se uma maior complexidade no seu pagamento, que nuns casos pode obrigar a que gestão do condomínio considere que não faz parte da sua função gerir algo que é usado por apenas uma parte dos seus membros.

 

Ao mesmo tempo as tarifas cobradas serão insuficientes para a manutenção ou investimento num novo elevador, as avarias irão multiplicar-se e o serviço piorar.

 

Passo seguinte: venda do serviço de elevador.

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

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3 comentários

De Emanuel Lopes a 27.08.2014 às 12:31

No entanto os contribuintes de Freixo de Espada à Cinta andam a sustentar os transportes altamente deficitários nas grandes cidades.

De CRG a 27.08.2014 às 13:07

E os contribuintes das grandes cidades queixam-se que andam a sustentar serviços públicos deficitários no interior: um ciclo vicioso de desagregação do espírito de comunidade.

Acresce que transportes públicos eficientes trazem benefícios que transcendem em muito a simples contabilização de custos/receitas do serviço: redução do consumo de petróleo e respectiva melhoria da balança comercial; diminuição de poluição; redução do stress e perda de tempo em filas de trânsito rodoviário e consequente aumento da produtividade e melhoria em geral da qualidade de vida, etc.

Cumprimentos.

De Joe Strummer a 27.08.2014 às 15:04


Acho que este filme já se passou em Inglaterra.

A utilização do automovel vai aumentar devido à subida de preços e pela ineficiência do serviço, enquanto a tendencia em Lisboa será a de impor cada vez mais barreiras à circulação de automoveis na cidade devido à poluição. Com estacionamento praticamente inexistente e/ou a preços proibitivos e ordenados exiguos.

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