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O meu texto no Diário Económico de ontem: 

 

Estamos em tempo de Presidenciais. A escolha que agora cabe aos eleitores fazer – e apenas a estes, não é uma escolha que se decrete no espaço mediático nem um cargo a que se ascende por jubilação no fim de uma carreira partidária e política, ou por realização de um qualquer sonho de infância. Além disso, é uma escolha fundamental.

Como vimos nos últimos 10 anos faz toda a diferença ter um Presidente que seja verdadeiramente de todos os portugueses ou um Presidente que pensa, age e fala como líder de um espaço político e em função dos interesses e agendas desse mesmo espaço político.

Cavaco Silva nunca foi nem quis ser o Presidente de todos os portugueses, nunca fez por ser um agente de união do país, nunca se constituiu na voz de quem a não tem. Foi, em suma, o pior Presidente que tivemos desde o 25 de Abril.
Quando a crise atingiu Portugal, primeiro de forma mitigada no período 2008-2011, depois de forma violenta a partir de 2011, Cavaco Silva tudo fez para dar à sua direita a hipótese de, a coberto da austeridade, implementar uma política de redução de salários e aumento de impostos, a pretexto de procurar um equilíbrio orçamental (que nunca chegou), mas que serviu, na realidade, para amputar o Estado Social, proteger os rendimentos de capital e empobrecer quem trabalha.

Eu lembro-me de um Presidente que promulgou Orçamentos inconstitucionais, protagonizou episódios como o das famigeradas “escutas de Belém” e decidiu sobressaltar o país com uma comunicação solene sobre uma alínea do Estatuto Político-Administrativo dos Açores de que já ninguém se lembra.

Não podemos cometer o mesmo erro duas vezes. Marcelo Rebelo de Sousa pode ser – e é – um comentador simpático, uma pessoa de quem é impossível não gostar e de uma inteligência acutilante. Mas não é o Presidente de que o país precisa.

O Presidente de que o país precisa, escrevi-o aqui neste jornal, é Sampaio da Nóvoa. Este não é o tempo de ficarmos em casa. Este não é o tempo de não tomarmos posição. Este não é o tempo de prescindirmos da oportunidade de mudar algo de fundamental.

Como Sampaio da Nóvoa disse este Domingo em Ponta Delgada: dia 25 de Janeiro será tarde demais. Temos a hipótese de eleger um político de carreira de direita, uma candidata de facção que nem essa facção convence por inteiro ou um homem que tem uma vida de serviço público atrás de si e oferece ao país a sua disponibilidade para continuar a servi-lo na mais elevada magistratura da Nação. Devemos aproveitá-la.

Se outro argumento fosse preciso – não é –, bastaria recordar que não menos que três anteriores Presidentes acreditam, como eu, que não é a falta de uma carreira partidária que o menoriza. Falamos de alguém que nos traz uma mensagem de diálogo, de inclusão, de preocupação com o próximo e de compromisso absoluto com a Constituição da República Portuguesa. Num Estado de Direito, como é o nosso, essa é a melhor garantia de que os atropelos aos direitos dos mais fracos não mais passarão.

Temos a oportunidade de eleger um de nós e não o produto dos partidos políticos. Temos a oportunidade de eleger um homem inteligente e bom. Temos a oportunidade de eleger um humanista com provas dadas. Temos, por fim, a oportunidade de eleger alguém que vem para a política para servir e não para se servir.

A nossa parte é simples: exercermos o nosso direito ao voto. E escolhermos bem. Está mais que na altura.

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