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09
Ago

duas ou demasiadas coisas

por David Crisóstomo

O blogue do Francisco Seixas da Costa é um dos espaços da blogosfera que há mais tempo frequento. Local de histórias curiosas, opinões ponderadas e análises sensatas com que tendo quase sempre a concordar. Dito isto, ontem deparei-me com um post de reflexão sobre a campanha interna do Partido Socialista infelizmente interessante. Interessante por utilizar um argumentário semelhante ao de muitos, mas profundamente equivocado. Em variados aspectos.

 

O ex-secretário de estado começa por relatar que no passado recente tomou conhecimento que havia um segmento populacional da população portuguesa, essencialmente alfacinha (que, numa terminologia que costumo ver mais para os lados da Soeiro Pereira Gomes, identifica como "direita burguesa") , elogioso do trabalho e do carácter do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Seixas da Costa acrescenta ainda que nas redes sociais "reaças" António Costa era muito apreciado, por oposição a Seguro que era desprezado.

 

Vamos por partes: o embaixador assegura-nos de que "sabe do que fala", como atestado de credibilidade do seu ponto de vista. Não contesto, mas não me chega, até porque a interpretação me parece tortuosa. Não me faz impressão nenhuma que haja cidadãos que se identifiquem como sendo de direita ou "conservadores" e que encontrem méritos e qualidades em António Costa. Ou em António José Seguro. Ou no Jerónimo de Sousa. Pessoas de direita a elogiar candidatos de esquerda e vice-versa não é nenhuma anormalidade deste reino. Que sejam "burgueses", utilizadores de redes sociais e/ou da "boa gente do interior", utilizando uma expressão do atual Secretário Geral do PS, também me é completamente irrelevante. Numa discussão democrática madura, devemos dispensar (ou mesmo rejeitar) a "catalogação" dos cidadãos por estereótipos, alguns deles bem bolorentos. O apoio de um eleitor de Lisboa e de um de, sei lá, Penamacor, deve ser visto e entendido pelo mesmo conjunto de critérios, sob pena de cairmos na arrogância discriminatória de que acusamos o outro lado: um cidadão do interior é necessariamente menos "burguês" que um de Lisboa? Porquê? E que direito tenho eu de julgar um habitante do litoral como sendo obrigatoriamente mais "espertalhão" que aquele que reside em Viseu ou Évora? Este tratamento classicista dos cidadãos pelo seu local de origem não será tão ou mais insultuoso ou primitivo como o outro que queríamos denunciar? Creio que o embaixador concordará comigo neste ponto.

Confesso que no que às "redes sociais reaças" diz respeito, não creio que neste ponto Seixas da Costa saiba do que fala. Não me lembro de alguma vez ter lido textos de blogueres mais à direita que se desfizessem em elogios a António Costa. A titulo de exemplo, é espreitar o segmento de opinião do Observador, que mais à frente no post é dado como "barómetro". Deduzo que o autor tenha feito alguma confusão.

 

Segue-se uma caracterização da caracterização feita frequentemente a António José Seguro, referindo que esta última descrevia o Secretário-Geral do PS como sendo "insuspeito de carisma" e que "dificilmente levaria o PS a parte a alguma, muito menos ao lugar de Passos Coelho". Seixas da Costa refere que este é um olhar "sobranceiro", apesar de não justificar nem refutar a adjectivação. Eu, que não vejo em Seguro nenhuma relevante habilidade carismática nem a capacidade para levar o PS a vencer as próximas eleições legislativas e ter capacidade para formar governo, não entendo porque sou caracterizado como "sobranceiro". Acredito aliás que os últimos dias, as últimas intervenções e entrevistas vieram dar razão a este perfil traçado.

Há ainda uma queixa de que de cada vez que Seguro apresentava uma medida, "a imprensa "desfazia-a" no dia seguinte". Bom, vamos lá ver, a não ser que entremos aqui num complexo santanista de "incubadora", se a imprensa é capaz de desacreditar uma proposta em apenas 24h, então a proposta não devia ser grande coisa, não é? E, bom, sobre a parte de que "quando, um dia, se decidiu a apresentar uma "batelada" delas, então foram medidas a mais", estando a falar do pack das 80 medidas, que entre elas tinham "Defender as funções estruturantes da soberania do Estado" (?), "Estabelecer a necessária articulação entre departamentos do Estado no sentido de assumir posições céleres e comuns em todos os processos em que estão em causa direitos, liberdades e garantias ou a sustentabilidade de empresas e postos de trabalho" (?) "Estabelecer regras claras para a definição, execução, avaliação e controlo das políticas públicas" (?) "Aplicar de forma generalizada práticas preventivas de conflitos de interesse e de corrupção a todos os organismos da função pública" (?) , "Adoção de uma estratégia industrial 4.0” (?) e a "Estação Oceânica Internacional" (???), o problema não era estas serem muito numerosas, é de que, muito fracamente, muitas delas são completamente vagas. Quer dizer, como não criticar um conjunto de 80 "propostas concretas" em que as últimas 5 são Portugal permanecer membro da UE, da CPLP, da ONU, da NATO e ter boas relações com o resto do mundo? 

 

O texto continua com uma análise dos últimos meses. "Vieram as europeias. Em face do seu próprio descalabro, a direita percebeu, num instante, que a potencial alternativa partidária não tinha sequer aproveitado a sua queda.". Interessante é que quando fala do não aproveitamento da derrota da direita parlamentar, o autor está-se a referir ao que aconteceu no pós-25 de Maio e não aos resultados eleitorais que conhecemos nesse dia, onde, com pouco mais de 30% de votação no principal partido da oposição, a direita governamental confirmou um pressentimento partilhado com grande parte da população: apesar da massiva contestação e insatisfação popular, apenas 30% dos eleitores reconheciam no Partido Socialista capacidade para os representar. E ninguém governa com 30%. Aliás, nesse mesmo dia foi dada a conhecer uma sondagem para as legislativas com um resultado que veio mais tarde a ser confirmada por outras subsequentes: o PS empataria ou perderia face ao PSD e CDS-PP.  Face a isto, aconteceu o óbvio (ou que pelo menos assim deveria ser considerado, face aos factos): um "setor do PS que não se conformava com a escassez da vitória" apoiou a disponibilidade revelada por António Costa para alterar uma trajetória politica que poderia (e poderá) ser desastrosa para o Partido Socialista e para o país.

 

Seixas da Costa nota ainda uma alegada e aparente alteração de opinião que aconteceu em certos setores da sociedade sobre António Costa e António José Seguro. E conclui com uma opinião, creio eu ficcionada mas baseada em percepções do autor: "O Costa, se for montada uma boa campanha a acusá-lo de estar ligado ao Sócrates, pode ser que venha a suscitar rejeição no eleitorado. Mas vai ser difícil, porque ele é bastante popular. Já o Seguro, com aquele ar agora um pouco mais determinado, será que vai conseguir dar a volta? Se arranjar coragem para se distanciar abertamente do "Sócras", com o balanço de uma vitória nas primárias e se a economia descarrilar um pouco, pode final ser bem mais perigoso do que pareceu nas europeias.". Este trecho opinativo está bem apanhado e é muito comum.  Revela uma opinião banal, mas deprimente. Uma que acha que "estar ligado" ao anterior primeiro-ministro é uma falha, um defeito, e que o caminho de Seguro deverá ser o distanciamento do passado recente do PS. Isto é, Seguro só "será mais perigoso" para a direita (dado o quão foi até agora, também não seria difícil) se demonstrasse publicamente uma certa vergonha, um desconforto com o legado dos últimos governos socialistas. Ao que parece, Seguro partilha da opinião desta senhora das pulseiras de Seixas da Costa, pois ao longo das últimas semanas, no novo registo do não-anulado, não hesitou em copiar o argumentário utilizado pela direita parlamentar, ou até mesmo a suplantá-la e a ir directamente à fonte que lhes levou ao poder e que trampolinou Marinho Pinto para Estrasburgo: o populismo básico e reles, inspirado em manchetes do Correio da Manhã, que tenta ligar a crise económica e social ao fenómeno da corrupção e da mistura de "política e negócios". Ignorando-se a complexidade dos problemas do país e da Europa, aposta-se no primário, no simples e simplório, no estulto. É fácil utilizar e abusar da carta da corrupção. É fácil dar a entender que se concorda com a visão anti-política, que houve muita trafulhice nos últimos governos e que Seguro, separador da politica e dos negócios, é "diferente" de Sócrates e dos anteriores. É fácil e com certeza dará votos. Seixas da Costa queixa-se do "registo de lota" da campanha. Eu queixo-me e amedronto-me com o registo populista do atual Secretário-Geral do PS. Aceitar e aderir à narrativa da direita sobre a crise, a de que gastámos bué e tínhamos bué direitos e que agora temos que nos disciplinar e austerizar até à medula, já era mau o suficiente. Juntar a isto uma visão baixa do debate politico, uma "nova forma de fazer política" que parece consistir em advogar menos deputados e difamar o adversário até à exaustão para poder vir a colher simpatias junto dos que duma forma salazarenta olham com desprezo e nojo para a politica, assuta-me enquanto democrata e socialista. E a ausência de denúncias e distanciamentos de muitos democratas socialistas assusta-me ainda mais.

 

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7 comentários

De Francisco Seixas da Costa a 09.08.2014 às 11:37

Muito obrigado atenção que deu ao que publiquei no meu blogue. Talvez o diálogo ficcionado que hoje nele publico o possa esclarecer mais sobre a minha (aliás, irrelevante) posição: http://duas-ou-tres.blogspot.pt/2014/08/a-conversa-no-pereira-9.html. Cumprimentos

De David Crisóstomo a 09.08.2014 às 20:35

Agradeço o link . Infelizmente, e conjugado com uma leitura da entrevista que vem hoje publicada no jornal i, esclarece. Principalmente na parte em que refere que António José Seguro "tendo ganho as eleições internas há um ano, tem todo o direito de considerar que está lá por direito próprio" e que "seria pedir demais a quem ganhou um congresso há um ano e na sequência dele fez entrar gente do Costa para a sua direção .". Não discutimos e não são relevantes considerações sobre "direitos" de ocupação de um cargo, a liderança do Partido Socialista não é um mandato que se alcança por concurso público e se cumpre no período contratualizado. Na sua opinião, seria "pedir demais" ao Secretário-Geral que fizesse uma análise racional dos três últimos anos e dos resultados do Partido Socialista e, face à disponibilidade de um candidato que recolhe os apoios de uma considerável parte das estruturas do PS, demitir-se e convocar um congresso. Não patrocino visões emocionais de líderes políticos que acham que "merecem" ocupar um lugar e recusam-se a abrir mão dele, mesmo face a evidências. Partilho da sua opinião sobre a ideia das primárias para primeiro-ministro, mas incomoda-me o uso oportunista que a atual direção fez dum processo ainda vanguardista em Portugal. O PS poderia hoje já ter o seu líder reforçado por eleições internas e um congresso realizado; poderia hoje já estar uno e a (re-)construir uma verdadeira alternativa à visão ideológica da direita parlamentar; poderíamos até, se houvesse muita insistência e genuína boa-fé, estar a organizar um processo de primárias (verdadeiramente) abertas para o candidato socialista a Primeiro-Ministro que não fosse uma espécie de antecâmara das diretas do partido (como é o caso da situação presente, como bem reconhece). Poderíamos já ter toda esta discussão resolvida. Mas não, estamos num processo que culminará no final de Setembro e continuará em Outubro e Novembro com as diretas e o congresso, caso se confirmem as sondagens que apontam a vitória de António Costa no dia 28. Ou seja, um problema que no dia 1 de Agosto já poderia estar resolvido, corre o risco de chegar a 1 de Dezembro ainda por resolver. Tudo porque há não entenda a função, o simbolismo e significância do cargo que ocupa. Lamento que aparentemente partilhe desta visão. Cumprimentos.

De Porfírio Silva a 09.08.2014 às 17:02

Gabo a paciência do David Crisóstomo.

De Francisco Seixas da Costa a 19.08.2014 às 16:26

Caro David Crisóstomo
Eu tentei abordar a questão de um ponto de vista neutral, isto é, não tomando posição por qualquer dos dois candidatos. E, nessa perspetiva - que sei não ser muito comum nos dias que correm -, que procurei tentar perceber as razões de um e do outro.
Por isso, tentei interpretar a posição de AJS como a de alguém que, fazendo uma leitura (contestável, como qualquer outra) do que se passou nos últimos três anos e dos resultados das eleições realizadas, considera ser a pessoa mais qualificada para levar o PS à vitória nas eleições de 2015. Dir-me-á que isso não tem qualquer sentido, que é uma "evidência" que AC é a figura mais qualificada. Mas essa sua opinião é, no máximo, tão válida como a de AJS. E é pela cumulação dessa leitura com a legitimidade formal de que ele dispõe (e isto não pode ser desprezado como uma mera formalidade, senão entramos no reino do "vale tudo") que me pareceu que a realização das "primárias" acabou por ser um gesto positivo, porque permite compatibilizar os dois registos. Dir-me-á que se perde tempo, que há um desgaste desnecessário. AJS - que é, não o esqueçamos, o SG eleito há um ano com uma votação esmagadora, com o apoio declarado de AC e fazendo entrar pessoas da confiança deste para a sua direção - talvez lhe respondesse que não foi ele quem criou o "problema"... E o problema de se "perder tempo" é o mesmo para a hipótese de AJS ganhar as primárias, não esqueça! Eu, que não me revejo na leitura positiva que AJS fez do resultado das europeias (onde só conseguiu captar 32% dos 72% de quantos se pronunciaram contra a ex-maioria), não deixo de entender a sua relutância em ir para um congresso e diretas a que nada o obriga. Mas que fique bem claro que acho perfeitamente legítimo que AC tente dar voz a quantos não se revêm na atual liderança, que acham medíocre o resultado das europeias e que são de opinião de que, com AJS na liderança, o PS ainda se arrisca a perder as legislativas. A opinião dessas pessoas conta muito, claro! Por isso, não tendo AC obtido o número mínimo de federações que lhe permitiria convocar um congresso (o qual, estatutariamente, também não teria possibilidade de convocar umas diretas para líder), o recurso às primárias parece-me uma boa solução - e não há soluções ideais. Imagino que, para quem está incondicionalmente ao lado da "solução Costa", tudo isto não passe de formalismos desnecessários. Mas o mundo não tem só um lado e, em especial, esse lado não se pode arrogar da verdade absoluta. E muito obrigado por me ler, o que parece desnecessário a certa filosofia...

De David Crisóstomo a 19.08.2014 às 18:00

Caro Francisco Seixas da Costa,
Lamento, não interpretei nos seus últimos posts ou na sua recente entrevista uma posição "neutral" na disputa eleitoral. Não desconsidero a validade desta, ou que de facto seja mesmo a sua (e se é essa a sua afirmação, que lhe é indiferente quem sai vencedor no dia 28 de Setembro, acredito e peço desculpa pela minha percepção, que como pode verificar noutras paragens não foi única nem isolada).
A mim, como bem nota, não me é indiferente nem sou neutro. E permita-me corrigi-lo: não afirmo que seja atualmente uma evidência que António Costa seja "a figura mais qualificada". Poderá até haver outras, o tempo dirá. Afirmo sim, a pés juntos e com toda a frontalidade, que depois das mais recentes entrevistas e declarações que insistem num vil populismo que envergonham o passado do Partido Socialista (que outrora combateu e denunciou este tipo de discursos, como era seu dever), serão poucos os dirigentes do PS que não serão eventualmente mais qualificados que António José Seguro para liderarem o partido. Como bem ressalva, isto é a minha opinião, que é tão válida como a de qualquer outro militante (isto sim é um evidência, claro está). E relembra-me a legitimidade formal e os atos eleitorais passados como prova cabal de que António José Seguro terá todo o direito (salvo seja) a conduzir o presente processo da forma escolhida. Ora, sobre o ato eleitoral passado, Seguro foi reeleito, é certo, com uma maioria de 96,53% dos votos; também será justo relembrar que nesse ato eleitoral foi praticamente o único candidato (o pouco recomendável do Aires Pedro, que agora atormenta o LIVRE na Madeira, não é oposição que mereça contabilização); também devemos relembrar que a percentagem conseguida foi correspondente a 24.843 votos, isto é, aproximadamente o mesmo número de votos que Seguro obteve em 2011 (23.903) quando concorreu contra Francisco Assis; de relembrar que este valor que constituiu a base eleitoral interna de Seguro, os 24 mil cidadãos, é já bastante inferior ao número de votantes externos ao partido inscritos para as próximas primárias, que segundo a edição de ontem do jornal Público ultrapassava já os 36 mil. Relativamente à legitimidade do atual Secretário-Geral do Partido Socialista, concentro-me num adjetivo escolhido por si: ela é hoje somente formal. Baseia-se apenas no último ato eleitoral. E, como bem temos aprendido à força nos últimos 3 anos, qualquer eleito não pode hoje apenas depender da sua legitimidade formal, se essa não for suportada por uma legitimidade real. Como medir esta e a sua evolução será com certeza uma questão muito mais complexa, mas há falta de melhores ferramentas, poderemos apenas apontar a última meia-dúzia de sondagens sobre a liderança do PS, que apontavam que cerca de 60% dos inquiridos preferiam António Costa como vencedor e as últimas declarações de vários destacados militantes do PS, incluindo 25 dos seus fundadores, lideres da Juventude Socialista ou a maioria dos deputados à Assembleia da República. A legitimidade presente de António José Seguro é assim hoje essencialmente formal. E foi para resolver a questão de uma formalidade alegadamente não sustentada pela realidade que se propôs e se fez de tudo para convocar um congresso eletivo, um privilégio que os estatutos (e a interpretação algo absolutista dos mesmos pelo Conselho de Jurisdição) reservam unicamente ao Secretário-Geral do PS.
(Creio que foi induzido em erro no ponto de António Costa não ter as federações suficientes - esse processo de aprovação de moções parou e passou a ser legalmente inócuo a partir do momento em que foram marcadas as eleições federativas, que estatutariamente retiram a capacidade às comissões politicas federativas de aprovar este tipo de moções, como relembrou o ainda secretário nacional António Galamba).

De David Crisóstomo a 19.08.2014 às 18:18

Não havendo a sensatez de espírito e de mente por parte de António José Seguro para se demitir e dar inicio a um processo eleitoral célere que pudesse restituir-lhe eventualmente a legitimidade perdida, "sacou-se um coelho da cartola": primárias para Primeiro-Ministro, uma excelente ideia na minha opinião, anteriormente desprezada por Seguro, mas agora adotada com toda a afectividade. Um processo que desgasta o partido, não pelo seu caracter de debate e discussão de propostas e visões, mas sim pela urgência que existia e existe na sociedade portuguesa de uma verdadeira liderança alternativa à da direita parlamentar nacional, como demonstram os recentes resultados eleitorais. Ora, António José Seguro atrasou o eventual surgimento dessa alternativa real quando se pôs no caminho da resolução célere e efectiva dos problemas do Partido Socialista. Como referi em cima, em vez de não se opor a uma solução que encerraria toda esta questão ainda antes de Agosto, o atual Secretário-Geral preferiu impor um processo de resolução que se arrisca a só estar terminado em Dezembro. Isto é, por mais legitimidade formal que ainda possua, Seguro demonstrou nos últimos dois meses um carácter mesquinho e deprimente, de quem além de pôr os seus interesses e emoções à frente das necessidades da sociedade portuguesa, também não se inibe de insultar e difamar publicamente um camarada seu que poderá vir a ser o seu futuro secretário-geral e primeiro-ministro. O mundo não terá com certeza um só lado, mas este lado que nos foi exposto, do líder que andou durante três a "anular-se" e que agora com um "habituem-se" revela toda uma aviltante faceta, não merece muito respeito de quem não quer ver a sua ideologia politica associada a este tipo de características.
E não tem que agradecer, leio-o com todo prazer.

(Peço desculpa pela extensão da resposta, a arte da síntese não é algo que domine, infelizmente)

De Francisco Seixas da Costa a 20.08.2014 às 12:23

Caro David Crisóstomo: a minha "neutralidade" é apenas analítica, dado que me não é de todo indiferente quem venha a ser o SG do PS em 2015. Di-lo-ei com o meu voto, a 28 de setembro, não tendo ainda encontrado razões para o fazer antes. Como já deixei expresso em vários locais de dimensão pública, não me agrada a linguagem de tensão pouco construtiva que a campanha está a ter e não tenho a menor dúvida em colocar algumas infelizes declarações de AJS lado-a-lado com certas tomadas de posição, quer de apoiantes seus, quer de muitos apoiantes de AC, nos jornais e nas redes sociais. O próprio AC tem, neste caso, tido uma posição mais contida. Não posso, contudo, concordar consigo quando reduz a legitimidade de AJS à mera formalidade. Ele tem toda a legitimidade política intacta, não sendo nunca as sondagens um fator arguível. Quanto aos votos nas últimas eleições internas, se "alguém" tivesse então avançado talvez o partido se tivesse mobilizado mais. Ainda quanto à comparação com os simpatizantes inscritos, permita-me que note que só a pode fazer precisamente porque AJS lançou as eleições primárias. Quanto à concisão, não se preocupe: provavelmente, nem você nem eu temos tempo para ser breves... Cumprimentos

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