Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



27
Set

Um texto de Rui Zink sobre o poder do voto. Abster-se é abdicar desse poder.

"O meu voto vale pouco? Valerá. Mas é o único momento em que vale exactamente o mesmo - o mesmo pouco - que o voto de Assunção Esteves ou O diácono-superior dos ex-CTT.
Essa a beleza do voto: cada um vale pouco e todos valem EXACTAMENTE o mesmo pouco.
Ao contrário de um reunião de accionistas ou de um clube, onde há votos de qualidade, e uma pessoa pode ter um zilião de votos, aqui naquele dia TODOS valem exactamente o mesmo: pouco.
A fórmula é simples: 1 adulto = 1 voto.
Claro, há pessoas que são fotografadas a votar e outras não. Mas a cruzinha vale exactamente o mesmo: pouco.
1 = 1.
Ronaldo é mais influente? Medina Carreira mais careca? O prof. Cavaco mais... Enfim, mais qualquer coisa? Sim. O prof. Marcelo é mais omnipotente? O sr. Pingo Doce mais rico? O dr. Catroga mais administrador da EDP? Claro. Como duvidar?
E não, nem de longe, não temos todos o mesmo poder de influenciar os outros. Falar na tasca, na televisão, no FB, ao telefone ou no jornal não é a mesma coisa. Nem tem de ser.
Há filmes vistos por milhões, poemas lidos por nem meia-dúzia de amigos.
Segundos antes e, lamento dizê-lo, segundos depois de votar deixaremos de ter o mesmo poder, a mesma fortuna, o mesmo destino.
Contudo, naquele instante, na cabine, com a caneta e o boletim, temos todos o mesmo poder.
Pouco. Maravilhosamente pouco."

Autoria e outros dados (tags, etc)


9 comentários

De Jaime Santos a 28.09.2015 às 07:45

Qualquer voto, mesmo, que diabo, um voto na coligação, vale mais do que nenhum voto, porque é o único momento em que cada um de nós é chamado a exercer esse minúsculo quinhão de Soberania que nos assiste. E que é, como diz Zink , tão grande como o de qualquer outro cidadão. O exercício da cidadania não se esgota no voto, mas só ele representa o exercício dessa Soberania. Aqueles que o desprezam e que optam exclusivamente por outras formas de intervenção crêem-se mais do que os outros quando na realidade optam por ser menos.

De Joe Strummer a 28.09.2015 às 09:43

Este texto só corrobora a inutilidade do voto. Ve o voto não como agente de alguma mudança mas meramente como uma fugaz experiência de uma inatingivel igualdade. Uma derrota.E não deixa de ter razão.

Gosto do último paragrafo, da cena da cabine, da caneta ...e uma boa metafora sexual, so falta o libidum fast 1 ou 2 horas antes por causa da impotencia.

Sejamos realistas, a única forma de as pessoas terem direito a algum poder e através da deslegitimaçao da pirâmide. So quando a ameaça e suficientemente forte e que existe cedencia de poder. O resto e circo que alimenta vários poderes, a industria do jornalismo, etc...e isto não é um discurso anti-político antes pelo contrario, e em favor da política.


De Sérgio Lavos a 28.09.2015 às 13:35

A desligitimação da pirâmide nunca se conseguirá pela abstenção, a não ser que à abstenção se siga uma revolução. E isso nunca irá acontecer, porque as revoluções nunca começam pelo povo que se abstém, mas pelo povo que participa e sempre participou, votando ou sendo activista. Não votando, perpetuamos o poder de que lá está e sempre esteve. No nosso caso, a coligação PAF! aplaude cada abstencionista, porque quem vota neles, nos PAF, vota mesmo, não arranja desculpas e racionalizações idiotas para ficar em casa.

De Jaime Santos a 28.09.2015 às 14:43

O Sergio tirou as luvas e eu tiro-lhe o chapéu. Mas quem disse que este Senhor, que de facto tem tendência para racionalizações idiotas, não vota? Desmobilizar o outro lado também e uma forma de ganhar eleições...

De Joe Strummer a 28.09.2015 às 16:24

A primeira conclusão até está certa desde que se trate de um projecto colectivo.Quanto a mim alguns partidos/pessoas com assento parlamentar deviam estar a promover a abstenção, já que não querem governar ou contribuir para uma solução de governo. Totalmente diferente é uma situação individual.

No meu caso não sei se vou votar, se voto em branco, se acabo por exercer alguma escolha.Estou aqui a servir de agent provocateur numa materia q acho do maior interesse e a argumentação que me trazes é primaria e indutora da abstenção. Podes fazer muito ruído mas a eficácia é nula:(

De Jaime Santos a 28.09.2015 às 19:34

Do dicionário: 'Os agentes provocadores são agentes diretamente designados para provocar agitação, violência, debate, controvérsia ou descrédito através de um grupo enquanto agem como membros do mesmo.' Fugiu-lhe a boca para a verdade. Está tudo dito, não está?

De Joe Strummer a 28.09.2015 às 19:58

E isso mesmo Silva. agora vai para casa comemorar com a família e desampara a loja.

De Sérgio Lavos a 28.09.2015 às 21:00

Estás a dizer que um abstencionista não vota mesmo só por pirraça, porque alguém lhe aponta a incoerência da sua racionalização para não votar? Isso ainda torna mais pueril a abstenção...

Já agora: só aceito a abstenção enquanto gesto político válido a um anarquista que esteja completamente contra o sistema. E contra o sistema quer dizer contra o sistema mesmo: alguém que não pague impostos, viva à margem dos benefícios sociais, se esteja a borrifar para todos os valores da comunidade a que pertece. E estes, diga-se, são muito poucos...

De Joe Strummer a 28.09.2015 às 22:45

Não não estou a dizer nem a fazer nada disso. Há varias gradações de abstencionismo, a maior e ultima das quais é um processo, por uma falta crescente de representatividade. Grande parte do abstencionismo até é civico e revela-se no voto por exemplo em partidos neo-nazis.O outro existe é real e não tem q ter a tua aceitação para ser um acto politico válido, a maior parte são pessoas sem esperança e desiludidas do sistema. Acho a tua noção de abstencionismo demasiado fixista e romântica e que prenuncia o voto compulsório a que me oponho totalmente. A velha questão onde se divide a esquerda ser fiel às ideias ou às pessoas.



Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • MRocha

    Se está na lei que devem ser públicas, cumpra-se a...

  • Jaime Santos

    Trump, além de mentiroso, é sobretudo um egomaníac...

  • Joe Strummer

    Pois, mas convem não deixar que noutro lado se ins...

  • Anónimo

    E estou eu contratado pelo estado à 16 anos.

  • Daniel Silva

    Sim, a tendencia é sempre a mesma. O aumento salar...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset