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25
Jan

Demokratia

por Sérgio Lavos

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Ao fim de sete anos de crise e seis de políticas de austeridade, continua a ser extraordinário como a direita europeia continua a achar que os povos dos países "resgatados" irão aceitar sem bulir o sofrimento que lhes tem sido imposto, aceitar que sejam governados por quem não está com eles, por eles. Achava isso, e continua a achar, e tudo indica que continuará nos próximos tempos. Este inacreditável estado de negação trouxe a ruína e a pobreza a Portugal, a Irlanda, a Espanha, a Chipre e espalhou desemprego e perda de rendimento por vários outros países que não chegaram a ser resgatados. E a Grécia, a cobaia desta violenta experiência de redimensionamento da base fundadora da União Europeia - o Estado Social - foi o país que mais sofreu, desde o início. Sofreu com 27% de desemprego, com a pobreza extrema de milhões, com o fim de muitos apoios estatais a quem perdeu o emprego, e sofreu sobretudo no espírito, na alma, uma terrível humilhação, infligida pelos países do Norte; a Grécia teria de ser o poster boy da maior transferência de rendimento do trabalho para o capital depois da Segunda Guerra Mundial (transferência também conhecida por "austeridade" ou ainda por esse infame eufemismo, "reformas estruturais"). A direita que governa a Europa decidiu que a crise de 2008 era uma imperdível oportunidade de acabar com o Estado Social, e a Grécia tornou-se o poço sem fundo desta desvairada alucinação que tomou conta dos dirigentes europeus. Agora, seis anos depois, os gregos voltaram a respirar. Voltaram a poder dizer que nenhuma humilhação quebrará o espírito do país onde nasceu a democracia. A democracia foi, e será, a única resposta a dar a uma União Europeia desfigurada, exangue dos seus princípios fundadores, uma União Europeia que tem vivido uma crise de liderança sem precedentes desde a sua fundação - e logo na pior altura possível, a crise de 2008. A democracia, a voz do povo (esse que durante todos estes anos tem suportado um sofrimento apenas comparável a uma guerra ou uma ocupação estrangeira), a democracia seria sempre o único caminho possível. Governar com o povo, para o povo, é por aí. Tão simples, não?

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